Produção
Compromisso com a agroecologia marca início da II Feira da Reforma Agrária e Agricultura Familiar do MST no Tocantins
Feira acontece entre os dias 27 e 29 de março no Espaço Cultural, em Palmas, e conta com programação diversa que reafirma identidade cultural e resistência dos povos da Amazônia e do Cerrado

Por Carol Azevedo e Nadson Ayres
Da Página do MST
As cortinas do Espaço Cultural se abrem, e o coração de Palmas volta a bater no ritmo do campo. Aqui, o asfalto cede lugar à poeira fértil da resistência, e o que era silêncio vira o grito vibrante de quem não aceita as cercas do mundo. A II Feira Estadual da Reforma Agrária não é apenas um mercado, é também uma trincheira de afetos, um ato de rebeldia onde o lucro dá lugar à vida e a mercadoria se curva diante da memória. Ocupamos este centro não apenas para vender, mas para anunciar que outro mundo é possível, cultivado com as mãos e regado com a coragem de quem ousa sonhar acordado.
A II Feira da Reforma Agrária e Agricultura Familiar iniciou nesta manhã de sexta, 27, no Espaço Cultural em Palmas, em um ato político com muita mística para marcar a resistência e a denúncia dos impactos do latifúndio, do uso de agrotóxicos e da extensiva produção de monoculturas nos territórios do Cerrado e da Amazônia. Ao mesmo tempo, o evento articula órgãos do Governo Federal, lideranças políticas do estado, entidades e movimentos sociais aliados ao MST de todo o estado que reafirmam alternativas de produção que sejam harmônicas com a natureza e o bem viver — de quem produz nos territórios e de quem vive nas cidades.


Do abraço das águas do Bico do Papagaio à mística do sol no Jalapão, do chão sagrado do Cantão às serras do Sudeste, o Tocantins inteiro desembarca hoje em nossa capital. Nossa poesia é feita de fibra e suor: ela está no trançado preciso do artesanato, no brilho dourado do azeite de babaçu e no cheiro do coco sendo torrado, que perfuma o ar e desperta lembranças ancestrais. É o encontro de gentes que carregam o território na pele e trazem para a cidade a prova viva de que a terra, quando cuidada com amor, devolve liberdade e dignidade em cada colheita.
Além de apresentar a diversidade da produção que os assentamentos e acampamentos do MST no Tocantins têm produzido no cotidiano da vida camponesa, a Feira também reafirma a disputa por esse território que é fruto da luta e resistência dos povos que aqui historicamente vivem e produzem. A expectativa para este ano é superar o público da I Feira, que aconteceu em março de 2025, e recebeu cerca de 3 mil visitantes ao longo de toda a programação. Neste ano, a organização espera um público de aproximadamente 5 mil visitantes entre os dias 27 e 29 de março.

