Agroecologia

Curso Biopoder Camponês fortalece agroecologia e autonomia das famílias em assentamento de Minas Gerais

Formação realizada de 28 a 30 de outubro, no Assentamento Popular Maria da Conceição, em Itatiaiuçu (MG), articulou saúde do solo, saberes tradicionais, práticas agroecológicas e organização coletiva nos territórios da Reforma Agrária Popular

Foto: Junio Silva

Por Alí Nacif
Da Página do MST

Entre os dias 28 e 30 de outubro, o Assentamento Popular Maria da Conceição, em Itatiaiuçu (MG), recebeu o curso Biopoder Camponês: Saúde no Solo. Conduzida pelo educador popular e engenheiro agrônomo Oliver H. Naves Blanco, a formação articulou conhecimentos técnicos, práticas de manejo agroecológico e saberes camponeses, com foco na saúde do solo, na produção de alimentos saudáveis e no fortalecimento da autonomia das famílias nos territórios da Reforma Agrária Popular.

A programação foi organizada em cinco módulos: Solo, Sementes, Saúde, Organização Social e Fenologia. Entre os conteúdos trabalhados estiveram a biorremineralização do solo, a adubação verde, a compostagem, os adubos fermentados, a microbiolização de sementes e mudas, os biofertilizantes, a cromatografia do solo e a construção de calendários fenológicos agroecológicos.

Foto: Junio Silva
Foto: Eduarda Diana

A formação também abordou o patrimônio camponês, indígena e quilombola, a ajuda mútua, a formação de bombeiros agroecológicos e a organização de biofábricas camponesas. Os temas relacionam o manejo dos sistemas agrícolas à produção coletiva de conhecimentos e à construção de alternativas ao modelo convencional de agricultura.

Saúde do solo e produção de alimentos

O primeiro dia de atividades, realizado em 28 de outubro, foi dedicado ao Módulo I, sobre o solo. A formação começou com uma abordagem sobre a evolução da vida, desde a origem do universo e a formação da galáxia e do Sistema Solar até os processos geológicos e biológicos que constituíram o planeta. A introdução também contemplou as influências da Lua e dos planetas, com destaque para a relação entre os ciclos lunares e a agricultura.

Foto: Eduarda Diana

A partir dessa contextualização, Oliver conduziu discussões sobre a importância dos minerais para o desenvolvimento das plantas e a produção de alimentos, relacionando sua presença no ambiente à matéria orgânica e à atuação dos microrganismos. A proposta foi compreender o solo como um sistema vivo, no qual diferentes componentes se relacionam e participam dos processos que sustentam a produção agrícola.

Entre os assuntos abordados estiveram o uso de pós de rocha, a biorremineralização do solo, a sucessão ecológica, a humificação e a formação do húmus. Os participantes também conheceram procedimentos para observar características das rochas e discutir sua possível utilização na agricultura, com experimentações que envolveram limão e ímã.

Foto: Eduarda Diana

A programação incluiu ainda a coleta de amostras de solo para as atividades seguintes. Segundo Oliver, os participantes levaram 13 amostras e outras foram coletadas no próprio assentamento. O material foi utilizado nas análises voltadas à compreensão da saúde do solo, incluindo a cromatografia, técnica trabalhada durante a formação para observar padrões relacionados às características do material analisado.

Foto: Eduarda Diana

A relação entre os componentes do solo e o desenvolvimento das plantas também foi explorada por meio de atividades práticas. Oliver destacou a importância de compreender a presença dos minerais, da matéria orgânica e dos microrganismos como parte de um sistema integrado, que influencia a saúde das plantas e a produção de alimentos.

Uma das experiências foi a peletização de sementes de milho com pó de rocha. A técnica consiste em revestir as sementes com material mineral, utilizando uma mistura aderente para fixá-lo. Depois da preparação, os participantes realizaram o plantio em pequenos recipientes, comparando sementes tratadas e não tratadas para acompanhar as diferenças no processo de germinação.

