Lutadora do povo!
Neide, militante do MST no Rio Grande do Norte: Presente!
Nesta terça (14), a militância do MST no Rio Grande do Norte se despede da companheira Maria Francineide Cordeiro, conhecida por todos e todas como Neide

Por Morgana Souza | Coletivo de Comunicação do MST no RN
Da Página do MST
Ter companheiros
é como ter vida longa
vida eterna.
É saber que mesmo depois da morte
poderemos permanecer vivos
como os guerrilheiros cubanos,
os bolcheviques, e os integrantes de Palmares.” (Paula Adissi)
A última terça-feira (14) amanheceu silenciosa para a militância do Rio Grande do Norte com a notícia do encantamento da companheira Maria Francineide Cordeiro, conhecida por todos e todas como Neide.
Dirigente da brigada Chico Mendes e assentada no assentamento Oziel Alves, em Mossoró, Neide cumpria o papel de matriarca do Movimento Sem Terra no Rio Grande do Norte, possuindo vínculo sólido com toda a militância acampada e assentada, com base na escuta, acolhimento e afeto.
Militante histórica, dedicou mais de 30 anos de sua vida à luta pela terra, organizando centenas de famílias, formando gerações de militantes e ousando a lutar sempre pelo justo, forjada na coletividade e companheirismo, levando a alegria e esperança como princípios nas trincheiras da luta cotidiana.
Neide acreditava profundamente na força do povo, sobretudo das mulheres e da juventude, rumo à construção de uma nova sociedade. Seu legado ultrapassa sua atuação como dirigente e permanece vivo nas conquistas e na convicção que somente com organização popular é possível transformar realidades.
Nos últimos três anos, enfrentou com muita coragem e dignidade uma dura batalha contra o câncer. Manteve-se positiva, firme e participativa até o fim, sendo um gigante exemplo de compromisso, coerência e perseverança.
Sua despedida aconteceu em dois momentos. Pela manhã, o velório ocorreu no assentamento Oziel Alves, em Mossoró, onde ela residia. À tarde, o corpo foi levado para a igreja católica do Georgino Avelino, município onde sua mãe e familiares residem. Os velórios e sepultamentos foram marcados pela presença de familiares, militantes, amigos, lideranças de organizações parceiras, parlamentares e admiradores de sua trajetória.
Entre abraços silenciosos, punhos erguidos e companheirismo, as canções que tanto ecoaram em marchas e mobilizações – muitas vezes conduzidas e cantadas por ela – acompanharam Neide até seu sepultamento, em um ato de amor e memória, com bandeiras de luta e a presença dos que a amavam. Sua matéria física foi sepultada, mas sua presença permanece viva na memória, na organização e na luta do povo Sem Terra.
Neide alimentou sua luta com muita mística e numa das canções que ela mais gostava, havia versos que traduzem a esperança e otimismo que ela sempre carregou:
Se não houver o amanhã
brindaremos o ontem
E saberemos então
onde está o horizonte.Aí cantaremos segredos
E todos os medos
serão alegrias, veremos,
que o passo só cansa
quando não alcança
sua rebeldia
E na sombra da verdade
estará a liberdade
que a gente queria
Então ouviremos da história
o grito de glória
da nossa utopia.E quem ficou sem chegar
sem poder andar
estará presente
Grande será nosso espanto
ao ver o encanto
do bom comandante
chegando na hora certa
com a voz desperta
nossa rebeldia
companheiros de Guevara
trilhando a estrada
por um novo dia.”
Que esses versos sigam ecoando em cada ocupação, cada bandeira erguida e em cada gesto de solidariedade que Neide ajudou a semear, porque quem se dedicou à luta do povo jamais se despede por inteiro!
Neide, Presente! Presente! Presente!
**Editado por Solange Engelmann



