Reforma Agrária Popular
MST ocupa Fazenda Córrego, no sertão central do Ceará
Ocupação integra a Jornada Nacional de Lutas em Defesa da Reforma Agrária que marca 30 anos do Massacre de Eldorado do Carajás

Da Página do MST
Na madrugada desta quarta-feira, 15 de abril, aproximadamente 500 trabalhadores e trabalhadoras do Movimento Sem Terra (MST) ocuparam a Fazenda Córrego, localizada no município de Madalena, no sertão central do Ceará. A propriedade possui mais de 300 hectares improdutivas.
A ação integra a Jornada Nacional de Lutas em Defesa da Reforma Agrária, com o lema “Basta de violência contra os povos e a natureza! 30 anos de Carajás” que ocorre entre os dias 13 e 17 de abril de 2026, marcando os 30 anos do Massacre de Eldorado do Carajás, que vitimou 21 trabalhadores Sem Terra no dia 17 de abril de 1996.
A pauta nacional traz como foco principal a denúncia a impunidade. Dos 155 agentes do Estado envolvidos no massacre, apenas 2 foram presos. Além disso, o Movimento exige reparação aos sobreviventes, enquanto questiona o governo atual pela insuficiência na política de assentamentos.

As mobilizações incluem ocupações, marchas, vigílias e o Acampamento Pedagógico da Juventude Oziel Alves, em Eldorado do Carajás, com reconstrução do monumento aos 21 mártires, além das marchas na Bahia e retomada em Curionópolis, reunindo militantes de 24 estados em uma mobilização de caráter massivo, simbólico e de denúncia contra a violência estrutural no campo e a negligência estado.
No Ceará, o MST reivindica a desapropriação imediata de duas propriedades com finalidades específicas: a Fazenda Córrego, com 300 hectares, para construção de habitações populares através do programa Minha Casa, Minha Vida, atendendo ao déficit habitacional de famílias em situação de vulnerabilidade em Madalena; e a Fazenda Teotônio, com mais de 11 mil hectares, já em processo no Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) desde 2024, para fins de reforma agrária, que beneficiará 500 famílias.
O município de Madalena se desenvolveu através do assentamento 25 de Maio e, passados 37 anos, as famílias Sem Terra reivindicam a criação de mais um assentamento de reforma agrária para contribuir com o desenvolvimento econômico, social e político local, que assentará 500 famílias.
Para Paulo Henrique, da direção estadual do MST, “a ocupação também expressa a luta pelo direito à moradia para a população madalenense, que enfrenta grande déficit habitacional com inúmeras famílias em situação de vulnerabilidade social morando de aluguel, enquanto terrenos urbanos poderiam ser adquiridos pelo poder público para construção de casas populares através do programa Minha Casa, Minha Vida do Governo Federal”.