Fizemos um trabalho para fortalecer a semente, que chama a peletização da semente com pó de rocha”, explica Oliver.

Foto: Ana Alice

Outra prática foi a preparação da chamada água de vidro, produzida a partir da mistura de cinza, cal e água. O preparado foi apresentado como uma alternativa utilizada na proteção das plantas, relacionando o uso de materiais minerais às possibilidades de manejo agroecológico.

A turma também discutiu a simbiose na natureza e as relações entre os organismos. Depois de uma abordagem teórica sobre as micorrizas, os participantes foram à horta do assentamento, onde coletaram amostras em uma área com diversidade de plantas. A atividade aproximou o debate sobre as associações entre organismos da observação direta do ambiente.

As atividades dos dias seguintes aprofundaram a investigação sobre a saúde do solo. No segundo dia, os participantes deram continuidade ao processo de cromatografia, desde a preparação das amostras até a revelação dos papéis utilizados na análise. A proposta foi construir uma leitura sobre as condições biológicas do solo e relacionar os resultados às possibilidades de manejo de cada área.

Saberes tradicionais e práticas de manejo agroecológico

As práticas foram acompanhadas por discussões sobre os sistemas de produção agrícola e a valorização de referências da agricultura indígena e quilombola. Em paralelo, Oliver propôs uma reflexão crítica sobre a Revolução Verde, a monocultura e o modelo de agricultura industrial, destacando a busca por outras formas de produzir e construir conhecimento a partir dos territórios.

Foto: Eduarda Diana

Ao abordar a história da agricultura, o educador chamou atenção para a contribuição dos povos indígenas, quilombolas e das comunidades camponesas na construção de práticas de cultivo adaptadas aos diferentes biomas brasileiros. Segundo ele, muitos conhecimentos transmitidos entre gerações foram historicamente desvalorizados e classificados como práticas de subsistência, enquanto a agricultura industrial e os pacotes tecnológicos da Revolução Verde ganharam espaço.

Oliver também questionou a incorporação de uma linguagem que, segundo ele, reproduz a lógica da agricultura industrial. Como exemplo, citou a expressão “planta daninha”, que associa determinadas plantas à ideia de algo que precisa ser eliminado. Na perspectiva apresentada pelo educador, a presença de diferentes plantas pode contribuir para a vida e a diversidade do solo.

Essa reflexão se estende ao uso das palavras no cotidiano da agricultura. Oliver propõe substituir a ideia de que o agricultor precisa adquirir necessariamente “bioinsumos” pela valorização dos recursos naturais disponíveis nos territórios e das práticas que as próprias famílias podem desenvolver.

O agricultor, ele não tem bioinsumos, ele tem recursos naturais”, afirma.

Para o educador, a expressão “biopreparados artesanais” ajuda a reconhecer a capacidade dos agricultores de produzir soluções a partir de conhecimentos e recursos que fazem parte de sua realidade.

O educador também destacou que práticas tradicionais de fermentação podem dialogar com conhecimentos da biotecnologia, ampliando as possibilidades de produção de preparados utilizados na agricultura. Como exemplo, mencionou processos de fermentação presentes em práticas alimentares tradicionais de povos indígenas, que podem servir de referência para o desenvolvimento de biofertilizantes.

Foto: Eduarda Diana

Para Oliver, recuperar esse patrimônio não significa apenas reproduzir técnicas antigas, mas reconhecer sua importância e atualizá-las a partir dos conhecimentos científicos e das necessidades dos territórios. Ele também defende que os agricultores tenham acesso à compreensão das tecnologias utilizadas pelo agronegócio, de modo que possam desenvolver alternativas e ampliar sua autonomia.

