Luta pela terra

Do Brasil à Gaeta: Documentário sobre luta dos Sem Terra é exibido em província na Itália

Produzido por grupo de italianos o documentário "Baturitè – O Movimento Sem Terra do Brasil" testemunha experiência vivida em assentamentos do MST, que reivindicam o direito à terra

La Casamatta, em Gaeta. Local de exibição do documentário. Imagem: Reprodução La Bussola

Por La Bussola | Itália

Após 20 anos do lançamento da produção do documentário “Baturitè – O Movimento Sem Terra do Brasil” de Giorgio Anastasio, Pierluigi Vecchio, Gemma Ciccone e Ivan Rossini, no último dia 20 de junho, a Casa del Popolo di Gaeta (LT), La Casamatta, organizou uma projeção especial com os autores para testemunhar a experiência vivida nos assentamentos brasileiros, organizados pelo movimento que reivindica o direito à terra por quem nela vive e trabalha: o MST.

A La Casamatta está localizada na comuna italiana de Gaeta. Um histórico vilarejo portuário, na região do Lácio, província de Latina, com vista para o mar Mediterrâneo, na Itália

O Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) conduz uma batalha pela Reforma Agrária no grande país sul-americano, ocupando terras ociosas dos latifundiários e restituindo-as a um uso social e produtivo, o que mudou a vida de centenas de milhares de famílias.

Cartaz de divulgação. Imagem: Reprodução La Bussola

Há mais de 42 anos, formam e organizam comunidades de base que assumem a responsabilidade de dirigir os necessários processos de transformação e emancipação da sociedade brasileira, tomando consciência da necessidade de um projeto sociopolítico que mude a correlação de forças na complexa e contraditória sociedade brasileira, na qual enormes riquezas estão nas mãos de poucas pessoas pertencentes a poderosas oligarquias, enquanto a grande maioria da população vive em condições de pobreza, fome e ignorância.

A ocasião foi propícia para discutir a atualidade e a universalidade da mensagem dos Sem Terra também com o contributo do ativista Aimone Spinola, pelo Centro de Informação Pesquisa e Cultura (C.I.R.C.) Internacional, conhecedor do continente latino-americano e convidado para contribuir na discussão e analisar a fase atual dos processos de luta a nível internacional.

Imagem: Reprodução La Bussola

O público, variado e intergeracional, contribuiu com intervenções e perguntas mostrando interesse por realidades aparentemente distantes mas com as quais há forte empatia e partilha de valores.

A mística, o método, a formação integral dos integrantes do MST ofereceram estímulo para refletir também sobre a realidade italiana, órfã de um projeto político, de um sujeito social e de uma referência cultural que responda às necessidades e aos valores da grande maioria das pessoas, dos trabalhadores, dos setores que pagam o preço de uma política cada vez mais distante dos interesses populares.

O exemplo brasileiro que recupera o patrimônio experiencial oferecido pela história, também europeia, é estimulante: ouvir um camponês das remotas zonas rurais brasileiras dominar as categorias gramscianas e aplicá-las ao quotidiano no exercício político ativo para a proteção de seus direitos abalou do entorpecimento quem deveria ser o herdeiro natural do grande político sardo (Antonio Gramsci).

Ao término do evento, além de um apelo “à agitação, formação e organização” e um chamado à unidade das forças progressistas, criou-se um momento de convivência com jantar brasileiro, regado à caipirinha – bebida tradicional brasileira.

Confira aqui:

*Editado por Solange Engelmann | Tradução: Milena Felipe Polini