Mulheres em Luta!
Jornada das Mulheres Sem Terra inicia ano de lutas no enfrentamento ao latifúndio e às violências
Mobilização resultou na ocupação de 14 latifúndios, dezenas de ações envolveram 15 mil militantes em 24 estados e no DF

Por Solange Engelmann
Da Página do MST
Nesta quinta-feira (12), chegou ao fim uma das principais Jornadas Nacionais de Lutas do MST. Impulsionada pela força e resistência feminina, repleta de enfeites com lenços de chitas, a bandeira vermelha em punho, e os aromas de março, as mulheres Sem Terra coloriram de lilás e vermelho mais uma vez as cinco regiões do país, durante a Jornada Nacional das Mulheres Sem Terra de 2026, realizada de 8 a 12 de março.
Com o lema, “Reforma Agrária Popular: enfrentar as violências, ocupar e organizar!”, a atividade contou com a realização de dezenas de mobilizações em acampamentos e assentamentos do MST em todo país, dando o ‘ponta pé’ inicial nos processos de lutas do Movimento deste ano.
A Jornada Nacional de 2026 mobilizou mais de 15 mil pessoas em 24 estados e no Distrito Federal e Entorno. Entre as dezenas de ações foram realizadas marchas, bloqueios, espaços de formação, atos e ocupações. Ao todo 14 latifúndios improdutivos foram ocupados nos estados do Rio Grande do Sul, São Paulo, Espírito Santo, Goiás, Pernambuco, Piauí e Tocantins. O estado com mais ocupações foi o Pernambuco, em que as camponesas ocuparam sete áreas improdutivas, nos demais estados foi registrada uma ocupação em cada.

Durante a Jornada, as camponesas denunciaram a concentração de terras, por meio de ocupações de latifúndios improdutivos, cobrando a urgência da Reforma Agrária e o combate às violências contra as mulheres e meninas no campo e cidades.
A Jornada Nacional de Luta das Mulheres Sem Terra abriu o calendário de lutas do Movimento, demonstrando a importância da Reforma Agrária Popular para a construção de um país justo, solidário e sem violências. Nós temos a convicção de que a construção desse país passa por darmos centralidade política no enfrentamento das violências”, defende Lizandra Guedes, da coordenação nacional do setor de Gênero do MST.
Margarida Silva, conhecida como Magal, assentada da Reforma Agrária em Alagoas e integrante da coordenação Nacional do MST, destaca que a Jornada Nacional de março, deste ano foi importante para impulsionar a Reforma Agrária Popular junto à sociedade, como uma proposta importante e robusta para o campo brasileiro.
“Nesta Jornada de Lutas também denunciamos o capital, a mineração e as suas diversas facetas e os impactos que isso tem trazido não só na vida das mulheres Sem Terra, mas na sociedade em geral, em especial às meninas e mulheres. Com o avanço do feminicídio, e as diversas formas de violência e de como o capital em nosso país vem atuando no campo, destruindo os bens da natureza”, resume Magal.

Nesse cenário, Lizandra relembra que no último período, as mulheres brasileiras tem convivido com o aumento da violência contra seus corpos e territórios, o que também tem acontecido no campo.
O Brasil bateu recorde de feminicídios, com uma média de mais de quatro mulheres mortas por dia por razões de gênero, registrando aumento de 4,7% em 2025, com 1.568 vítimas. Os registros de violência sexual subiram para 961 casos, aumento de 56,6% em relação a 2024, com média de 12 vítimas de estupros e assédios por dia. Entre as vítimas, mais da metade eram meninas de 0 a 17 anos. Além disso, pequenas cidades concentram maiores taxas de vítimas, de acordo com a Rede de Observatórios da Segurança.
Para enfrentar esse contexto de violências, a dirigente considera fundamental fortalecer a organização de coletivos, ampliando a participação e o protagonismo das mulheres nas lutas e nos processos produtivos e dessa forma avançar na Reforma Agrária Popular.
“Esse ano, o nosso lema Reforma Agrária Popular, enfrentar as violências, ocupar e organizar sintetiza esse processo. Reforma Agrária Popular se faz com o enfrentamento às violências, dando centralidade à luta pela terra através da nossa capacidade organizativa de mulheres, mas também de homens, na organização popular, defesa dos territórios e construção de formas de enfrentamento às violências, seja a violência do capital, a violência patriarcal e racista”, projeta Lizandra.