A gente precisa hoje proteger esse conhecimento dos camponeses, trazendo elementos da cultura indígena, elementos afrodescendentes, elementos da agricultura camponesa. A gente precisa proteger essas práticas, inserindo elementos da nossa cultura, porque isso protege o saber”, afirma.

Essa relação entre os conhecimentos técnicos e os saberes tradicionais também foi destacada por Eduarda Diana, geógrafa e técnica em agroecologia da equipe Coopertrac. Para ela, a formação permitiu reconhecer a importância das experiências transmitidas entre gerações e aproximá-las dos conhecimentos científicos sobre a dinâmica dos solos.

Quando a gente conversa, bota para dialogar o conhecimento científico com o conhecimento popular, é uma troca muito enriquecedora. A gente não substitui um conhecimento pelo outro, mas consegue unir, fazendo um processo de formação em que a gente se complementa”, afirma.

Foto: Ana Alice

Eduarda destaca que práticas como o uso da cinza, do pó de rocha e a compostagem fazem parte de um patrimônio de conhecimentos construído historicamente pelas famílias camponesas e pelos povos tradicionais. Ao serem relacionadas aos estudos sobre fertilidade, matéria orgânica, biodiversidade e dinâmica dos nutrientes, essas experiências ampliam as possibilidades de manejo e fortalecem a capacidade das famílias de observar, experimentar e adaptar práticas à realidade de seus territórios.

Solo como território vivo: agroecologia e permanência na terra

Para além das técnicas de manejo, a formação propôs uma reflexão sobre a relação entre sociedade e natureza e sobre a importância da saúde do solo para a continuidade da produção camponesa. Nos territórios da Reforma Agrária, essa discussão ganha dimensão estratégica, considerando as condições de degradação de áreas historicamente submetidas ao modelo de produção do agronegócio.

Na avaliação de Eduarda, o curso possibilitou compreender o solo para além de sua dimensão física, reconhecendo-o como parte de um sistema que sustenta diferentes formas de vida.

O curso Biopoder Camponês propiciou ensinar a olhar para o solo não só como o simples chão que a gente pisa todo dia, mas como um território vivo, um organismo. A terra guarda memória, guarda trabalho, guarda água, guarda semente e guarda mais um bocado de coisa, que é o nosso futuro”, destaca.

Foto: Ana Alice

A técnica relaciona essa compreensão à interdependência entre a saúde da terra, das plantas, dos microrganismos e das pessoas. “Quando a gente está cuidando da terra, também está cuidando da gente, de quem planta e de quem se alimenta dessa terra”, afirma.

A reflexão se conecta diretamente aos desafios da Reforma Agrária Popular. Segundo Eduarda, muitas das áreas destinadas à reforma agrária foram submetidas a processos de exploração e desgaste ambiental, o que torna a recuperação dos solos parte fundamental da construção de sistemas produtivos sustentáveis e da permanência das famílias nos territórios.

Foto: Eduarda Diana

Essa compreensão também esteve presente nas atividades do terceiro dia, quando os participantes acompanharam os resultados da cromatografia e discutiram as condições das áreas analisadas. Segundo Oliver, a interpretação das amostras indicou solos que estavam em repouso, em áreas anteriormente ocupadas por pastagens. O educador relatou que, na leitura apresentada durante o curso, as amostras não apontaram resíduos de agrotóxicos.

Para Oliver, o diagnóstico é um ponto de partida para orientar o manejo, mas precisa estar associado à observação do agricultor e ao acompanhamento técnico. Ele explica que a cromatografia oferece parte das informações necessárias, enquanto o restante depende da experiência de quem trabalha na terra e da construção conjunta de soluções para recuperar áreas degradadas.

A cromatografia dá uma resposta para o agricultor. Mais ou menos 50%, 60% da resposta de manejo está na cromatografia; os outros 50% estão na habilidade do agricultor e no aprofundamento do estudo do técnico junto ao agricultor”, explica.

