Encontro regional Sem Terrinha reúne 80 crianças em MG

Com diversas brincadeiras e debates, as crianças conversaram sobre educação do campo, alimentação saudável e a vida no MST, e construíram um manifesto
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1º Encontro Sem Terrinha da Regional Milton Freitas. Fotos: Luana Borges e Agatha Azevedo

Por Agatha Azevedo
Da Página do MST 

Esta semana foi realizado o 1º Encontro Sem Terrinha da Regional Milton Freitas, no acampamento Pátria Livre, localizado em São Joaquim de Bicas (MG). O encontro reuniu crianças dos acampamentos e assentamentos do MST e faz parte da construção da ideia de infância Sem Terra.

A atividade foi pensada a partir da oficina estadual de preparação para os encontros regionais, realizada em agosto de 2019 no Centro de Formação e Cultura Guimarães Rosa, em Belo Horizonte. Ao final, foi concluída uma carta sobre o evento. Confira o manifesto:

 

MANIFESTO DO 1º ENCONTRO DAS CRIANÇAS SEM TERRINHA DA REGIONAL MILTON FREITAS (METROPOLITANA)
 

Nós, crianças dos acampamentos e assentamentos da metropolitana, viemos nesse primeiro encontro, que aconteceu nos dias 17 e 18 de outubro no acampamento Pátria Livre, em São Joaquim de Bicas, manifestar nossa luta como crianças Sem Terrinha saudáveis e em movimento. Somos 80 crianças presentes neste encontro, com idades entre 7 e 12 anos, que lutam e vivem a reforma agrária todos os dias, e queremos que a nossa voz seja ouvida, para falar de educação do campo, alimentação saudável e da nossa forma de viver.
 

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Sobre a educação do campo, nós queremos que toda área de reforma agrária tenha escola do campo, pois nossa escola faz parte da nossa realidade rural. Nós queremos melhorias nas estruturas das escolas do campo, e que nossas escolas respeitem a diversidade, a criatividade e tenham esportes e lazer. Nós precisamos também de ciranda para as crianças menores e biblioteca para toda a comunidade. Queremos que esse espaço fortaleça a mística, a arte, a música e o nosso aprendizado, com contato com outras culturas e outros idiomas e acesso à internet. Essa é uma luta nossa, pois com educação mudamos a vida das pessoas.

Queremos também que nossa escola seja um lugar livre de agrotóxicos, com horta coletiva, galinheiro, florestas com frutas e muita variedade. Nossa alimentação é saúde, e também educação. Os alimentos sem veneno são parte da nossa cultura, e nós também queremos isso para as crianças e os adultos da cidade também. Não é só o povo do campo que precisa de melhorias, a cidade também precisa, é nossa tarefa pensar sobre a violência, o alimento que faz mal, a comida enlatada, que nos traz doenças. Precisamos de companheirismo, que a comida que a gente produz também alimente a cidade.
 

Queremos construir a resistência com a nossa imaginação, levando esses aprendizados para as cidades, e alimentando o povo trabalhador com comida sem veneno. No nosso sonho, seria um armazém sem veneno em cada canto do mundo. Ninguém comeria beterraba sem sabor e sem forma, mas produção agroecológica, e toda criança poderia brincar na piscina, na quadra, e estudar, sem ter que trabalhar, pois essas são as tarefas de criança.
 

Nós precisamos garantir saúde em todos os nossos territórios. Saúde é comer bem, plantar, ser companheiro, e melhorar a vida nas nossas áreas, começando das pequenas ações para as grandes transformações. Somos do mst, queremos ser sem terrinha saudáveis, criativos e em movimento, construindo a luta sem terra sem deixar de ser criança, brincar, sorrir e lutar.
 

“SEM TERRINHA EM MOVIMENTO: POR TERRA, ESCOLA E DIGNIDADE!”