Suspensão de despejo

Com Incra e frente do Palácio ocupados, Sem Terra seguem mobilizados contra despejo em AL

Movimentos populares de luta pela terra chegam ao terceiro dia de mobilização, em Maceió contra o despejo de 5 mil famílias de áreas onde antes funcionava usina

Foto: Anidayê Angelo

Da Página do MST

Com acampamento montado na porta do Palácio do Governo do Estado de Alagoas e na sede da superintendência do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (INCRA), no Centro de Maceió, cerca de 1 mil trabalhadores e trabalhadoras rurais seguem em luta na capital reivindicando a imediata suspensão do despejo das 5 mil famílias Sem Terra, que hoje vivem nas áreas das usinas Laginha e Guaxuma.

A mobilização iniciada na segunda-feira (6), reivindica também a marcação de uma reunião emergencial com o governador do estado, Paulo Dantas (MDB), a presidência da superintendência do INCRA, Cesar Aldrighi, a ministra do Ministério do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar (MDA), Fernanda Machiaveli e a presidência do Tribunal de Justiça de Alagoas.

Nós vamos seguir mobilizados e mandando o recado às autoridades, ocupando Maceió e pressionando para que esse problema seja solucionado e que nenhuma família siga sob ameaça de despejo nas áreas das usinas do Grupo João Lyra”, sinalizou Renildo Gomes, da coordenação do MST.

De acordo com Renildo, o acampamento na frente do Palácio e a ocupação no INCRA seguem mantidos até que alguma sinalização seja encaminhada aos movimentos de luta pela terra. “Estamos aqui com disposição e muita vontade para a luta, como estivemos em todos esses anos. Vamos manter a vigilância e seguir firmes”.

Foto: Anidayê Angelo

Além do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), integram a mobilização em Maceió a Frente Nacional de Luta (FNL), o Movimento Terra, Trabalho e Liberdade (MTL), o Movimento Via do Trabalho (MVT) e a Comissão Pastoral da Terra (CPT).

Mobilização unificada

A ação na capital alagoana levou ainda ao Tribunal de Justiça a reivindicação dos camponeses e camponesas na última terça-feira (7) onde, além da exigência da suspensão do despejo, sinaliza um conjunto de demandas que assegura a vida das famílias acampadas em todo o estado de Alagoas.

Além disso, a mobilização já movimenta um conjunto de apoiadores e apoiadoras em todo o estado, deputados, sindicalistas, movimentos e organizações populares já manifestaram solidariedade à luta dos trabalhadores e trabalhadoras que seguem acampados em Maceió.

Foto: Anidayê Angelo

Saiba mais sobre o caso

De 2011 a 2014, os movimentos do campo ocuparam áreas das três usinas falidas no estado: Guaxuma, na região de Coruripe, Teotônio Vilela, São Sebastião, Campo Alegre e Junqueiro; Uruba, no município de Atalaia; e Laginha, em União dos Palmares e Branquinha.

O processo de negociações foi iniciado ainda em 2015, entre os movimentos, o governo, a representação da massa falida das usinas e o Tribunal de Justiça (TJ). Na ocasião, o TJ demandou a desocupação das terras da Usina Uruba, com a justificativa de que a moagem da cana-de-açúcar geraria recursos para o Grupo João Lyra (JL) honrar o pagamento aos credores da massa falida.

Como contrapartida, seriam destinados cerca de 1.500 hectares de terra da Usina Guaxuma para as organizações que a ocupavam. Também a Usina Laginha seria destinada para fins de Reforma Agrária Popular – ambos acordos seguem emperrados.

O Grupo JL teve falência decretada pela primeira vez há sete anos, com dívida bilionária aos governos estadual, federal, além de ex-funcionários.

A justiça alagoana decretou o encerramento da falência do Grupo e declarou extintas suas obrigações, além de autorizar a reativação das empresas que integravam o antigo grupo empresarial do usineiro. O processo arrastava-se desde 2013 e envolvia uma dívida estimada em mais de R$ 3 bilhões, gerada por aproximadamente 19 mil credores.

*Editado por Solange Engelmann