O educador também destacou a importância de compreender o solo como um organismo vivo, com processos próprios de respiração, digestão e transformação da matéria. Essa perspectiva amplia o olhar sobre o manejo agrícola e reforça a necessidade de considerar as relações entre os microrganismos, a matéria orgânica, a água e as condições ambientais.

Foto: Eduarda Diana

Nesse sentido, a transição agroecológica representa também uma mudança na forma de produzir e de tomar decisões. Ao ampliar o conhecimento sobre os processos naturais e as alternativas de manejo, as famílias podem reduzir a dependência dos insumos comerciais e dos pacotes tecnológicos associados à agricultura convencional.

Eduarda também chama atenção para a necessidade de reconhecer os camponeses como sujeitos produtores de conhecimento e protagonistas da construção de sistemas alimentares mais sustentáveis.

Fortalecer esses conhecimentos é reconhecer os camponeses como sujeitos que estão produzindo conhecimento, que estão ali num papel central nessa construção de sistemas alimentares mais sustentáveis, que têm raízes nos territórios”, ressalta.

Cooperação, organização coletiva e relação campo-cidade

A organização social também integra a proposta do Biopoder Camponês. A programação contemplou temas como patrimônio e serviços, ajuda mútua, formação de bombeiros agroecológicos e planejamento e organização de biofábricas camponesas.

Foto: Ana Alice

Esses conteúdos se articulam à proposta de compartilhar conhecimentos, fortalecer a capacidade de organização das famílias e ampliar as possibilidades de desenvolver práticas de produção adequadas às condições de cada território. A troca de experiências entre os participantes integra a metodologia da formação, relacionando os conteúdos apresentados às vivências e aos desafios da agricultura camponesa.

No terceiro dia, uma das atividades práticas foi a preparação de um composto orgânico fermentado. O material foi manipulado diariamente, com movimentação e oxigenação para estimular os processos biológicos. Os participantes puderam observar as características do preparado e acompanhar os resultados do trabalho iniciado no dia anterior.

A atividade foi relacionada ao ciclo da matéria orgânica e à importância do reaproveitamento de materiais para a saúde do solo. Durante a formação, Oliver destacou que a matéria orgânica contribui para a retenção de água, a ciclagem de nutrientes, a redução da erosão e a manutenção da vida no solo.

Foto: Eduarda Diana

A partir dessa discussão, o educador apresentou a possibilidade de construir parcerias entre campo e cidade para o aproveitamento de resíduos orgânicos urbanos. Restos de alimentos, borra de café, ervas utilizadas em bebidas, cascas de ovos e resíduos de poda podem ser destinados à produção de compostos, em articulação com iniciativas das famílias assentadas e com o apoio do poder público.

Para Oliver, essa relação pode fortalecer o reconhecimento da Reforma Agrária pela população dos municípios, ao demonstrar sua contribuição para a produção de alimentos saudáveis, a recuperação ambiental e o enfrentamento das mudanças climáticas. O reaproveitamento da matéria orgânica também pode aproximar as famílias camponesas de escolas, praças e outros espaços públicos, ampliando os benefícios da produção agroecológica para toda a comunidade.

A gente começa a criar essa parceria campo-cidade, para que a Reforma Agrária se estabeleça no município e tenha, de fato, essa inclusão, esse reconhecimento pela população, que vai se beneficiar com a Reforma Agrária que está acontecendo no município”, explica.

O educador também relacionou o manejo da matéria orgânica à capacidade de armazenar carbono no solo e contribuir para o enfrentamento das mudanças climáticas. Nessa perspectiva, a organização das famílias e a construção de sistemas produtivos agroecológicos também representam uma forma de planejar o futuro dos territórios.

Para Eduarda, o trabalho da equipe técnica deve partir da escuta e do reconhecimento dos conhecimentos que as famílias já carregam. A atuação profissional, nessa perspectiva, não se limita à transmissão de orientações, mas se constrói no acompanhamento dos processos e na busca coletiva por soluções.

