Conquista
Berço das Ligas Camponesas na PB, Barra das Antas assenta 21 famílias e faz homenagem à Elizabeth Teixeira
A criação do assentamento foi conquistada em uma parcela do antigo latifúndio, entre entre os municípios de Sapé e Sobrado; conflito agrário permanece em outra parte da área

Por Carla Batista
Da Página do MST
A Barra das Antas é um território de memória e rebeldia. Berço das Ligas Camponesas na Paraíba, essa terra, localizadas entre os municípios de Sapé e Sobrado, na Paraíba, carrega o sangue, o suor e a coragem de homens e mulheres que, há mais de 70 anos, decidiram enfrentar o poder do latifúndio para afirmar um direito básico: terra para quem nela trabalha.
Foi neste território que João Pedro Teixeira tombou, assassinado por ousar organizar os camponeses, a partir das Ligas Camponesas. Foi na mesma áreas que Elizabeth Teixeira, companheira de João Pedro Teixeira, também manteve viva a luta pela terra, transformando a violência e o silenciamento em continuidade política. Ao lado deles, muitos outros homens e mulheres tombaram também e construíram a base do que hoje se afirma como direito à terra.
A criação do assentamento Elizabeth Teixeira, em uma parcela da antiga Fazenda Barra das Antas, marca uma virada simbólica e concreta. Onde antes se impunha o monocultivo da cana de açúcar, a serviço do agronegócio, agora se abre espaço para a agricultura familiar camponesa.


É preciso dizer com clareza: foram apenas 21 famílias que hoje conquistam esse pedaço de chão de um território tradicional, com a conquista do assentamento. Porém, a área ainda conta com cerca de 800 famílias remanescentes das ligas camponesas que aguardam a reparação histórica, através da política de Reforma Agrária no território de Antes.
Essa realidade revela os limites impostos pelo Estado e pelo latifúndio, mas não diminui o significado da conquista. Cada palmo de terra garantida na luta é afirmação de direito, é brecha aberta, é esperança concreta que precisa ser celebrada sem perder a indignação.


O anúncio público dessa conquista, realizado em Sapé, e a entrega simbólica do documento à companheira Elizabeth Teixeira, em sua casa pelo Ministro do Desenvolvimento Agrária e Agricultura Familiar (MDA), Paulo Teixeira, reafirmam o sentido político e histórico desse assentamento. Ele não nasce como gesto isolado, mas como parte de uma trajetória coletiva construída com resistência, enfrentamento e permanência.
O assentamento Elizabeth Teixeira representa a continuidade da luta camponesa na Paraíba, e afirma que a Reforma Agrária não é passado nem promessa distante, mas processo em disputa e de muita resistência sustentada pela organização da classe trabalhadora do campo.
O ato de criação do assentamento Elizabeth Teixeira em parte da Fazenda de Barra de Antas


O ato foi atravessado pela mística levada pelo MST, com plantio de mudas em homenagem ao Frei Sérgio, importante companheiro de luta pela Reforma Agrária que faleceu na última semana. Foi um gesto de cuidado com a terra e com a memória.
Também foi realizado plantio em solidariedade ao povo venezuelano, reafirmando a importância do internacionalismo e a união entre os povos. Plantar, nesse chão, é afirmar compromisso com a vida, com a soberania e com a continuidade da luta.
Para o MST, o assentamento Elizabeth Teixeira não é um ponto final, mas a continuidade da luta pela Reforma Agrária Popular, que segue sendo cultivada com a organização, resistência, memória e mística de ontem e hoje, enquanto houver terra concentrada e povo sem chão.
*Editado por Solange Engelmann



