Educação
MST no PR realiza 1º curso de bioinsumos e homeopatia na agroecologia para agricultores/as
Realizada em cooperação entre a Escola Milton Santos e Instituto Federal do Paraná, atividade fortalece estratégia de bioinsumos no estado

Por Coletivo de comunicação do MST no Paraná
Da Página do MST
O Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) adotou os bioinsumos como parte da estratégia nacional de massificação da agroecologia, por se tratarem de recursos biológicos capazes de estimular o desenvolvimento agrícola sem agredir o meio ambiente.
Desde os primeiros acúmulos construídos pelo Movimento em torno da agroecologia e da produção nos territórios da Reforma Agrária, o debate sobre os bioinsumos vem ganhando força ao longo dos anos. Em 2021, se estruturou como um coletivo nacional e em 2022 se transformou em um eixo dentro da Frente de Agroecologia do Setor de Produção, Cooperação e Meio Ambiente (SPCMA), com a estruturação de estratégias voltadas à ampliação da produção e do uso de bioinsumos nos assentamentos e acampamentos.
A formação, que aconteceu entre os dias 07 e 09 de maio, em parceria com o Instituto Federal do Paraná (IFPR) — Centro de Referência de Maringá e Campus Ivaiporã, com o Núcleo de Estudos em Agroecologia e Produção Orgânica do Território Vale do Ivaí (NEAS), a Cooperativa Central de Reforma Agrária do Paraná (CCA-PR) e a Escola Milton Santos de Agroecologia, em Maringá, iniciou o processo de capacitação de 49 camponeses de diversos assentamentos e acampamentos do estado.
O curso conta ainda com recursos do CNPq, por meio de uma chamada dos Núcleos de Estudo em Agroecologia e Produção Orgânica; e com o apoio do Instituto Federal de São Paulo, campus Avaré, que integra a Rede de Bioinsumos para Agricultura Familiar, estratégia apoiada pelo Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA/SEAB).
A iniciativa busca garantir que as famílias Sem Terra tenham acesso a alternativas sustentáveis aos agrotóxicos e defensivos químicos convencionais, amplamente utilizados no controle de insetos, pragas e doenças que afetam as lavouras. A proposta fortalece a agroecologia como modelo de produção, promovendo maior autonomia produtiva, redução dos custos de cultivo e preservação da saúde humana e do meio ambiente.
A capacitação terá mais três etapas de três dias cada, sendo essas duas primeiras voltadas aos bioinsumos e as duas últimas à homeopatia. O curso é totalmente pensado para a realidade dos camponeses e o desenho em módulos de curta duração permite que os agricultores participem sem ficar muito tempo fora das suas unidades produtivas.

“Os bioinsumos representam os insumos da agricultura do futuro”, diz Jocinei Gonçalves de Lima, engenheiro agrônomo e coordenador da frente de bioinsumos no Paraná. Segundo ele, esses recursos, geralmente desenvolvidos a partir de microrganismos, são considerados uma alternativa estratégica para a agricultura do futuro, pois possibilitam melhorar o padrão de produção e ampliar a escala produtiva e contribuir com a qualificação dos sistemas produtivos e transição agroecológica.
A riqueza deste recurso está na atuação integrada de organismos vivos presentes na biodiversidade brasileira. A ampla comunidade de microrganismos, como bactérias, fungos, actinomicetos, protozoários, existente no solo e nas plantas, desempenha papel fundamental no desenvolvimento saudável dos cultivos, contribuindo para o aumento da produtividade e da sanidade agrícola.
Jocinei também destaca que os microrganismos utilizados nos bioinsumos representam, possivelmente, uma das últimas fronteiras de recursos naturais ainda amplamente disponíveis no planeta, em um cenário no qual diversos outros recursos já apresentam sinais de esgotamento devido à exploração intensa.
Ele ainda afirma que “o Brasil é o país com o maior patrimônio microbiano do planeta”. A vasta diversidade desses recursos desponta como um dos maiores potenciais estratégicos para o desenvolvimento de uma agricultura mais sustentável, produtiva e inovadora.
Disputa política e econômica acerca dos bioinsumos
Os bioinsumos representam hoje uma das principais alternativas para garantir a sustentabilidade da produção agrícola em larga escala, e por ocuparem um papel estratégico na agricultura do futuro, estes recursos também se tornaram tema de disputas econômicas, tecnológicas e políticas.

O que torna fundamental que a agricultura camponesa participe ativamente da construção do debate sobre os bioinsumos. “Caso contrário, os ativos microbianos que dão origem a importantes bioinsumos continuarão sendo acessados apenas por quem pode pagar, normalmente empresas multinacionais”, afirma Jocinei.
O debate também evidencia a necessidade de ampliar o desenvolvimento tecnológico voltado à agricultura familiar, garantindo que agricultores tenham acesso aos recursos biológicos existentes no próprio território brasileiro. Segundo o agrônomo, o Brasil possui um dos maiores patrimônios microbianos do planeta.

Para que essa biodiversidade seja convertida em bioprodutos acessíveis, comercializáveis e de aplicação prática, Jocinei defende a participação dos camponeses nos processos de pesquisa, desenvolvimento e construção de modelos produtivos orientados pelos princípios da agroecologia. Nesse contexto, a formação técnica dos agricultores passa a ser considerada estratégica para ampliar o acesso e a apropriação desse conhecimento.
No Paraná, parte da estratégia estadual da frente de bioinsumos é justamente a formação sobre o tema, entendida como um eixo transversal que acompanhará o avanço das demais ações. Nesse sentido, o curso Homeopatia e Bioinsumos na Agroecologia, de Formação Inicial e Continuada (FIC), deu início a um processo de qualificação de agricultores voltado ao uso, produção e compreensão dos bioinsumos na agroecologia.
A próxima etapa do curso está prevista para ocorrer entre os dias 11 e 13 de junho de 2026, também na Escola Milton Santos de Agroecologia.
*Editado por Leonardo Correia



