MST lança marca de roupas no Baixo Sul baiano

Marca “Da Luta” gera renda e empregos promovendo a produção artesanal local, valorizando as simbologias da luta e a estética da ancestralidade africana

Fotos: Setor de Comunicação do MST na Bahia

No último sábado (12), o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra lançou a marca de roupas “DA LUTA”, com peças criadas nas áreas de Reforma Agrária Popular na região Baixo Sul da Bahia.

Inspirada na realidade das lutas diária de assentados e acampados, a marca de roupas e acessórios lançada pelo MST apresenta moda praia e casual, com peças de roupas estilo afro, mostrando os detalhes da luta e da resistência dos povos camponeses.

Foto: MST na Bahia

As principais peças de biquínis e bolsas são produzidas no assentamento Mariana, no município de Camamu (BA).

Há também diversos modelos de brincos, que têm como matéria prima a escama de peixe, criados pela juventude do movimento CETA (Movimento Estadual de Trabalhadores Assentados, Acampados e Quilombolas) em Ibirapitanga, dialogando assim com as especificidades do território e rompendo com a padronização pós-colonial.

A criação de uma marca que trouxesse a cara do povo do campo e refletisse a sua luta foi pensada e planejada entendendo que tanto as famílias assentadas e acampadas já produzem de forma artesanal uma grande variedade de roupas e artesanatos, mas precisavam de novas formas para escoar a produção.

Adelvan Bantu, educador, comunicador popular e militante do MST explica que “a marca Da Luta surgiu a partir da necessidade da busca pela autonomia das trabalhadoras e trabalhadores, na liberdade de se vestir, exercer a suas práticas artísticas, elevar sua autoestima e retomar na vivência cotidiana os saberes e fazeres nas mais diversas dimensões do que se entende como produções artesanais. Quebrando assim padrões estéticos que há muito tempo vêm sendo induzidos pela supremacia branca, que se utiliza das influências, principalmente midiática, para sustentar o capital em função da apropriação e comercialização das produções dos povos e dos seus elementos simbólicos, tanto pelas vias institucionais, subsidiado pelo Estado, quanto pela subjetividade, criminalizando as práticas socioculturais dos povos que vivem nesses territórios”.

Foto: MST na Bahia

Sheila Assunção, dona de um marca e militante, afirma que “a marca Da Luta, para além de trazer uma discussão na dimensão estética, é sobretudo uma ferramenta da valorização da pluralidade e multifuncionalidade do nosso povo, que produz, cria, inventa e reinventa. Creio que esta iniciativa irá melhorar nosso protagonismo, além de aumentar nossa renda e, consequentemente, nossa autoestima”.

FAÇA SUA ENCOMENDA:
https://daluta.olistshops.com/

A Marca

Para José Neto, da Direção Estadual do MST na Bahia, a marca surge com a tentativa de responder à um questionamento: Como construir autonomia?

“Com base nesse questionamento nós temos percebidos que é fundamental pesarmos em toda a vivencia humana: o que vestir, o que comer, que remédio usar para a saúde. Durante vários debates tivemos uma iniciativa que a longo prazo pode ser a resposta, a partir desse processo surgiu o nascimento da marca “Da Luta”, que tem como objetivo vestir o povo que compõe o MST e todos os povos que desejam trazer a dialogicidade da arte como elemento de enfrentamento e assim como população e a militância.”

Foto: Setor de Comunicação do MST na Bahia

 “É uma marca que tem os símbolos de resistência do povo preto, o símbolo de resistência do povo Sem Terra, que em sua maioria também é o povo preto.”

“Para além disso, ela surge como resposta para ofertar oportunidades de geração de empregos e renda para os jovens homens e mulheres que moram nos assentamentos e acampamentos. Então ela vai demandar toda uma equipe de jovens que irão pensar desde a criação da arte até a venda. É um instrumento mobilizador, em uma ponta ela gera recursos e na outra gera renda e empregos em suas várias vertentes”, conclui Neto.

*Editado por Yuri Simeon