Porém, as camponesas ainda enfrentam um conjunto de desafios que perpassam a luta de classes no campo. Magal aponta três desafios centrais para as camponesas no próximo período:
O primeiro desafio é continuarmos denunciando o capital, o hidro-agro-minério negócio no campo, com um projeto de destruição das nossas vidas, da vida das mulheres e dos mais pobres. O segundo, é continuar enfrentando as diversas formas de violências. Não dá para vivermos em um país onde todos os dias mulheres são mortas”, denuncia a Margarida.

Para encerrar, a dirigente complementa que o desafio interno na luta pela Reforma Agrária passa por avançar na organização e participação das mulheres em todos os espaços e territórios. “Precisamos seguir avançando na produção de alimentos saudáveis, agroecológicos, na agroindústria, na comercialização. E continuar fazendo a luta pela terra e pela Reforma Agrária como centralidade, para construir uma nova sociedade em que todas as pessoas possam viver livremente e sem violências”, conclui Magal.
Confira mais informações sobre as mobilizações realizadas nas cinco regiões do país:
REGIÃO AMAZÔNICA
Tocantins, Maranhão e Pará
Nesta segunda-feira (9), cerca de 400 Mulheres Sem Terra dos estado de Tocantins, Maranhão e Pará ocuparam a Fazenda Santo Hilário, em Araguatins (TO). O latifúndio tem histórico marcado por assassinato, violência e trabalho escravo. A área de 2.462 hectares teve sua matrícula de posse cancelada e sua posse foi transferida para a União Federal, em 2020 com o compromisso de ser destinada para fins de Reforma Agrária.

As mulheres da região denunciam que o fazendeiro segue de forma irregular atuando como proprietário da área, num escancarado caso de grilagem. Por outro lado, o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) descumpriu o prazo de vistoria do latifúndio, estabelecido em setembro de 2025, no local em que deveriam ser assentadas 200 famílias de trabalhadores rurais do Movimento.
Roraima
No dia 8 de março, um grupo de camponesas do MST participou da manifestação do 8 de Março com organizações do campo unitário, em Boa Vista. A mobilização fez a defesa da vida das mulheres, pelo fim da violência e pela criação de políticas públicas para a redução de agressões e violências contra as mulheres, que atinge todas as camadas sociais do estado. A atividade foi organizada por grupos de mulheres, partidos políticos, sindicatos e outros setores do movimento social.
REGIÃO NORDESTE
Piauí
Na segunda (9), cerca de 1 mil famílias, com o protagonismo das mulheres Sem Terra ocuparam uma área improdutiva no município de Palmeirais, Piauí, durante a Jornada Nacional de Lutas das Mulheres Sem Terra. A área da empresa Suzano está abandonada há cerca de dez anos e é resultado de um projeto falido de implantação de uma fábrica e da produção de eucalipto. O MST reivindica que a área seja destinada para fins de Reforma Agrária, a fim de garantir que as famílias acampadas no local possam morar e viver com dignidade.
Alagoas
Na manhã de segunda (9), cerca de 750 mulheres camponesas ocuparam as instalações da Mineração Vale Verde, no município de Craíbas (AL). A mobilização integra a Jornada Nacional de Luta das Mulheres Sem Terra e denuncia os danos ambientais e sociais causados pela exploração mineral na região do Agreste do estado.
Além das mulheres do MST, também participam do ato representantes do Movimento dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Campo (MTC), da Frente Nacional de Luta (FNL), Movimento Terra, Trabalho e Liberdade (MTL), Movimento Popular de Luta (MPL), o Movimento Via do Trabalho (MVT), a Comissão Pastoral da Terra (CPT), Movimento Terra Livre, além de integrantes dos movimentos populares da região.
No domingo (8), as mulheres do campo e cidade ocuparam as ruas de Maceió no Ato Unificado do Dia Internacional de Luta das Mulheres, com o lema “Pela vida das mulheres! Contra o imperialismo, por democracia, soberania e pelo fim da escala 6×1!”. O ato mostrou a potência da organização das mulheres, reunindo movimentos sociais e organizações populares, em que as Mulheres Sem Terra também marcaram presença na Praça 7 Coqueiros, em Ponta Verde, levantando as bandeiras da Reforma Agrária Popular, da produção de alimentos saudáveis e da defesa dos territórios.

