Mulheres em Luta!

Camponesas protestam contra impactos de megaprojetos e por Reforma Agrária em rodovias do RN

Mobilizações ocorreram na BR-101, em Touros, e na BR-405, na Chapada do Apodi, durante a Jornada Nacional de Luta das Mulheres Sem Terra

Foto: Comunicação no RN 

Por Comunicação no RN 
Da Página do MST

Na manhã desta segunda-feira (9), cerca de 900 mulheres do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) realizaram protestos em dois pontos de rodovias no Rio Grande do Norte como parte da Jornada Nacional de Luta das Mulheres Sem Terra, que acontece em todo o país entre os dias 8 e 12 de março.

As manifestações ocorreram na BR-101, no município de Touros, no litoral norte do estado, e na BR-405, na região da Chapada do Apodi, reunindo camponesas que reivindicam o cumprimento da pauta da Reforma Agrária, junto ao Governo do Estado e denunciam os impactos provocados por megaprojetos de energia eólica nos territórios rurais.

Em Touros, as mulheres Sem Terra também denunciaram o avanço do capital energético e a territorialização das empresas na região, que tem limitado o uso das terras pelas comunidades rurais e ampliado conflitos no campo.

Foto: Comunicação no RN 

A expansão das empresas de energia tem provocado assédio às famílias camponesas, contratos de arrendamento considerados injustos, restrições ao uso da terra e danos ambientais, colocando em risco o modo de vida das comunidades do campo.

Megaprojetos do capital energético causam impactos negativos nas comunidades rurais

O Rio Grande do Norte é um dos estados com maior concentração de usinas e índice de produção de energia eólica, o que gerou uma reconfiguração no modo de viver de inúmeras comunidades, que convivem sob ameaça de despejo, com barulhos e novas doenças que chegaram junto a invasão dos parques.

O enfrentamento ao capital energético é urgente, principalmente por ser uma ameaça não só ao território, mas à vida das mulheres, crianças e idosos e à produção de alimentos saudáveis.

Na região oeste do estado, uma das principais reivindicações é a conclusão do processo de desapropriação das terras do DIBA, onde cerca de 100 famílias aguardam o assentamento.

Além disso, outros dez acampamentos da região também reivindicam acesso à terra. A Chapada do Apodi está há cerca de 20 anos sem novas desapropriações de terras para a Reforma Agrária.

Foto: Comunicação no RN 

Após uma manhã com muita animação, mística, esperança, e principalmente, muita luta, as camponesas conseguiram a sinalização de reuniões que levarão ao cumprimento das reivindicações feitas pelo Movimento.

Atender a pauta da Reforma Agrária é urgente para o desenvolvimento do país, a garantia do acesso à terra, educação, alimentação saudável e emancipação às camponesas e camponeses.

Com o lema “Reforma Agrária Popular: enfrentar as violências, ocupar e organizar!”, a Jornada Nacional de Luta das Mulheres Sem Terra reúne mobilizações em diferentes estados do país e denuncia a paralisação da Reforma Agrária e os impactos do modelo agrícola voltado ao agronegócio e à produção de commodities, que, segundo o MST, aprofunda desigualdades sociais, as violências no campo e a insegurança alimentar.

*Editado por Solange Engelmann