Relatório Direitos Humanos 2017 é lançado em São Paulo

O documento aponta um cenário de intensa violações de direitos no campo e na cidade
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Fotos Leonardo Fernandes 

 

Por Maura Silva e Leonardo Fernandes 
Da Página do MST

Aconteceu na tarde de ontem (5) no Sesc Bom Retiro em São Paulo, o lançamento da 18ª edição do Relatório Direitos Humanos no Brasil. 

O documento é organizado pela Rede Social de Justiça e Direitos Humanos e apresenta um panorama das violações ocorridas no ano de 2017. 

O relatório é formado por 33 textos que abordam diversos aspectos dos direitos humanos nas áreas dos direitos civis, políticos, econômicos, culturais, sociais e ambientais.

Entre os assuntos abordados no documento estão: mudanças na legislação trabalhista e no sistema previdenciário, o aumento das mortes por conflitos agrários, os massacres ocorridos em prisões do país e a restrição do investimento público em áreas sociais. 

Para Daniela Stefano, uma das jornalistas responsável pela publicação desde 2013, esse foi o ano mais pessimista para os direitos humanos registrado no último período. 

“Todos os artigos aqui publicados falam sobre os retrocessos perpetrados pelo governo golpista de Michel Temer. Fim da Constituição, retirada de direitos da classe trabalhadora, no campo e na cidade, ausência de políticas públicas e tantos outros. Um detalhe que chamou atenção em todos os artigos foi a completa falta de esperança no que tange o tema de direitos humanos no Brasil atualmente, um cenário inédito porque de alguma maneira sempre víamos um fio de esperança. Mas, ao mesmo tempo que o livro mostra um panorama tão crítico, ele mostra também que precisamos de força e mobilização para mudar esse cenário”. 

Violência no Campo 

O conflito no campo brasileiro também é destaque no relatório de 2017. Levantamento da Comissão Pastoral da Terra (CPT) mostra que o cenário no meio rural já era preocupante em 2016, quando 61 mortes foram contabilizadas. Até outubro, o número em 2017 alcançava 63 mortes.

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A vereadora de SP pelo PT, Juliana Cardoso, homenageada 

Homenagens

Durante o evento, a Rede Social de Justiça e Direitos Humanos homenageou três personalidades de referência na luta pelos direitos humanos: a vereadora Juliana Cardoso (PT-SP), por sua trajetória em defesa dos direitos das mulheres, de crianças e adolescentes e do direito à moradia; a irmã Ivone Gebara, filósofa e teóloga, pela atuação em defesa das mulheres; e ainda uma homenagem póstuma ao frei Henri Burin des Roziers, morto em 26 de novembro, pelo trabalho em defesa dos trabalhadores do campo.

Para Juliana Cardoso, “é gratificante ser homenageada na atual conjuntura em que vivemos. Isso nos dá força para continuar e para seguirmos do lado certo da história”. 

Para ter acesso ao 18ª edição do Relatório Direitos Humanos no Brasil, clique aqui