Quintais Produtivos
Mulheres Sem Terra fortalecem organização produtiva do MST na região Centro-Oeste
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Por Catarina Lima e Vytoria Pachione
Da Página do MST
Nesta terça-feira (25), três mulheres Sem Terra, assentadas no assentamento Zé da Paes, município de Várzea Grande, no Mato Grosso, estão recebendo kits com mudas de árvores, adubos orgânicos, mangueiras para irrigação, caixa d’água, entre outros insumos; para a continuidade em processos produtivos de produção agroecológica nos quintais produtivos, em assentamentos de Reforma Agrária do MST.
A conquista somente foi possível através das lutas do MST e de outras organizações populares no último período, e por meio do um projeto da União das Cooperativas da Agricultura Familiar Economia Solidária de Mato Grosso (UNICAFES MT), com a execução de 14 quintais produtivos, no Estado do Mato Grosso, cultivado por mulheres agricultoras familiares, indígenas e assentadas da Reforma Agrária.
Parte das mulheres envolvidas na ação já possuem sistemas produtivos com processo de comercialização em vigência. Assim, se busca qualificar, ampliar e aprimorar os sistemas agroecológicos já implantados. Porém, como uma parte das camponesas ainda não possuem experiência com comercialização, o também irá auxiliar nessa nova frente, informando as possibilidades, bem como, proporcionando diálogos com as mulheres que já possuem essa experiência.
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O projeto da UNICAFES é resultado das lutas das mulheres na Marcha das Margaridas de 2023, que contou com a participação de mulheres Sem Terra, indígenas, quilombolas, ribeirinhas e trabalhadoras rurais. A partir das reivindicações das mulheres na marcha o Governo Federal, através do Ministério de Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar (MDA), lançou no ano de 2023 o Chamamento Público 01/2023, com objetivo de apoiar quintais produtivos voltados para mulheres, trabalhadoras rurais e urbanas de todo o país.
O projeto conta com acompanhamento processual, que será realizado através de agentes em agroecologia, auxiliar administrativa e capacitações nos territórios, como oficinas, que irão debater temas sobre gênero, gestão de quintais produtivos, empoderamento das mulheres, cooperativismo solidário, políticas públicas, geração de renda, economia solidária, produção agroecológica, organização produtiva, soberania alimentar, estruturação e fortalecimento de quintais produtivos; além da participação da juventude, comercialização de alimentos saudáveis. Também estão previstos seminários, dias de campo e intercâmbios para troca de experiências e saberes.
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Para além do fomento de incremento aos quintais produtivos, o projeto prevê a aplicação da metodologia e ferramenta das cadernetas agroecológicas e sistematização dos dados de acompanhamento por um ano. A iniciativa é essencial para reconhecer a importância dos quintais produtivos como espaços de valorização da economia e do trabalho da mulher, a diversidade ecológica, os saberes ancestrais e a produção agroecológica, que promove a segurança alimentar e a autonomia das mulheres. Busca-se ainda fortalecer as práticas de resistência às mudanças climáticas e à dependência de agrotóxicos, bem como destacar o papel central das mulheres na gestão dos quintais, no processamento de alimentos, no uso de plantas medicinais e na contribuição para a saúde integral das comunidades.
Embora, devido ao patriarcado e o machismo presente na sociedade, as camponesas ainda sofrem com a invisibilidade do seu trabalho nas áreas de Reforma Agrária e no campo, elas seguem avançando na produção dos quintas produtivos e tendo papel central como produtoras de alimentos saudáveis nos territórios.
*Editado por Solange Engelmann