Internacionalismo
Brigada de Solidariedade à Venezuela divulga carta em defesa da Revolução Bolivariana
Documento é fruto de um processo de solidariedade e intercâmbio de 2 meses, entre 80 militantes de organizações brasileiras e venezuelanas, com o povo venezuelano que constrói a revolução diariamente

Da Página do MST
Após uma vivência de dois meses de solidariedade, debates e intercâmbios com o povo venezuelano, a Brigada de Solidariedade à Venezuela Hugo Chávez, formada por 80 militantes de organizações brasileiras e venezuelanas, divulga carta em apoio ao processo de resistência e luta que vem sendo construído pela Revolução Bolivariana para enfrentar a nova face da ofensiva dos EUA, com ataques militares e ameaça a soberania do país.
“Conviver com o povo renovou nossa mística revolucionária, demonstrando que a construção do Socialismo é possível e caminho para a emancipação dos povos (…). Reafirmamos nosso compromisso de seguir construindo a solidariedade internacionalista, a integração latino-americana e a defesa da Revolução Bolivariana. Convocamos todos os povos do mundo a aprender com essa experiência, que devolveu a dignidade ao povo e sua capacidade de definir seus próprios rumos”, enfatiza o documento.

Confira carta na íntegra:
Venezuela não é ameaça, mas uma Esperança
No dejaremos que cierren
La linda puerta que siempre
Estuvo abierta a la vida.”
(Alí Primera)
Camaradas e irmãos,
Somos a Brigada de Solidariedade à Venezuela Hugo Chávez, formada por 80 militantes de organizações brasileiras e venezuelanas. Somos jovens, mulheres e homens internacionalistas. Viemos à Venezuela com o objetivo de trazer nosso abraço de solidariedade e reafirmar nosso compromisso na defesa da soberania da Revolução Bolivariana, do poder popular e da paz; somar na construção da Campanha Internacional pela Liberdade do Presidente Nicolás Maduro e da Primeira Combatente e Deputada Cilia Flores; e fortalecer as alianças com o povo, diante da histórica ofensiva imperialista.
A Venezuela, ao longo das últimas décadas, vem sofrendo uma série de medidas para desestabilizar o povo, por meio de conspirações, sanções unilaterais, bloqueios criminosos, financiamento para guarimbas, agressões e violência direta. Sendo o 3 de janeiro a expressão mais brutal dessa escalada imperialista, em que o país foi alvo do poderio militar e tecnológico do império estadunidense, vítima de uma super operação que sequestrou o Presidente Constitucional eleito e a Primeira Combatente e Deputada. Além disso, foram assassinadas mais de 100 pessoas, entre civis e militares, incluindo 32 cubanos da guarda de honra do presidente. O ataque não se dirige somente ao governo bolivariano, mas sim ao povo, que governa o país com sua determinação e coragem.
Esse sequestro é uma violação sem precedentes e injustificável ao Direito Internacional. Aponta ao mundo uma postura autoritária dos EUA para o próximo período, de extremo desprezo pela autodeterminação e soberania dos povos. O império não hesitará em aplicar sua força militar para reafirmar o controle sobre a região, demonstrando a importância de um projeto internacional de integração e solidariedade entre os povos do mundo para deter essa força.
As agressões são resultado de um tempo de crise estrutural do capitalismo, em meio a um cenário de grandes transformações geopolíticas. O império em decadência avança com mais violência sobre os povos do mundo, especialmente na América Latina, com planos de retomar o controle absoluto do continente. Nessa disputa, a Venezuela representa uma frente central de luta e resistência anti-imperialista, por possuir a maior reserva de petróleo do mundo, o bem comum mais cobiçado pelo império, e por construir, há quase três décadas, uma alternativa real e concreta ao capitalismo: o Socialismo do Século XXI, a Revolução Bolivariana. Um projeto radical de poder popular, emancipação e soberania dos povos — farol de esperança para o mundo.
Diante desse contexto, mais uma vez, o povo venezuelano mostra ao mundo que não aceitará ser colônia estadunidense. O chavismo segue vivo no coração do povo, que se ergue como escudo em defesa da pátria e não recua. A Revolução Bolivariana segue mobilizada e unida nas ruas e comunas, afirmando a legitimidade do governo e apoiando a Presidenta Encarregada Delcy Rodríguez.

