Instância organizativa
Encontros Nacionais do MST: centrais na organização e implementação das linhas políticas
O 14º Encontro Nacional, em Salvador será um março estratégico do MST, em contexto de crises, posicionando a Reforma Agrária Popular como proposta concreta para o país

Por Solange Engelmann
Da Página do MST
Ao longo do processo histórico de 42 anos de organização e luta pela terra e pela Reforma Agrária, tradicionalmente em alguns anos nos meses de janeiro, o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), realiza seu Encontro Nacional, com a participação de delegados (famílias assentadas e acampadas, escolas, cooperativas e demais espaços do Movimento) de 23 estados, mais o Distrito Federal, onde o Movimento está organizado.
Os Encontros Nacionais do MST fazem parte da instância de organização e planejamento em torno das linhas políticas e organizativas do Movimento; além de ter a função de garantir a revisão e implementação das plataformas de luta definidas nos Congressos Nacionais.
“É um espaço que tem como tarefa também o fortalecimento do estudo, da formação política e ideológica de toda a militância da base do MST. Então, os nossos encontros tiveram papéis importantes na definição de linhas que seguem no MST até os dias atuais”, resume Débora Nunes, da direção nacional do MST.
14º Encontro Nacional
A partir da próxima segunda-feira (19), até sexta-feira (23), o MST realiza o 14º Encontro Nacional, com a participação de cerca de 3 mil delegados de todas das regiões e estados, em que a organização está presente no país. A atividade acontece no Parque de Exposições Agropecuárias, na capital baiana, em Salvador, Bahia.
O 14º Encontro Nacional, em Salvador, será um março estratégico do MST, em um contexto nacional e global de crises (alimentar, climática e política), para posicionar a Reforma Agrária Popular como proposta concreta para o Brasil.

“Nesse momento conjuntural, onde realizaremos o 14.º Encontro Nacional, essa instância também deve prezar pela revisão do nosso Programa de Reforma Agrária Popular e homologar a instância da Coordenação Nacional. Entendemos ainda que precisamos aprofundar a leitura da conjuntura nacional e internacional, reafirmando o internacionalismo como uma bandeira e uma linha do MST”, enfatiza Débora.
Portanto, neste Encontro o MST também apresenta sua nova estrutura organizativa, que terá como função, no próximo período, contribuir para o enfrentamento aos novos desafios da conjuntura atual, e os desafios estruturais da luta de classes no Brasil e no mundo. Bem como, atuar na construção de um projeto popular de país, que inclui a Reforma Agrária Popular e um conjunto de direitos para a vida digna dos/as trabalhadores e trabalhadoras no campo e cidade.
“O caminho de 2009 a 2026 mostra um MST que amadureceu, ampliou seu projeto e se consolidou. O Encontro na Bahia será um termômetro da sua força atual e irá lançar as diretrizes para o futuro, reafirmando a Reforma Agrária não como uma demanda do passado, mas como uma proposta urgente para os problemas do Brasil atual”, afirma Lara Rodrigues, da direção nacional do MST pelo Rio Grande do Sul.
Contexto histórico
O último Encontro Nacional do MST, o 13º Encontro Nacional, foi realizado de 20 a 24 de janeiro de 2009, em Sarandi, no Rio Grande do Sul, em comemoração aos 25 anos do Movimento. O encontro realizado no local histórico das primeiras ocupações de terra no país, contou com a participação de 1.500 trabalhadores/as rurais. Na programação esteve a avaliação da situação política e organizativa do Movimento, bem como o planejamento para mudanças importantes na expansão da luta pela terra, com foco na produção de alimentos saudáveis, educação do campo e justiça social, que possibilitaram a consolidando o MST como uma força política no país.
“Os últimos 17 anos representam uma evolução significativa na atuação do MST. Da nossa concepção da luta pela terra à soberania alimentar, ampliamos o foco da conquista da terra para um projeto de Reforma Agrária Popular, que inclui a produção agroecológica, combate à fome e soberania alimentar. Hoje, o MST é reconhecido como o maior produtor de arroz orgânico da América Latina. Fortaleceu sua estrutura com cerca de 450 mil famílias assentadas e 90 mil acampadas em 24 estados, e desenvolveu uma vasta rede de cooperativas, escolas e parcerias com universidades”, destaca Lara.
A dirigente do RS também relembra que nesse período, os Sem Terra também ampliaram a agenda de luta com a incorporação de temas como feminismo, antirracismo, LGBTQIA+ e educação do campo, refletindo uma compreensão mais profunda das opressões e desigualdades presentes na sociedade. “A luta deixou de ser apenas contra o latifúndio improdutivo para enfrentar o capital financeiro internacional e o agronegócio corporativo que controla as sementes, as terras e os preços dos insumos agrícolas e dos alimentos”, conclui Lara.

No processo histórico de organização, o MST realizou 13º Encontros Nacionais até o momento, que tiveram papel fundamental nas definições de questões estratégicas e avanços políticos em torno da luta pela Reforma Agrária para a continuidade do Movimento. Esses encontros figuram como marcos históricos, por exemplo, como a criação oficial do próprio Movimento no Iº Encontro Nacional do MST, em 22 de janeiro de 1984. A atividade aconteceu entre 20 a 22 de janeiro de 1984, em Cascavel-PR, com a participação de 92 participantes e o tema: “Terra não se ganha, se conquista”.

Nos encontros nacionais também formam definidos o Hino do MST, a bandeira e as simbologias da organização, a transformação do coletivo de mulheres em setor de Gênero, garantindo a participação paritária das mulheres, bem como o lançamento da campanha de construção da Escola Nacional Florestan Fernandes (ENFF) e processos avaliativos e de planejamentos estratégicos das lutas para os períodos seguintes.