Desde sábado pela manhã (7), às Mulheres Sem Terra em Alagoas estiveram mobilizadas para as ações da Jornada na capital do estado, e organizaram a preparação de cerca de mil refeições, distribuídas para a comunidade do Benedito Bentes, em Maceió (AL). A iniciativa faz parte das ações da Cozinha Solidária do MST, que leva alimentos produzidos em assentamentos e acampamentos da Reforma Agrária para a população em situação de fome e vulnerabilidade nas periferias e no campo.
Sergipe
Na segunda-feira (9), cerca de 550 mulheres camponesas saíram em marcha pelas ruas de Aracaju (SE), em direção ao Incra, levantando suas bandeiras e reafirmando a luta pela Reforma Agrária Popular. Organizadas e em movimento, as mulheres denunciam a violência no campo, a lentidão da política de Reforma Agrária e seguem na linha de frente da defesa da terra, da produção de alimentos saudáveis e da vida digna para o povo trabalhador. No Incra, a mobilização seguiu com uma audiência com a superintendência, em que foram apresentadas pautas das mulheres Sem Terra, cobrando medidas concretas para avançar na Reforma Agrária no estado.
Pernambuco
No estado, cerca de 2 mil de famílias do MST, com o protagonismo das mulheres Sem Terra ocuparam sete (7) latifúndios, durante a Jornada Nacional de Luta das Mulheres Sem Terra.
A primeira ocupação ocorreu na área Cidade da Copa, em São Lourenço da Mata; na Fazenda Pontalino, em Lagoa Grande; Fazenda Minador, entre os municípios de Pedra e Caetés; IPA, em Goiana; Fazenda de Vado Marcolino, em Jataúba; nas terras da Usina Santa Teresina, em Galileia e na Fazenda Tucutú, em Cabrobó. As ocupação cobram a desapropriação dos latifúndios para a Reforma Agrária, reafirmando a luta das famílias trabalhadoras do campo por terra, trabalho e dignidade, e pela efetivação da Reforma Agrária, além de cobrar o fim das violências contra as mulheres.
Rio Grande do Norte
Na manhã de segunda (9), cerca de 500 mulheres Sem Terra do Rio Grande do Norte realizaram protestos em duas regiões do estado, como parte da Jornada Nacional de Luta das Mulheres Sem Terra. Com ações na BR-101, em Touros e na BR-405, na Chapada do Apodi. As camponesas denunciam o avanço do capital energético e a territorialização das empresas, que ameaçam as famílias do campo, restringindo o uso da terra e colocando em risco os territórios e a natureza.
Na Chapada do Apodi, as mulheres reivindicaram o cumprimento da pauta do MST junto ao Governo do Estado e denunciaram os impactos dos megaprojetos de energia eólica, com o assédio às famílias, arrendamentos injustos, destruição ambiental e ameaças ao modo de vida dos povos do campo. E entre as urgências na região as camponesas cobraram agilidade na conclusão da desapropriação das terras do DIBA, onde cerca de 100 famílias aguardam o assentamento na área. Além de outros dez acampamentos, que também reivindicam terra para fins de Reforma Agrária, na região que se encontra há 20 anos sem nenhuma desapropriação.
Bahia
Na tarde de segunda-feira (9), ocorreu a Plenária das Mulheres e Formação com os Homens, reunindo mulheres e homens Sem Terra dos assentamentos Edite Xavier, José Martí e Eunice Adriana, em Araçoiaba (BA). O debate procura fortalecer o papel na luta coletiva e construção de uma sociedade mais justa.
Com o tema “Reforma Agrária Popular: enfrentar as violências, ocupar e organizar”, o encontro proporcionou um espaço de reflexão, troca de experiências e fortalecimento da luta das mulheres Sem Terra, reafirmando a importância da organização popular para garantir direitos, dignidade e justiça no campo. Já na manhã de domingo (8), as mulheres Sem Terra na Bahia se somaram à tradicional caminhada até o farol da barra, em Salvador. Mulheres vivas, em luta e sem medo, foi o lema que marcou o Ato. Por democracia com soberania pelo bem viver, pelo fim do feminicídio e da escala 6×1.
Outros atos de rua do 8M reuniram as camponesas Sem Terra nos municípios de Feira de Santana, Santo Sé e Barra Choça. Cerca de 2 mil mulheres participaram das mobilizações no estado durante a Jornada.
Paraíba
No último sábado (7), cerca de 500 mulheres do MST, realizam a Feira das Mulheres Sem Terra, no Armazém do Campo, em João Pessoa (PB). O encontro reuniu mulheres de acampamentos e assentamentos da Reforma Agrária de várias regiões do estado e integrou as atividades da Jornada Nacional de Luta das Mulheres Sem Terra.
Além da comercialização de produtos agroecológicos e artesanato produzidos pelas mulheres Sem Terra, foi realizado debate sobre as violências contra as mulheres, abordando diferentes dimensões dessa realidade, as desigualdades que atravessam a vida das mulheres no campo e os impactos provocados pelo avanço do capital energético nos territórios, que tem gerado conflitos, desestruturação e novas formas de violência. E reflexões sobre a conjuntura internacional, destacando a resistência das mulheres em países que enfrentam guerras, bloqueios econômicos e intervenções apoiadas pelos Estados Unidos, como em Palestina, Cuba, Venezuela, Irã, Síria. A atividade também contou com programação cultural, com apresentação de capoeira.
Ceará
No domingo, 8 de março, as mulheres Sem Terra do estado, estiveram nas ruas da capital Fortaleza, somando força ao ato unificado em defesa da vida, dos direitos e da dignidade das mulheres.
Entre sexta-feira (13) e sábado, 14 de março, cerca de 200 mulheres do MST de assentamentos e acampamentos no Ceará também participam do Seminário Estadual das Mulheres Sem Terra, que acontece no Centro Frei Humberto, em Fortaleza. No seminário, as camponesas debatem o enfrentamento às violências, além de planejar ações para o próximo período e fortalecer a organização das mulheres Sem Terra no estado.
Entre as duas atividades e espaços de formação, realizados em várias regiões do estado, o MST reuniu cerca de 1.600 camponesas no estado. As atividades integram a Jornada Nacional de Luta das Mulheres Sem Terra de 2026, que neste ano tem como lema: “Reforma Agrária Popular: enfrentar as violências, ocupar e organizar” e teve início no último domingo, 8 de março em todo país.
CENTRO-OESTE
Goiás, Mato Grosso e Distrito Federal e Entorno
Cerca de 560 mulheres do MST de Goiás, Mato Grosso, e do Distrito Federal e Entorno ocuparam, na madrugada de segunda-feira (9), uma área falida de 8 mil hectares da Usina da Companhia Bioenergética Brasileira (CBB), no município de Vila Boa de Goiás (GO). A ação integra a Jornada Nacional de Luta das Mulheres Sem Terra e denuncia crimes trabalhistas e ambientais da empresa, além de cobrar do governo federal a desapropriação da área para a Reforma Agrária.

