Sem Terrinha

Sem Terrinha em ação: infância, memória e luta se encontram no Vale do Rio Doce

Crianças do Vale do Rio Doce debateram a Reforma Agrária Popular, escreveram carta ao povo cubano e plantaram mudas nativas em MG

Foto: Iris Pacheco

Por Comunicação Sem Terrinha
Da Página do MST

Nos dias 8 e 9 de outubro, crianças Sem Terrinha de diferentes áreas do Vale do Rio Doce se reuniram no Centro de Formação Francisca Veras (CFFV), no assentamento Oziel Alves Pereira, em Governador Valadares (MG), para o 8º Encontro Regional das Crianças Sem Terrinha. Com o lema “Sem Terrinha em Ação: da semente de Eldorado, Sem Terrinha faz história”, o encontro promoveu dois dias de formação, brincadeiras, cultura, mística e construção coletiva.

Mais do que um espaço de convivência, o encontro reafirmou a importância da formação política e da valorização da infância Sem Terra. Por meio de atividades lúdicas e educativas, as crianças fortaleceram sua identidade, conheceram a história do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) e refletiram sobre a luta pela terra, a Reforma Agrária Popular e a transformação social.

“Esse encontro representa para nós um momento não só de celebração, mas também onde a gente conversa com as nossas crianças sobre a nossa luta e como a gente deve seguir na caminhada”, afirmou Taynara Guedes, do Setor de Educação na região.

A programação contou com oficinas de Agroecologia, Música, Pintura em Tecido com giz de cera e Brinquedos e Brincadeiras. As atividades estimularam a criatividade, a coordenação motora, a paciência e o trabalho em equipe, além de fortalecerem a convivência e a cooperação entre as crianças.

Oficina de desenho. Foto: Comunicação Sem Terrinha

Na oficina de Pintura em Tecido com giz de cera, as oficineiras Tininha, Sabrina e Martinha destacaram a importância da atividade para o desenvolvimento infantil. “Trabalhar a paciência, desenvolver habilidades e incentivar o trabalho em equipe”, explicou Tininha. Sabrina ressaltou o estímulo à criatividade, à atenção e à coordenação motora, enquanto Martinha destacou a harmonia e a convivência entre as pessoas.

Na oficina de Agroecologia, as crianças construíram uma mandala de sementes, aproximando-se da diversidade e da riqueza da natureza. Já nas atividades de Brinquedos e Brincadeiras, exploraram os bosques do Centro de Formação e utilizaram elementos naturais para criar espaços de imaginação, experimentação e aprendizagem. A música também marcou presença com o Bloco Pisa Ligeirinho, reunindo ritmo, cultura e alegria.

Solidariedade internacionalista desde a infância

Foto: Iris Pacheco

O encontro também foi espaço para fortalecer a solidariedade internacionalista com Cuba. As crianças Sem Terrinha conheceram aspectos da história e da cultura cubanas, refletiram sobre a resistência do povo do país e escreveram uma carta coletiva destinada às crianças cubanas, compartilhando experiências e desafios vividos em seus territórios no Brasil.

Na carta, as crianças relacionaram a realidade das comunidades onde vivem à luta do povo cubano. “Em nossos territórios, também passamos por situações complicadas, alguns de nós vemos trens passando durante todo o dia, cheios de minérios, arrancados das nossas terras, enriquecendo outras pessoas e destruindo a nossa natureza, mas nós seguimos lutando, assim como vocês, somos parecidas”, escreveram.

A mensagem termina com esperança e reafirma o compromisso com a solidariedade entre os povos: “Esperamos que vocês em breve sejam livres dos bloqueios que tentam privar da esperança. Nos despedimos na certeza de que a principal trincheira de nossa união é a luta permanente e a solidariedade.”

A atividade reafirmou, desde a infância, valores como solidariedade, cooperação e internacionalismo, aproximando crianças de diferentes realidades e fortalecendo a compreensão de que a luta por direitos, dignidade e justiça social ultrapassa fronteiras.

Sem Terrinha cultivam o cuidado com a natureza

Foto: Mariana Botelho

O compromisso com a terra também esteve presente no plantio de árvores nativas da Mata Atlântica no bosque do Centro de Formação. A atividade aproximou as crianças da natureza e reforçou a importância da preservação ambiental e da recuperação da biodiversidade.

Desde 2019, o MST desenvolve o Programa Popular de Agroecologia da Bacia do Rio Doce, que promove ações de educação ambiental e agroecologia nos territórios. Entre as iniciativas realizadas, está o plantio de 500 mil mudas, contribuindo para a recuperação ambiental e o fortalecimento de práticas agroecológicas.

Memória e luta para construir o futuro

Foto: Iris Pacheco

O lema do encontro conecta a formação das novas gerações à memória do Massacre de Eldorado dos Carajás, ocorrido em 17 de abril de 1996, quando 21 trabalhadores rurais Sem Terra foram assassinados durante uma ação policial no Pará. Ao recuperar essa história, o encontro contribui para manter viva a memória da luta pela terra e fortalecer o compromisso das crianças com a justiça social.

Entre sementes, brincadeiras, música e aprendizado coletivo, o 8º Encontro Regional das Crianças Sem Terrinha reafirmou que a infância também é tempo de construir identidade, cultivar solidariedade e semear novos caminhos. Com alegria e organização coletiva, os Sem Terrinha seguem fazendo história e fortalecendo a luta por um futuro com dignidade, direitos e Reforma Agrária Popular.

Foto: Iris Pacheco

*Editado por Fernanda Alcântara