Solidariedade

MST organiza ato público em Minas Gerais contra cassação de parlamentares e criminalização

Espaço reforça a unidade na defesa das parlamentares e contra a criminalização do MST
Passaram pelo ato cerca de 500 pessoas, entre parlamentares e figuras públicas do campo progressista. Foto: Matheus Teixeira

Por Matheus Teixeira
Da Página do MST

O ato público realizado na noite desta última sexta-feira (04), no Armazém do Campo em Belo Horizonte, Minas Gerais, expressa a defesa das seis deputadas federais ameaçadas de cassação na Câmara dos Deputados, sendo elas, Fernanda Melchionna (PSOL-RS), Sâmia Bomfim (PSOL-SP), Célia Xakriabá (PSOL-MG), Talíria Petrone (PSOL-RJ), Érica Kokay (PT-DF) e Juliana Cardoso (PT-SP).

A iniciativa também foi em apoio ao Movimento Sem Terra, diante da CPI que tramita na Câmara e tenta criminalizar o Movimento.

Passaram pelo ato cerca de 500 pessoas, entre parlamentares e figuras públicas do campo progressista, além de representantes sindicalistas, ativistas, lideranças de juventudes e lideranças populares.

Convocado pelo mandato da deputada Federal Célia Xakriabá e pela Frente “Elas Ficam”, junto ao MST, o ato contou com a presença do Deputado Federal Rogério Correia (PT), da deputada estadual Andréia de Jesus e das vereadoras da capital mineira, Iza Loureça (PSOL), Cida Falabella (PSOL), Moara Sabóia (PT), Bela Gonçalves (PSOL) e o vereador Bruno Pedralva (PT), para além da participação de diversos movimentos sociais e sindicais.

 “As mesmas pessoas que tentam caçar o nosso mandato, estão lá na CPI do MST, tentando criminalizar o Movimento”, denúncia Célia Xakriabá

Fala de Célia Xakriabá. Foto: Matheus Teixeira

Durante sua fala, a deputada federal ressaltou também as violências verbais sofridas por ela e suas companheiras parlamentares nas sessões de audiências da câmara.

“Na quarta-feira, nós estávamos como pauta prioritária no conselho de ética. Nós queríamos mesmo estar como pauta prioritária para tentar a aprovação dos projetos de lei. Um congresso que acabou de aprovar equidade salarial, é o mesmo congresso que ainda tenta silenciar a voz de mulheres.”

Atualmente, a presença feminina na Câmara dos Deputados é de apenas 18%, uma representação baixa em comparação com a proporção de mulheres na população. Entretanto, é notório que, embora seja uma minoria, as mulheres representam impressionantes 63% dos parlamentares que enfrentam processos de cassação de mandato no Conselho de Ética, conforme publicou o jornalista Valmir Araújo, no portal Brasil de Fato.

Célia denuncia ainda que, a cada sessão no congresso o seu microfone bem como as suas companheiras que também foram levadas a comissão de ética são silenciados no mínimo seis vezes, e critica a maneira como foram tratadas pelo conselho em sua primeira audiência. “Na primeira reunião do conselho de ética as parlamentares foram chamadas de irracionais e de não civilizadas, desprezando, como se a violência sofrida por nós, não fosse também um ataque a democracia.”

Sâmia Bomfim e Célia. Foto: Matheus Teixeira

“Não podem criminalizar o MST, porque não tem crime em lutar. A reforma agrária está na constituição, o direito de organização está na constituição federal. A mesma constituição que garante propriedade como um direito fundamental, foi a constituição que garantiu o direito de luta e de reforma agrária, inclusive tudo que há de reforma agrária conquistada no nosso país, foi sim fruto de ocupação. Então eles apostam na criminalização ou domesticação do movimento social dizendo que não vai ter ocupação”, explica Sâmia Bomfim.

Durante o governo de Bolsonaro, o MST realizou mais de 100 ocupações de terras de norte a sul do Brasil, diante de um cenário caótico imposto pela pandemia, aliado a necropolítica do ex-presidente. O MST nesse período doou mais de 9 mil toneladas e mais de 2,5 milhões de marmitas socializando a produção advinda das áreas de acampamentos e assentamentos.

“Eu tenho a convicção de que esse processo machista, reacionário do partido do Bolsonaro contra seis mulheres na Câmara dos deputados é expressão do medo de que eles tem das mulheres que lutam”, afirmou da Fernada Melchionna, uma das parlamentares ameaçadas de ter o mandato cassado pela Câmara.

A deputada do PT, Erika Kokay falou da importância da democracia no atual cenário político do país. “Esses naufrágios do mar da democracia, tentam impedir que a vontade do povo se consolide, não vão conseguir. O destino desses que tentam sabotar a experiência que o povo brasileiro quer fazer de democratizar a terra, democratizar a vida, o destino dele é a cadeia. Bolsonaro vai para a cadeia, onde tem que estar o genocida que estimulou uma política da morte.”

Integrante da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI), que investiga os atos golpistas do 8 de janeiro, o deputado federal Rogério Correia (PT) reforçou o seu papel na comissão junto ao povo brasileiro e reafirmou seu compromisso enquanto integrante do mesmo. “Na outra CPMI, nós vamos fazer um relatório que levará Bolsonaro à prisão no final da apuração, é um compromisso nosso que estamos nessa luta.”

Nei, dirigente do MST, e Célia. Foto: Matheus Teixeira

Nei Zavaski, da direção estadual do MST encerrou o evento, falando sobre a importância de se realizar o ato aberto no Armazém do Campo, num espaço do MST. Para ele, isso mostra que o Movimento assim como as companheiras que estão sendo cruelmente atacadas pelo machismo e misoginia cotidianamente, correndo o risco de terem os mandatos cassados por serem contra criminalização do mesmo e contra o marco temporal.

O dirigente, em sua fala, trouxe um pouco sobre o que representa a perseguição política em que os parlamentares e o Movimento se inserem nesse momento. “Bater no MST, é bater no conjunto das forças democráticas desse país. Perseguir as nossas companheiras deputadas e seus mandatos, não é perseguir uma posição política ou uma mulher de forma individual, é perseguir o conjunto de todas as que lutam contra qualquer injustiça nesse país, é perseguir o conjunto da esquerda, dos trabalhadores e das trabalhadoras dos setores que são discriminados e, constantemente, massacrados na nossa sociedade pela elite do nosso país”, conclui.