As mulheres do MST denunciam a demora do governo em desapropriar a usina que foi oferecida ao patrimônio da União para quitar dívidas milionárias, e assim ser incorporada ao Programa Nacional de Reforma Agrária, resolvendo o passivo de famílias Sem Terra que vivem na região.
Rondônia
Nesta sexta-feira pela manhã (13), cerca de 100 camponesas do MST no estado, participaram de uma caminhada e ato político unitário, em conjunto com a Via Campesina, realizado em frente ao Centro Administrativo do governo estadual, em Porto Velho, como parte da Jornada Nacional de Luta das Mulheres Sem Terra.
As mulheres da Via Campesina não foram recebidas por representantes do governo, mas protocolaram uma pauta de reivindicações. E entre os dias 18 e 19 de março, as camponesas da Via Campesina devem retomar a mobilização no Centro Administrativo do estado para cobrar respostas sobre a pauta de reivindicações entregue no dia 13.
Mato Grosso do Sul
No estado, cerca de 600 mulheres do MST participaram de assembleias realizadas em acampamentos do MST. As atividades, que integram as ações da Jornada Nacional de Luta das Mulheres Sem Terra, aconteceram no acampamento Terra Prometida, em Anastácio; acampamento Sepete Tiaraju, em Corguinho; acampamento João Luís ll, em Terenos; acampamento Egídio Bruneto, em Campo Grande e acampamento Esperança, em Dourados.
Acre
No município de Brasiléia, no dia 8 de março, cerca de 230 mulheres Sem Terra, participaram de atividade de formação sobre a luta das mulheres, no acampamento Chico Mendes, como parte das atividades da Jornada Nacional de Luta das Mulheres Sem Terra.
Brasília
Na quinta-feira, 5 de março, uma comissão de mulheres do MST esteve presente na entrega de um documento com reivindicações do movimento feminista e o manifesto do 8 de Março, assinado por mais de 300 organizações, à ministra das Mulheres, Márcia Lopes, em Brasília. O documento foi organizado pela Articulação Nacional do 8 de Março de 2026, que reúne 42 organizações, Movimentos Populares e sindicatos, entre eles o MST. A iniciativa integrou as atividades da mobilização nacional rumo ao Dia Internacional de Luta das Mulheres, que neste ano teve como lema: “Pela Vida das Mulheres: Contra o Imperialismo, por Democracia, Soberania e pelo Fim da Escala 6×1”.
SUDESTE
Minas Gerais
No estado mais de 1 mil pessoas, com o protagonismo das mulheres, realizaram o trancamento dos trilhos da Estrada de Ferro Vitória-Minas, no município de Tumiritinga, desde a madrugada de segunda-feira (09). As ações integram a Jornada Nacional de Luta das Mulheres Sem Terra 2026 e denunciam que, após dez anos do rompimento da barragem de Fundão, em Mariana (MG), e o crime ambiental e contra a vida, na bacia do Rio Doce, ainda prevalece a impunidade com milhares de famílias que seguem sem reparação. Além disso, o MST no estado reivindica o assentamento de 1.500 famílias acampadas.