Enquanto equipe da Coopertrac, nosso papel é caminhar junto, escutar quem está na terra, escutar o que as famílias já sabem, somar a carga que a gente traz enquanto técnico e ajudar a fazer desse saber inteiro uma força motriz coletiva”, explica.

A técnica destaca que essa relação transforma o próprio sentido do trabalho técnico, aproximando-o da cooperação e da construção da autonomia produtiva e organizativa dos assentamentos. Para ela, incorporar as práticas do Biopoder Camponês ao cotidiano das famílias significa fortalecer a produção de alimentos saudáveis, a organização coletiva e o cuidado com a natureza.

Foto: Junio Silva

Oliver também relacionou a organização coletiva à transformação dos espaços em territórios camponeses. Segundo ele, quando as famílias organizadas pelo MST conquistam a terra, inicia-se um processo de transformação social, ambiental e econômica, que envolve a recuperação das condições naturais e a construção de novas relações com a sociedade.

A gente tem um espaço de natureza que, no momento, foi ocupado por uma agricultura industrial que deu uma destruída na natureza, na qualidade do solo, na qualidade da água. Quando eles entram para a terra, esse espaço passa a ser um território, um território camponês, onde a organização dessa família vai transformá-lo socialmente, ambientalmente e economicamente”, afirma.

A formação também prevê continuidade após o encerramento das atividades presenciais. Oliver explicou que foi criado um grupo de WhatsApp para manter o contato com os participantes durante um ano, acompanhar as práticas desenvolvidas pelas famílias e compartilhar materiais de estudo, vídeos e cartilhas. A proposta inclui ainda a possibilidade de reuniões on-line e orientações individuais, conforme as necessidades identificadas pelos agricultores.

Para o educador, esse acompanhamento permite aprofundar os conteúdos trabalhados e apoiar a aplicação dos conhecimentos no cotidiano dos assentamentos. A formação, assim, não se encerra com os três dias de atividades, mas busca dar continuidade ao processo de experimentação, troca e construção coletiva.

Foto: Eduarda Diana

Ao refletir sobre o processo de formação, Eduarda sintetiza a importância da valorização dos conhecimentos construídos nos territórios: “Para mim, o conhecimento bom é esse conhecimento que cria raiz”.

Oliver também destacou a importância de aproximar os conteúdos científicos da linguagem e das experiências dos participantes. Para ele, a formação precisa criar condições para que os agricultores reconheçam nas práticas apresentadas conhecimentos que dialogam com suas próprias histórias, suas famílias e os aprendizados transmitidos entre gerações.

Ao final do curso, os participantes realizaram uma avaliação coletiva sobre os conteúdos e a metodologia. Segundo Oliver, as manifestações trouxeram lembranças de práticas realizadas por pais e avós, reforçando a importância de relacionar os conhecimentos científicos à memória e à experiência camponesa.

A minha função como educador é fazer essa práxis, que é diferente da prática. A práxis, então, vai trazer essa transformação social”, afirma.

Ao relacionar conhecimentos científicos, práticas agroecológicas e saberes transmitidos entre gerações, o curso Biopoder Camponês reafirmou a importância de reconhecer os territórios da Reforma Agrária como espaços de produção de conhecimento, experimentação e transformação social.

Como destaca Eduarda Diana, a compreensão da vida passa pelo reconhecimento de que a natureza também integra o coletivo: “A vida é essa troca, é esse movimento, da gente se reconhecer enquanto sujeito. É a gente se reconhecer no coletivo e respeitar, e entender que o coletivo não é só a gente, que é ser humano. A natureza também é coletivo nosso”.

Assim, ao colocar em diálogo diferentes experiências e conhecimentos, a formação fortalece a agroecologia como caminho para a autonomia camponesa, a produção de alimentos saudáveis e a construção da Reforma Agrária Popular.

**Editado por Mariana Luccisano