Mulheres em Luta!

No MST “eu encontrei o meu lugar”, diz militante homenageada na ALEP

"Mulheres no Front”, Sem Terra foi uma das 20 homenageadas entre lideranças comunitárias

Foto: Leonardo Henrique

Por Ednubia Ghisi, do Setor de Comunicação e Cultura do MST-PR 

Da Página do MST

Nesta sexta-feira, 13 de março, Rudineia Ribeiro de Souza, membro do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), esteve entre as homenageadas na sessão solene “Mulheres no Front”, organizada pela deputada Ana Júlia (PT) na Assembleia Legislativa do Paraná (ALEP), em Curitiba.

A Sem Terra esteve entre 20 mulheres homenageadas, a honraria se refere ao reconhecimento de lideranças comunitárias, educadoras, sindicalistas e profissionais da segurança e saúde. A cerimônia destacou a coragem, resiliência e a luta cotidiana contra desigualdades e violência de gênero na linha de frente de processos comunitários e populares.

“Dentro do Movimento, eu me senti parte de tudo, de todas as lutas, da defesa das crianças, das mulheres, dos LGBTs. Mostrou pra mim que a luta é recompensada. Eu encontrei o meu lugar. Sou muito grata por estar onde eu estou”. – afirmou Rudineia.

Foto: Orlando Kissner

Rudineia, conhecida carinhosamente como Néia, é integrante do MST há 17 anos e está entre as companheiras que fazem do trabalho com a produção do alimento uma forma de luta e de expressão da resistência do povo. Atualmente a militante faz parte da coordenação da Escola Latino Americana de Agroecologia Ana Maria Primavesi (ELAA), a partir do setor de alimentação, no Assentamento Contestado, localizado no município da Lapa. Também integra a Rede Sementes da Agroecologia (ReSA) e o coletivo de Mulheres do Assentamento Contestado e dos coletivos Terra, Raça e Classe, do MST. 

Durante a pandemia da Covid-19, contribuiu com a coordenação da produção de mais de 1.100 refeições semanais entregues para a população em situação de rua e produzidas na cozinha do Coletivo Marmitas da Terra, em Curitiba. Foram mais de 130 mil marmitas quentinhas e saborosas distribuídas ao longo de todo o período mais crítico da história recente do Brasil. A fome era uma realidade para milhões de brasileiros, e a solidariedade tornou-se a principal forma de resistir.

Foto: Leonardo Henrique 

A libertação da terra e também das mulheres

A história de Néia é parecida com muitos relatos de famílias Sem Terra. Ela morava na cidade com os dois filhos e o esposo à época, quando a sobrecarga de trabalho na cozinha de um restaurante e as dificuldades em sobreviver na cidade a levaram ao adoecimento mental. 

“Foi por isso que decidimos ir pro acampamento, para estar mais perto da natureza, longe da cidade. Pra mim foi uma salvação de vida, literalmente, porque eu estava entrando numa depressão profunda. […]. Aos 33 anos eu me descobri. Entendendo as violências que eu sofria, e que eu tinha o meu lugar”, relembra.

Foto: Célia Regina Piontkievicz

Ela relata como o modo de vida cultivado no MST é parte da sua libertação individual enquanto mulher: “Ser mulher sem Terra me fez sentir renovada, reerguida. Eu conheci a saúde popular, mulheres fazendo remédios naturais. Conheci as lutas das mulheres e de todo o povo, pode dignidade. Não tenho nem palavras pra expressar o quanto eu sou grata por estar no Movimento, por ser do Movimento”.

Para a deputada Ana Júlia (PT), a homenagem representa o reconhecimento da importância dessas trajetórias para a construção de uma sociedade mais justa e solidária.

“São mulheres que constroem várias lutas nos seus cotidianos, na defesa de outras mulheres e no combate às injustiças e às desigualdades sociais. Muitas vezes passam despercebidas, mas estão na linha de frente, recebendo o impacto dos problemas e buscando soluções no dia a dia”, afirmou Ana.

*Editado por Lays Furtado