Sem Terra preso em Goiás recebe visita de Comitê de direitos humanos

Desde 2016, o MST em Goiás vem sofrendo um processo de criminalização e perseguição

 

Da Página do MST
 

No último sábado, 28, o militante Sem Terra Natalino de Jesus recebeu a visita da coordenação executiva do Comitê Goiano de Direitos Humanos Dom Tomás Balduino.
 

De acordo com Ângela Ferreira, integrante da coordenação do Comitê de Direitos Humanos, é importante constatar que Natalino está em um local que tem uma metodologia de trabalho extremamente humana, e ressalta o apoio do comitê nesse processo.

“Transmitimos toda a solidariedade aos familiares, aos amigos, ao MST, pois a prisão do Natalino é política, ele não cometeu nenhum crime. Defender a justiça, a igualdade, a terra, isso são direitos humanos, não é crime. Esse processo é um equívoco e estamos atentas”, afirma Angela.
 

Preso arbitrariamente em setembro, no município de Mozarlândia (GO), enquanto se dirigia para capital do estado para visitar sua família, Natalino se soma ao grupo de militantes no estado que tem sofrido as tentativas de intimidação direcionadas ao Movimento Sem Terra.
 

Nesse sentido, o ex-prefeito de Goiânia e ex-deputado federal (PT), Pedro Wilson Guimarães, também integrou a comitiva e lembrou que o compromisso coletivo de lutar e solidarizar para que “onde esteja um companheiro, impedido de desenvolver seu trabalho, assim como o Natalino, hoje preso sem poder construir sua casa, tocar sua roça, haja solidariedade para que essas pessoas, perseguidas pela lei ou por juízes e promotores, possam ter a liberdade, com democracia, com respeito, e olhar para o horizonte com a esperança de lutar por um mundo de justiça e paz.”
 

O Frei José Fernandes Alves, Prior Provincial da Ordem Dominicana, e a cineasta Claudia Nunes, também são do Comitê e integraram a comitiva. Ambos relatam a importância de Natalino se apresentar saudável, consciente do que ocorre com ele, porém, não desanimado e sim fortalecido.

 
“Ficamos felizes de encontrar o Natalino animado, está sendo respeitado, tratado com dignidade, pois sabemos que esta não é a regra do sistema prisional goiano”, afirmou Claúdia.
 

Desde 2016, o MST de Goiás vem sofrendo um processo de criminalização e perseguição, na tentativa de enquadrar o movimento que luta pela terra como organização criminosa, teoria defendida pelo juiz da comarca de Senta Helena Tiago Boghi, devido à ocupação  de terras da Usina Santa Helena, pertencente ao grupo Naoum. A área foi ocupada pela primeira vez em setembro de 2015 e houve uma segunda ocupação em agosto de 2016.
 

A referida usina tem centenas de processos ambientais, trabalhistas, previdenciários e está na lista das maiores devedores da União, cerca de 1,2 bilhão de reais.  
 

O MST reivindica a adjudicação das terras da usina pela União para sanar as dívidas dos trabalhadores/as e ao mesmo tempo destinar as terras para assentar as famílias do acampamento Leonir Orback que ocupam uma parte da área.