A partir da mobilização, as camponesas do estado realizaram um marco histórico, com a resistência por 30 horas de paralisação nos trilhos da Estrada de Ferro Vitória-Minas. Como resultado da mobilização e negociações com a mineradora Samarco, as mulheres do MST suspenderam a ação diante do compromisso da mineradora de que irá reflorestar 2 mil hectares nos assentamentos da Bacia do Rio Doce. Também foi possível um avanço na pauta das indenizações individuais, com a inclusão de cerca de 1.200 famílias assentadas e afetadas pelos rejeitos, que ainda não haviam recebido a reparação pelo crime de Brumadinho. A mobilização por justiça continua.
As Sem Terra, explicam que a ferrovia é a principal rota de minério no estado, e com a ação de trancamento deixaram de circular neste período cerca de 400 mil toneladas, equivalente a mais de R$ 200 milhões, apenas de minério de ferro, sem contar as demais cargas que passam pelo local.
Espírito Santo e Rio de Janeiro
Na madrugada de segunda-feira (9), no Espírito Santo cerca de 450 famílias do MST no estado e do Rio de Janeiro, com o protagonismo das mulheres Sem Terra, amanheceram em luta ocupando uma área da Samarco no município de Anchieta. As camponesas seguem na área, aguardando orientações para as próximas negociações com a empresa.

São Paulo
Também na madrugada de segunda-feira (9), cerca de 450 mulheres de várias regiões do estado de São Paulo ocuparam a fazenda Santo Antônio, localizada no município de Presidente Epitácio, região do Pontal do Paranapanema, extremo Oeste do estado.
A ação busca pressionar o governo do estado sobre a arrecadação de terras para a Reforma Agrária e resolver a situação de vulnerabilidade social das famílias Sem Terra que, em alguns casos, aguardam a mais de 20 anos acampadas. Em especial das mulheres, que sem perspectivas de melhoria da qualidade de vida nas cidades, por falta de políticas públicas voltadas para o desenvolvimento socioeconômico, e somado aos índices de violência doméstica, formam um dos grupos sociais de maior vulnerabilidade social. Encontrando, na Reforma Agrária Popular, uma possibilidade de melhorar a qualidade de vida.

