Pressão Popular
Mais de 250 famílias ocupam o Incra em Imperatriz nesta quarta (15) e reforçam Jornada de Lutas

Por Luiza Amanda
Da Página do MST
Em um ato marcado por emoção, memória e resistência, mais de 250 pessoas, entre famílias acampadas e assentadas, ocupam nesta quarta-feira (15) a sede do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) em Imperatriz, no Maranhão. A mobilização reúne trabalhadores e trabalhadoras de 21 áreas da região Tocantina, envolvendo municípios como Buriticupu, Açailândia, Imperatriz, Santa Luzia e Governador Edison Lobão, entre outros.

A ocupação integra a Jornada Nacional de Lutas do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), realizada em todo o país ao longo do mês de abril, período que carrega um profundo significado histórico ao marcar os 30 anos do massacre de Eldorado dos Carajás.
No pátio do Incra, bandeiras vermelhas tremulando e palavras de ordem ecoam como expressão de um povo que não recua. Mais do que um momento de mobilização, a ocupação é um grito coletivo por dignidade, terra e condições de vida.

Entre as principais reivindicações estão o assentamento das famílias acampadas e o acesso a crédito e infraestrutura para aquelas que já vivem em assentamentos.

A coordenadora do MST no Maranhão, Divina Lopes, destacou o caráter nacional e estratégico da mobilização. “Então, o MST do Estado do Maranhão se soma à Jornada Nacional de Luta nesse mês de abril que estamos completando 30 anos do massacre de Eldorado dos Carajás para seguir na defesa da terra e do território. Nós estamos aqui no INCRA com mais de 250 famílias acampadas e assentadas da Reforma Agrária da região Tocantina. A nossa principal pauta de reivindicação é o assentamento dessas famílias acampadas e o crédito e infraestrutura para as famílias assentadas.” “
Nós estamos com o INCRA ocupado e a perspectiva é que a gente faça pressão, unificado com a Jornada Nacional, para que a gente avance na pauta da Reforma Agrária. O Maranhão vai estar mobilizado no Estado inteiro, inclusive também na região de Baixo Parnaíba. O Maranhão está em luta durante esses dois dias.”
A mobilização também carrega a força das mulheres sem terra, que seguem protagonizando o processo organizativo. Para Gilvania Ferreira, da coordenação do MST, abril é continuidade direta das lutas iniciadas em março. “Cada vez mais, lutamos por alimento saudável, sem veneno, para que chegue também aos trabalhadores e trabalhadoras da cidade. Estamos no nosso abril de luta, abril da terra, abril dos acampamentos, abril da reforma agrária. E é nesse abril que a gente continua a jornada de luta das mulheres de março, porque foram elas que abriram o ano das ocupações.”

Gilvânia reforça que a conquista da terra passa, necessariamente, pela mobilização popular. “A reforma agrária não sai do papel se a gente não fizer a luta. São várias formas de luta. Desde a gente se organizar para ocupar a terra e dizer que essa terra é nossa. Essa terra é pública, essa terra foi grilada, essa terra tem que ser para a reforma agrária. Também denunciamos situações de trabalho escravo, onde trabalhadores são submetidos a condições desumanas. Essas terras precisam ser destinadas à reforma agrária.”
A ocupação desta quarta-feira (15) reafirma que, mesmo após décadas de luta, a pauta da reforma agrária segue urgente. Em abril, mês de memória e resistência, o campo volta a pulsar com a força de quem transforma indignação em organização e luta em esperança.
*Editado por Fernanda Alcântara



