Alimentação escolar: educação para nutrir corpos e mentes

Seminário “Alimentação saudável e nutrição na educação escolar” fala da importância da infância bem nutrida na Feira Nacional do MST

 

Por Ágatha S. Azevedo
Da Página do MST
Foto: Kellyto Trindade

 

Evitar os produtos industrializados, processados e ultra-processados pode ser a resposta para boa parte dos problemas de saúde que atingem crianças, jovens e adultos. Para Carin Primavesi, participante do seminário “Alimentação saudável e nutrição na educação escolar”, durante a 3ª Feira Nacional da Reforma Agrária em São Paulo, a destruição dos nossos corpos está fortemente relacionada aos venenos da comida, que inibem vitaminas e minerais essenciais para o consumo humano e intoxicam o alimento. 
 

Partindo da máxima de que “saúde não é somente sobre se sentir bem, mas sobre praticar saúde”, Carin falou também sobre a necessidade de estimular a alimentação orgânica e agroecológica logo na primeira infância, que é quando os órgãos estão em desenvolvimento. 
 

Um dos maiores problemas do agrotóxico para a infância é justamente sua ação no sistema nervoso humano, que pode prejudicar a memória, a concentração e gerar déficit de atenção. Não por acaso, um dos venenos mais combatidos pela campanha contra o uso de agrotóxicos é o Glifosato, que causa autismo e outros problemas às crianças. 
 

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Primavesi também falou da alimentação como o maior problema de saúde do mundo, e da necessidade de cuidar do solo em um “sistema de veneno que vai matando solos e gerando a fome”. 
 

Ana Estela Haddad, que fez parte do Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE) de São Paulo, falou um pouco sobre a lei que garante que 30% da alimentação escolar venha da agricultura familiar e também resgatou a afetividade no ato de comer, pois “comer em grupo constrói hábitos saudáveis nas crianças e nos jovens”. Em diálogo com ela e com a ideia de segurança alimentar como um direito básico, Giorgia Russo, nutricionista da rede estadual de educação de São Paulo, trouxe o exemplo das cozinhas da rede pública de São Paulo. 
 

O projeto, que conta com a parceria da cozinheira Janaína Rueda, levou receitas de alimentação saborosa, nutritiva e sem conservantes para a merenda escolar, mostrando que é possível conciliar orçamento e logística, com vida agroecológica. 
 

Já Ceres Hadich, da direção nacional do MST, reforçou a ideia da Reforma Agrária como um elo entre diversos setores da vida cotidiana dentro do Projeto Popular de Brasil, principalmente incentivando a permanência da juventude no campo e o interesse pelo cultivo da terra desde a infância. “A gente ocupou e ocupa terra para fazer diferente do que existia e, por isso, produzir agroecologia envolve passar por todas as esferas da nossa vida, e a educação é parte dessa construção”. 
 

Um dos principais recados que o Seminário deixa para a 3ª Feira Nacional da Reforma Agrária é o de que para saber se uma refeição faz bem ao corpo, ela deve ser bastante diversa e ter vindo direto do campo para a mesa.
 

*Editado por Gustavo Marinho