A fazenda Santo Antônio, sob posse de Maria Alexandrina Pereira e Maria de Fátima Oliveira Pereira das Neves, possui 1.675 hectares de terras devolutas, públicas, mas o Estado ainda não tomou a decisão política de arrecadação dessas terras para fins de Reforma Agrária, conforme o Art. 184 da Constituição Federal, continuando sob a posse dos latifundiários para exploração de pecuária extensiva.
Porém, ainda na manhã da segunda-feira (9), a Polícia Militar de São Paulo foi até a ocupação na fazenda Fazenda Santo Antônio, e de forma truculenta, com ameaças e o uso de bombas de efeito lacrimogêneo realizou o despejo ilegal das camponesas, mobilizadas no latifúndio.
No domingo, 8 de março, cerca de 70 Mulheres Sem Terra também ocuparam a Avenida Paulista, na capital paulista, juntamente com as mulheres da cidade para denunciar todas as formas de violência contra as mulheres, reivindicando vida digna, liberdade e justiça. Durante o ato também houve declarações de solidariedade internacionalista às mulheres palestinas, que seguem enfrentando a violência do Estado sionista de Israel, e às mulheres, meninas e crianças do Irã, vítimas da violência imperialista.
SUL
Rio Grande do Sul
Cerca de 600 mulheres Sem Terra ocuparam, nesta segunda-feira (9), uma área de 400 hectares da Fepagro em São Gabriel (RS). A mobilização cobra a destinação da área para assentamentos de famílias acampadas e o reassentamento de atingidos pelas enchentes de 2024 no estado. A área em São Gabriel é simbólica para o Movimento, além de ser a maior da Fepagro.
O latifúndio ficou marcado pela marcha do MST em 2003 e pelo assassinato de Elton Brum da Silva, membro do MST, que ocorreu em 21 de agosto de 2009, quando a Brigada Militar o executou com um tiro de calibre 12 pelas costas, em uma das mais violentas ações de reintegração de posse de um latifúndio improdutivo no estado, a Fazenda Southall.

O município conta atualmente com dez assentamentos, reunindo mais de 740 famílias assentadas. Cerca de 100 produtores fornecem alimentos para o Programa de Aquisição de Alimentos (PAA). Outras 250 famílias se dedicam à produção de leite, grãos como feijão, milho e arroz, também mel e carne. Além da produção voltada à comercialização, todas as famílias assentadas cultivam alimentos para a subsistência em seus lotes. Os assentamentos também participam de diversas feiras na cidade, em sua maioria organizadas pelas mulheres, que também produzem uma diversidade de artesanatos.
Com a ocupação da área em São Gabriel, as camponesas lograram que uma comissão fosse recebida pelo secretário do Desenvolvimento Rural do estado, Gustavo Paim, com a participação do superintendente do Incra no RS, Nelson Grasselli, e o deputado estadual Adão Pretto Filho, no final da tarde de quarta-feira (11). O governo do estado alegou que aguarda uma reunião com o presidente do Incra, César Aldrighi, para avançar na definição das áreas no estado. O que levou o MST a iniciar uma vigília no Incra em Porto Alegre, nesta sexta-feira (13), para cobrar respostas concretas sobre áreas para a Reforma Agrária no estado.
Paraná
Cerca de mil Mulheres Sem Terra marcharam pelas ruas de Rio Bonito do Iguaçu (PR), na manhã da segunda-feira (9). A marcha integrou a Jornada Nacional de Lutas do Dia Internacional das Mulheres e carrega solidariedade e denúncia. Solidariedade a todas as famílias e comunidades afetadas pela catástrofe climática e denúncia às violências de gênero, à destruição da natureza e à crise ambiental.

Entre os dias 9 e 10 de março, as mulheres do MST no Paraná também realizam o Encontro Estadual das Mulheres Sem Terra, com a marca de 10 mil mudas distribuídas e plantadas em territórios dos Reforma Agrária. Os plantios massivos de árvores ocorreram em Rio Bonito do Iguaçu e Guarapuava, os dois municípios mais atingidos pelos tornados que deixaram um rastro de destruição em 11 municípios da região centro-sul do Paraná, em novembro de 2025.
As ações fizeram referência ao Dia Internacional das Mulheres e integraram a Jornada Nacional de Lutas das Mulheres Sem Terra.
Santa Catarina
No estado, cerca de 1.200 mulheres do MST, participaram do seminário “Vivas e decididas contra o feminicídio”, de enfrentamento ao feminicídio e as violências contra a vida das mulheres, realizado na manhã de quinta-feira (5), na Assembleia Legislativa de Santa Catarina (ALESC), em Florianópolis.
Confirma outras imagens sobre as ações da Jornada Nacional das Mulheres Sem Terra de 2026:


















































*Editado por Lays Furtado














































































































