Frei Betto chama de bandidos fazendeiros que usam armas
O assessor especial do Palácio do Planalto para o Programa Fome Zero, Frei Betto, disse nesta sexta-feira que os integrantes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) são vítimas da pobreza e chamou de bandidos os fazendeiros que vêm enfrentando as invasões de terras com armas.
– Ninguém me pergunta como eu estou vendo esses ruralistas mostrando armas AR-15 e homens encapuzados. Ninguém me pergunta isso. Só falam do MST. Como se esses bandidos financiados pelo latifúndio fossem uma coisa natural. Na verdade, o MST é vítima, ninguém escolhe ser sem-terra. Todo pobre é um empobrecido, foi levado a isso contra a sua vontade. Por isso é que a Mega-Sena é tão concorrida ou que os padres que prometem milagre da prosperidade têm grande público – disse Frei Betto, durante seminário em Belo Horizonte.
Segundo o assessor especial do Palácio, o MST faz parte da história do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e foi um dos grandes responsáveis pela vitória do PT nas eleições.
– O MST é parte da história que levou à vitória do presidente Lula. O PT e todas as forças políticas e sociais que convergiram para essa vitória sempre tiveram uma nítida opção pelos pobres. E o fluxo de diálogo entre o MST e o governo sempre foi excelente porque os dois estão interessados na mesma questão, que é o desafio histórico realizar nesse país a reforma agrária – disse Frei Betto.
Sobre o fato de o presidente ter recebido os integrantes do MST no Palácio do Planalto e colocado o boné do movimento durante o encontro, Frei Betto disse:
– O presidente usa as camisas do Corinthians, do Santos, usa o boné da Contag e ninguém protesta. Agora, com o boné do MST reclamam. O MST faz parte do governo e é um movimento social importante. É uma gentileza, quando se recebe um presente, abrir na frente do presenteador. Ele recebeu o boné e pôs o boné na cabeça. Eu não vejo nenhum problema. Até porque eu sei que o presidente tem uma cabeça afinada com as aspirações sociais do MST.



