Reforma Agrária Popular: Um grito de resistência!

“O Festival Estadual de Arte e Cultura do MST é um grito de resistência aos desmontes que vêm sendo orquestrados pelo governo”

 

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Foto: Dowglas Silva

 

Por Mariana Assis 
Da Página do MST 

“O Festival Estadual de Arte e Cultura do MST é um grito de resistência aos desmontes que vêm sendo orquestrados pelo governo com o intuito de tentar criminalizar e deslegitimar à luta pela terra e por Reforma Agrária”, destaca Jahia do assentamento Irmã Dorothy, no Triângulo Mineiro. 

O evento é organizado e viabilizado pelo MST e reúne produtores de várias regiões de Minas Gerais e Espírito Santo no Parque Municipal Américo Renné Giannetti, em Belo Horizonte. 

O trabalho de Jahia consiste em trabalhar exclusivamente com a terra. Desse modo, ela produz da terra produtos livres de venenos, saudáveis à saúde e com preços baixos. Este último fator, ela ressalta, faz com que produtos agroecológicos ou em transição agroecológica possam ser comprados por pessoas de baixa renda, já que esses alimentos nos supermercados e sacolões têm um alto custo e assim tornam-se restritos às pessoas com alto poder aquisitivo. 

Nesse sentido, o evento é um grito de resistência aos grandes latifundiários, comércios e atacados que argumentam que é impossível vender alimentos saudáveis a preços acessíveis. Jahia ressalta que a classe trabalhadora é desfavorecida em vários âmbitos: educação, saúde, mobilidade e, principalmente, na alimentação. Dessa forma, o MST mostra que é viável que uma dieta rica e saudável possa ser consumida por todas e todos. 

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Foto: Ana Júlia romano

Comercialização e troca de alimentos 

A troca de alimentos é uma exercício bastante realizada nos assentamentos. Visto que nem todas regiões produzem os produtos necessários, essa prática permite que haja variedade de alimento. Com essa dinâmica, os assentamentos se fortalecem bem como as relações entre os produtores. 

“A possibilidade de oferecer produtos livres de agrotóxicos para os nossos companheiros/as já é por si só um ato muito gratificante. Por isso, não vendo só produtos produzidos por mim, mas também de outras pessoas do acampamento, fruto do trabalho coletivo”, afirma Jahia. 

A falta de cooperativas e de sacolões que comprem os alimentos dos acampamentos e assentamentos é destacado pela Sem Terra como um grande problema. Caso essa articulação acontecesse, seria benéfico e fortalecedor para ambos os lados. Além disso, há um grande preconceito para com os produtos do  MST. “É uma falha muito grande. Nossa produção não chega até o trabalhador/a por conta do preconceito da burguesia”, conclui. 

*Editado por Iris Pacheco