Vivenciamos esse processo na Brigada de Solidariedade à Venezuela Hugo Chávez, durante dois meses, imersos nas catacumbas da Venezuela, como dizia Chávez, exercemos a solidariedade do povo com o povo. Convocados pelo Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), pela União Comunera (UC) e a ALBA Movimentos, estiveram presentes na Brigada a Marcha Mundial das Mulheres (MMM), a Central dos Trabalhadores do Brasil (CTB), o Movimento Brasileiro de Solidariedade com Cuba e às Causas Justas (MBSC), o Levante Popular da Juventude, o Centro Brasileiro de Solidariedade aos Povos pela Paz (CEBRAPAZ), o movimento Bloque de Comunas e o Partido Socialista Unido da Venezuela (PSUV). Essa participação dos movimentos populares do Brasil foi fundamental para fortalecer alianças e ecoar a verdade sobre a Venezuela, contrariando a narrativa que a mídia opositora impõe à sociedade.
Estivemos em 19 estados e no Distrito Capital, Caracas, imersos em processos de organização em 150 comunas. Nesse contato próximo com o povo, compreendemos como o bloqueio e as sanções prejudicam cotidianamente sua vida e limitam o desenvolvimento pleno do país. Ainda assim, a Venezuela segue de pé e é uma das economias que mais cresce na América Latina. Conhecemos um povo aguerrido e politizado, que sabe sua história e quem são seus inimigos. Aprendemos com a cultura, o trabalho coletivo em projetos produtivos, além da organização popular que está construindo caminhos para a autossustentação e a soberania nacional.
As comunas, como as concebeu o Comandante Hugo Chávez, são a célula fundamental da Revolução, o espaço onde se forja o Socialismo Bolivariano — territórios de construção de autogoverno e de exercício da Democracia Participativa e Protagônica. Vimos que o socialismo não é um decreto, o socialismo se constrói a partir da base, da organização coletiva que recria o tecido social, político e econômico da Revolução em defesa da vida.
O autogoverno é o povo exercendo o poder diretamente. As comunas se organizam em assembleias, discutindo debaixo de árvores, em praças públicas, salas e escolas, os problemas das comunidades e suas possíveis soluções, materializadas em agendas concretas de ação. Por meio das Consultas Populares, realizadas a cada três meses, são elaborados projetos em Assembleia de Cidadãs e Cidadãos e levados à votação para financiamento pelo governo revolucionário, sendo geridos e executados diretamente pelo Poder Popular. Constatamos o quanto é significativo para as famílias e as comunidades a mudança ser construída por suas próprias mãos. Levamos toda essa força e exemplo para nossos territórios e organizações.
Viemos demonstrar nosso apoio ao povo venezuelano, e fomos recebidos com alegria e carinho pelo povo irmão. Nos nutrimos com seu exemplo de internacionalismo com os povos do mundo, especialmente com Cuba! Sentimos a dor que carregam em serem impedidos, nesse contexto, de seguirem com os compromissos históricos de solidariedade material e energética à ilha. Voltamos mais fortalecidos e esperançosos após “viver na pele” o significado mais profundo de uma Revolução. Conviver com o povo renovou nossa mística revolucionária, demonstrando que a construção do Socialismo é possível e caminho para a emancipação dos povos. Aqui há um povo liderando uma causa: o direito de viver em paz e com justiça social.
Esta revolução, castigada e bloqueada; parida cotidianamente por jovens, mulheres e homens; herdeiros do legado de Bolívar e Chávez, mostra que não há outra alternativa que não seja lutar para vencer.
Portanto, reafirmamos nosso compromisso de seguir construindo a solidariedade internacionalista, a integração latino-americana e a defesa da Revolução Bolivariana. Convocamos todos os povos do mundo a aprender com essa experiência, que devolveu a dignidade ao povo e sua capacidade de definir seus próprios rumos.
Internacionalizemos a luta, internacionalizemos a esperança!
Caracas, 19 de Maio de 2026.
Brigada de Solidariedade à Venezuela Hugo Chávez



