Dizemos NÃO ao despejo do Dalcídio Jurandir!
Da Página do MST
O acampamento Dalcídio Jurandir, localizado na antiga fazenda Maria Bonita, em Eldorado dos Carajás, está sob ameaça de despejo. As mais de 200 famílias tem até o dia 17 de setembro para deixar o local, de acordo com a decisão do juiz da vara agrária de Marabá, Amarildo Mazutti, que determinou que seja cumprida a liminar de despejo.
LEIA MAIS: Despejo no Pará ameaça dez anos de produção de alimentos saudáveis
Atualmente, a venda da produção sem agrotóxicos gera a renda que sustenta as 212 famílias Sem Terra que vivem no acampamento há mais de 10 anos. Com o objetivo de denunciar essa investida contra a agroecologia e a reforma agrária popular, o MST no Pará divulgou uma nota em defesa do acampamento.
Confira o documento na íntegra:
Estamos para sofrer mais uma vez as investidas do latifúndio por meio de seus representantes e mandatários! Esses indivíduos são os que matam os camponeses/as e são responsáveis pelos desmatamentos de nossas florestas! São os verdadeiros destruidores de vidas, sabedorias e riquezas de nossos territórios na Amazônia.
O acampamento Dalcídio Jurandir é um dentre tantos no Brasil que sofrem ameaças de despejos. As famílias acampadas há 11 anos fazem da terra vida! Plantando, colhendo, reflorestando e recuperando uma área que foi totalmente degradada. Uma área que foi usada para interesses escusos e hoje resiste a ordem de despejo das 212 famílias Sem Terra.
Reafirmamos que buscaremos todos os meios para evitar mais essa violência! Resistiremos!
Somos sujeitos históricos que sonham e fazem lutas diárias por reforma agrária e justiça social para classe trabalhadora. Vamos levando adiante um projeto de reforma agrária popular e por esse motivo somos aqueles e aquelas que incomodam os que querem manter a exploração e lucro a todo custo.
Incomodamos sim, porque o acampamento Dalcídio Jurandir constrói novas possibilidades, na produção agrícola e diversa para todos, na formação dos sujeitos que vivem em nossa comunidade, no reflorestamento e cuidado com os bens da natureza e na afirmação da memória histórica dos sujeitos que vivem na Amazônia. E que nos levou a denominar nosso acampamento de Dalcídio Jurandir; uma homenagem a este grande escritor paraense, romancista, jornalista e professor do nosso Pará. Seu legado nos fortalece contra a criminalização dos movimentos sociais.
Repudiamos o uso de terra pública para bancos e de um Estado executor de violência que não garanta os direitos para os camponeses e as camponesas terem condições de vida e produção alimentos saudáveis para o povo.
Dizemos Não ao despejo do Dalcídio Jurandir!
Seguiremos em Luta! Lutar, Construir Reforma Agrária Popular!
13 de setembro de 2019
Coordenação Estadual do MST Pará