Em sua 2ª edição, o evento marca também debates centrais para a conjuntura e para a linha política do Movimento, especialmente em março, mês dedicado à luta das mulheres, que traz em sua programação nesta sexta-feira o debate Corpo e Território: A voz das mulheres que semeiam liberdade no campo e na cidade, para provocar uma profunda reflexão acerca da escalada da violência contra as mulheres no estado e no Brasil e as estratégias de organização e resistência das mulheres frente a esse cenário. Além disso, a Feira traz também debates em sua programação que são centrais para a cultura e identidade do nosso povo da região, como a Quebração de Coco Babaçu, a Farinhada, a Culinária da Terra, com comidas típicas e regionais da região amazônica e cerradense, e a importância da economia solidária, abordando os desafios do cooperativismo e associativismo na Reforma Agrária.
A programação desta sexta segue com atrações culturais, lançamento de livro e um show que valoriza nossa tradição e musicalidade regional da sussa e da tiquira. A feira conta ao todo com mais de 200 expositores e uma diversidade de alimentos produzidos pela agricultura familiar em todo o território do Tocantins, reafirmando que outras práticas de produção são possíveis, na perspectiva da economia solidária, do cooperativismo e da agroecologia. Natal Alves, do assentamento Oziel Alves, na região do Bico do Papagaio, é responsável pela Cooperamazônia e destacou a importância de espaços como esse na capital do estado para reafirmar as contribuições da Reforma Agrária Popular e da agricultura familiar na produção dos alimentos que chegam à nossa mesa.
Deixo aqui o convite à toda população para a nossa 2ª Feira, que reúne além do MST, o conjunto dos movimentos sociais do Tocantins, sindicatos, organizações aliadas, entidades, e também a presença das autoridades dos órgãos do Governo Federal, nesse compromisso com a reforma agrária no nosso estado. É muito importante dar visibilidade para o que nós produzimos nos nossos territórios, e a partir da Feira, faremos um ato de solidariedade, com a doação de 10% de toda a produção dos feirantes junto às entidades parceiras, para famílias em situação de vulnerabilidade social.”
É agora, feirantes, público e companheiros de caminhada: vamos fazer este Espaço Cultural tremer! Levantem suas bandeiras, abram seus sorrisos e mostrem ao Tocantins a potência da nossa união! Aos nossos agricultores que vieram de longe: vocês são os gigantes que alimentam este estado! Ao público: preparem-se para o melhor banquete de suas vidas! E aos nossos aliados: sigamos em marcha, pois a nossa feira está viva, pulsante e cheia de esperança! Vamos ocupar, produzir e celebrar com toda a alegria de quem sabe que a vitória se constrói no coletivo! A II Feira Estadual da Reforma Agrária começou! É na feira que a gente se encontra!
Confira a programação na íntegra e participe:
27/03 (Sexta)
- 10h – Ato de Abertura
- 10h – Quebração de Coco Babaçu / Extração de Óleo de Coco Babaçu
- 10h às 22h – Feira de Produtos (início da comercialização)
- 11h – Farinhada / Casa de Farinha (beneficiamento da mandioca)
- 11h às 14h – Culinária da Terra: comidas típicas regionais
- 14h às 16h – Seminário: Importância da Economia Solidária e os Desafios do Cooperativismo e Associativismo na Reforma Agrária
- 17h às 19h – Roda de Conversa: Corpo-Território – A voz das mulheres que semeiam liberdade no campo e na cidade (Tenda Babaçu)
- 18h – Farinhada / Casa de Farinha (farinhada coletiva das mulheres)
- 18h – Batalha de Rima (atividade cultural)
- 18h às 22h – Culinária da Terra: comidas típicas regionais
- 20h – Lançamento do livro Um Homem Vestido de Letras, de Zeca Tocantins
- 20h às 00h – Show: Dorivã Passarim do Jalapão
28/03 (Sábado)
- 9h – Frente de Cultura
- 10h às 12h – Transição Agroecológica e Justiça Climática (Tenda Babaçu)
- 10h às 14h – Culinária da Terra: comidas típicas regionais
- 11h – Farinhada / Casa de Farinha (beneficiamento da mandioca)
- 14h às 16h – Sociobio Mais – Fortalecimento das cadeias produtivas da sociobiodiversidade e PROVB (Programa de Venda em Balcão – Aquisição do Governo Federal) (Tenda Babaçu)
- 16h – Plano Nacional Plantar Árvores e Produzir Alimentos Saudáveis (Tenda Babaçu)
- 17h – Baque Mulher (apresentação cultural)
- 18h às 22h – Culinária da Terra: comidas típicas regionais
- 20h – Show: Móia Cumbia
- 22h às 00h – Show: Triobacana (Palco Durval)
29/03 (Domingo)
- 9h – Entrega PAA Cozinha Solidária
- 9h – Farinhada / Casa de Farinha – beneficiamento da mandioca
- 9h às 12h – Comercialização
- 12h – Ato de Doação de Alimentos e Árvores
*Editado por Fernanda Alcântara



