MST inicia parceria com Museu para feira agroecológica em Recife
Por Talles Reis
Da Página do MST
A população de Recife possui agora mais um ponto para aquisição de produtos saudáveis, é a Feira Agroecológica da Reforma Agrária, organizada numa parceria entre as famílias do Assentamento Chico Mendes III, a Associação Terra e Vida e o Museu do Homem do Nordeste* que funciona todas as sextas-feiras pela manhã na sede do Museu, localizado no bairro Casa Forte.
Por Talles Reis
Da Página do MST
A população de Recife possui agora mais um ponto para aquisição de produtos saudáveis, é a Feira Agroecológica da Reforma Agrária, organizada numa parceria entre as famílias do Assentamento Chico Mendes III, a Associação Terra e Vida e o Museu do Homem do Nordeste* que funciona todas as sextas-feiras pela manhã na sede do Museu, localizado no bairro Casa Forte.
O Assentamento Chico Mendes III, localizado na região metropolitana do Recife, em São Lourenço da Mata, é a principal experiência em andamento de produção agroecológica do MST na região.
Após um processo de luta e resistência de mais de quatro anos, no qual as famílias sofreram três violentos despejos, finalmente o assentamento foi criado no final de 2008. Grandes interesses capitalistas, de usineiros e imobiliários, dificultaram ao máximo o andamento do processo, pois além de estar próximo à capital, está também nas proximidades da Arena Pernambuco, que abrigou jogos da Copa do Mundo.
O assentado Edvaldo José de Holanda, conhecido como Estrela, tem orgulho desta história de luta e destaca que o Chico Mendes é primeiro assentamento 100% agroecológico do MST na região metropolitana.
A parceria e experiências agroecológicas
Atualmente as 55 famílias assentadas participam de três feiras agroecológicas: na Praça do Canhão no município de São Lourenço da Mata; e duas na cidade do Recife, sendo uma na Praça Dois Irmãos, próximo a Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE) e a mais nova feira no Museu do Homem do Nordeste.
Para o Sr. Maurício Antunes, diretor do Museu, o objetivo da feira não é de apenas disponibilizar um espaço físico, “o projeto nosso está baseado em trazer a agricultura familiar também como cultura, não cindir a reprodução material da vida da cultura”, afirma.
A Feira Agroecológica do MST também irá se articular com outras ações socioeducativas do Museu, como as visitas dos estudantes de escolas públicas. Sempre reforçando a ideia de que “cultura é toda produção estética e útil para sua vida e sua sobrevivência, o inclui o cuidado com a terra e a natureza”, complementa Antunes.
O diretor ressalta que estas ações do Museu do Homem do Nordeste seguem a orientação da Política Nacional de Museus, do Ministério da Cultura, “que vai além da cultura como arte contemplação e espetáculo, só para prazer estético, mas também a arte como forma de reinventar a vida”.
A feira também permitiu aos assentados e assentadas a entrarem pela primeira vez no museu. Para a assentada Maria Elisabete, conhecida como Maria Bocão, esta experiência está sendo muito rica, “é importante pra gente fazer a divulgação do assentamento, mostrar que dá certo, através de uma alimentação saudável, toda agroecológica”, comenta.
Resistência
Mas a luta pela agroecologia e contra o agronegócio não é fácil. O assentado Estrela lembra de quando as famílias quase perderam a Feira em Dois Irmãos, a Prefeitura Municipal do Recife cassou a autorização e tentou impedir a continuidade da feira no local. A atitude revoltou a população do bairro que, articulada juntamente com a Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE) e outras entidades conseguiram reverter a decisão da prefeitura.
Para Estrela as dificuldades da produção agroecológica estão bem além do manejo agroecológico das pragas, para o qual contam com o apoio da UFRPE numa parceria fundamental para o desenvolvimento e fortalecimento das experiências agroecológicas no Chico Mendes.
Ele ressalta que hoje o maior entrave ao avanço da produção agroecológica do assentamento é falta de infraestrutura, como estradas e o acesso à água. Apesar de já ter seis anos de existência, até hoje o INCRA não realizou o parcelamento do assentamento, gerando dúvidas e insegurança para as famílias; o dinheiro para construção das moradias e os apoios e créditos iniciais também não chegaram.
Mesmo com todas estas contradições, as famílias do Chico Mendes seguem firme na sua batalha diária pela construção de um mundo mais saudável e justo para todos e todas. Oxalá não desistem.
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* O Museu do Homem do Nordeste foi fundado em 1979, pelo sociólogo Gilberto Freyre, é ligado à Diretoria de Memória, Educação, Cultura e Arte da Fundação Joaquim Nabuco, e tem a missão de pesquisar, documentar, preservar, difuindir e atualizar o rico patrimônio cultural do Nordeste, material e imaterial. O acervo, representativo da formação histórica, étnica e social da atual Região Nordeste, possui cerca de 15.000 peças, heranças culturais do índio, do europeu e do africano na formação do nordestino brasileiro. De materiais de construção dos Séculos XVIII e XIX aos mocambos; dos ex-votos aos objetos de cultos afro-negros; das bonecas de pano e brinquedos populares à cerâmica regional Vitalino, Nhô Caboclo, Zé Rodrigues, Porfírio Faustino e de outros notáveis e anônimos artistas do povo. Das tecnologias do trabalho no açucar à vida nas grandes senzalas. Tudo isso compões o acervo de um dos mais importantees museuis históricos-antropológicos do Brasil (Informações obtidas no site: www.fundaj.gov.br)


