Luta antirracista
O que a Escola Abolicionista vem cobrar?
Atividade na ENFF com a presença de mais de 50 organizações abolicionistas, marca momento importante na construção do antirracismo popular e ampliação de interlocução com movimentos sociais nacionais e internacionais

Por Coletivo Terra, Raça e Classe do MST
Da Página do MST
Eu vim cobrar
A honra da minha bisa
Eu vim cobrar o martírio
Da miscigenação forçadaViemos cobrar!
Os despejos da favela
Os despejos do acampamentos Sem Terra
Viemos cobrar!
O sangue derramado na favela!COBRANÇA (Araci Cachoeira)
Adaptação para o blue – Guê Oliveira
Ao aprofundar o enfrentamento ao racismo estrutural a partir da construção da Reforma Agrária Popular, o Coletivo Terra, Raça e Classe do MST participou da segunda edição da Escola Abolicionista, realizada na Escola Nacional Florestan Fernandes – ENFF/Brasil, entre os dias 27 a 31 de julho de 2026. Esta edição contou com a presença de dezesseis nacionalidades de mais de cinquenta organizações abolicionistas, cujo objetivo é promover intercâmbios de experiências, fortalecer lutas coletivas e aprofundar reflexões teóricas e práticas voltadas à transformação social.
A realização da Escola Abolicionista na ENFF foi muito simbólica e significativa, pois se trata de um espaço de formação e organização política, construído a partir da solidariedade internacional e pelas mãos de trabalhadores e trabalhadoras. Nesse sentido, receber a Escola Abolicionista na ENFF significa mais um momento importante para a construção do nosso antirracismo popular, além de ampliar as interlocuções com os movimentos sociais nacionais e internacionais que se articulam em torno do combate ao racismo e da afirmação do abolicionismo.
Nos cinco dias de trabalho, as atividades se organizaram em torno de temas profundamente interligados, como a terra, território, policiamento, prisões, militarismo, fronteiras, organização de base e pedagogias anti punitivistas;
A Escola Abolicionista é concebida com um caráter itinerante, com a proposta de que seja realizada em diferentes regiões do mundo, visto que os problemas refletidos por ela são vividos em todas as partes onde o capital alcança. Nesse sentido, a perspectiva é de promover e compartilhar conhecimentos, práticas e experiências produzidas em distintos contextos territoriais.
A presença de dezesseis nacionalidades e as mais de cinquenta organizações abolicionistas, nesse contexto, sinalizaram sobre a importância da unidade estratégica e internacional para o enfrentamento do racismo e de suas consequências operadas pelo Estado.
O estudo conjunto de processos de resistência apontou a possibilidade de articulação concreta de lutas comuns, oferecendo possibilidades para transformar as dores, privações, violências, a indignação e a solidariedade em luta. E nos ajuda a reafirmar a síntese coletiva segundo a qual a luta pela terra é uma luta abolicionista. E a Reforma Agrária Popular como uma necessidade histórica a ser realizada, pois enquanto houver um de nós privados de liberdade, ninguém estará liberto, enquanto um de nós passar fome ninguém estará alimentado.
Durante a vivência da nossa mística, trouxemos nossas cobranças para o centro do debate. As nossas demandas ecoaram por todo o espaço: os despejos das favelas e dos acampamentos Sem Terra, o sangue derramado, a concentração da terra e a crise ambiental. Reivindicamos pedagogias anti-punitivistas e reafirmamos nossa luta contra as muitas formas de existência do capitalismo que queremos abolir: o encarceramento em massa, a militarização, o patriarcado, a LGBTfobia, o racismo e o próprio sistema capitalista.
Em nossa síntese coletiva, temos apontado que a luta pela terra é uma luta abolicionista! E, nesses dias, entendemos que a luta pela terra significa lutarmos contra o domínio colonial, em defesa dos bens comuns, contra a exploração, pelo direito à vida e rumo à emancipação.
Seguimos firmes e vivos como baobás, nossas raízes profundas e nossa resistência inabalável.
Lutar, Construir Reforma Agrária Popular!
Contra o capital! Abolicionismo Internacional
*Editado por Solange Engelmann



