Soberania Nacional

A luta por Soberania é a capacidade do povo organizado seguir defendendo os seus interesses

Conferência durante 3ª Feira da Reforma Agrária Neusa Paviato reúne referências da luta por Reforma Agrária e defesa do Meio Ambiente

Foto: Guilherme Galembeck

Por Aline Antunes
Da Página do MST

O ano de 2026 tem se demonstrado decisivo não só para o Brasil, mas também para o mundo. A simbologia da resistência brasileira contra o avanço da extrema-direita, encabeçada pelo nosso presidente reeleito Luiz Inácio Lula da Silva ganhou projeção internacional. As mãos em L carregam agora a missão mundial de lutar contra o fascismo.

Dentro do cenário brasileiro em que a família Bolsonaro ocupa o papel de entreguismo e subordinação aos Estados Unidos, a defesa da Soberania Nacional passa a ganhar destaque nas lutas populares, e fortalece a construção de unidade tanto dentro da esquerda, mas também entre setores da sociedade não organizados, mas que, a partir da ameaça de avanço dessa extrema direita retrógrada, servil e traidora, passa a se somar nas fileiras de luta contra o imperialismo e seus vassalos. 

No Brasil, uma das faces mais agressivas e nocivas do capitalismo é representada pelo agronegócio com atuação, inclusive, na tentativa de golpe contra a democracia em 08 de janeiro de 2023. Dossiê realizado pelo De Olho nos Ruralista, intitulado “Agrogolpistas”, identifica e apresenta lista com 142 empresários do agronegócio envolvidos em bloqueio de rodovias, acampamentos e o 8 de janeiro.

“O agronegócio é a forma mais nociva do capitalismo no Brasil. É também o maior responsável pela emissão de gases de efeito estufa, seja pela pecuária, seja pelo desmatamento.” É o que afirma o professor e pesquisador da Unicamp Luiz Marques, durante Conferência realizada na 3ª Feira da Reforma Agrária Neusa Paviato, realizada em Campinas. Para o professor, que é também membro do conselho do Plano Nacional “Plantar Árvores, Produzir Alimentos Saudáveis” do MST, o capitalismo reduz a natureza ao estatuto de mercadoria, considerando tudo simplesmente matéria prima e fonte de lucro.

Foto: Guilherme Galembeck

E para enfrentar a vulgaridade do capital, a defesa da soberania nacional é, portanto, tarefa prioritária. Porém, “a soberania não é um sentimento nem subjetividade” como afirma Renata Menezes, da Direção Nacional do MST, mas “a capacidade do povo organizado conseguir continuar defendendo os seus interesses”.

Portanto, a luta por soberania não pode virar uma pauta esvaziada e sem propósito, mas precisa ser baseada no enfrentamento das desigualdades estruturais que afetam nosso país. E entre elas está a concentração fundiária, que causa assassinato de povos indígenas, camponeses e ribeirinhas.

Quando falamos de soberania “precisamos falar também de soberania alimentar, e da possibilidade de indígenas sobreviverem.” É o que destaca o escritor e militante indígena Naldo Tukano. Para ele, a entrada de mineradoras, religiões e do agronegócio ameaçam a sobrevivência dos povos indígenas do Brasil.

Essa ideia é reforçada por Nilto Tatto, deputado federal reeleito por São Paulo, e que também esteve presente na Conferência Defender a Soberania, Lutar pela Reforma Agrária e Cuidar da Natureza, junto aos demais citados acima. Segundo o deputado “não há possibilidade de pensar em soberania sem pensar em soberania alimentar, e não há como pensar em soberania alimentar sem pensar em reforma agrária.”

É neste projeto de enfrentamento à concentração fundiária que está a disputa das águas e terras raras. Quando falamos de concentração fundiária falamos desse modelo que é o agronegócio, “responsável por ser o principal emissor de gases estufa, altos índices de uso de agrotóxicos que contaminam solo, nascentes e alimentos”, afirma Renata. 

Para o MST, a Reforma Agrária Popular é a construção de um projeto rumo à emancipação humana, que articula a periferia e o campo brasileira rumo à destruição do capitalismo.  A Feira da Reforma Agrária Neusa Paviato é um ensaio desse projeto de sociedade. Um ensaio de decisão política tomada pelos povos!

*Editado por Guilherme Guilherme