Jornada de Lutas
No Dia da Mata Atlântica, MST no Paraná divulga programação completa da 4ª Jornada da Natureza
Ação de reflorestamento massivo vai semear 30 toneladas de sementes da Palmeira Juçara, espécie nativa do bioma, e que corre risco de extinção

Da Página do MST
Com início previsto para o dia 1º de junho, a 4ª Jornada da Natureza chega ao Paraná para mais uma ação massiva de reflorestamento da Mata Atlântica. Com atividade em diferentes regiões do estado e com destaque para a semeadura aérea da Palmeira Juçara, a Jornada da Natureza é organizada pelo Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) em parceria com as comunidades indígenas, quilombolas e os movimentos populares. Neste 27 de maio, Dia Nacional da Mata Atlântica, a organização reforça o chamado à preservação do bioma e anuncia a programação completa da Jornada da Natureza.
“A Mata Atlântica é um dos biomas mais biodiversos do planeta, marcada pela grande variedade de espécies de fauna e flora e pela forte relação com a água, regulação climática e manutenção da vida nos territórios”, explica o professor Fábio Zaneratti, diretor do Campus Laranjeiras do Sul, da Universidade Federal da Fronteira Sul (UFFS), parceira da Jornada da Natureza.
Segundo o professor, apesar da sua importância, o bioma também é um dos mais ameaçados do Brasil, com histórico de exploração desde o período colonial. “Hoje, restam fragmentos importantes, mas bastante pressionados no bioma. Por outro lado, também existe um movimento crescente de recuperação, que envolve reflorestamento, proteção de nascentes, agroecologia e fortalecimento das comunidades locais”, conta o professor.
A Jornada da Natureza é parte desse movimento de recuperação da Mata Atlântica. Com a sua 4ª edição prevista para os dias 1 a 6 de junho, a Jornada promove atividades de educação ambiental e reflorestamento, sempre em conjunto com as comunidades locais. Este ano serão 30 toneladas de sementes da Palmeira Juçara semeadas ao longo do evento, das quais 18 serão lançadas por helicóptero.

“A Palmeira Juçara é uma espécie nativa fundamental da Mata Atlântica e sofreu forte redução devido à exploração predatória do palmito. Além do risco de extinção, sua perda afeta diretamente diversas espécies de aves e animais que dependem de seus frutos para alimentação”, explica o diretor da UFFS em Laranjeiras do Sul. Ao longo dos anos de jornada, a Universidade acompanhou a semeadura e o crescimento das plantas semeadas por helicóptero, apresentando já na terceira edição as pesquisas que comprovaram a eficácia do método.
“A Juçara possui um papel estratégico na recuperação da Mata Atlântica porque ajuda na recomposição da biodiversidade e no equilíbrio ecológico das florestas. Seus frutos atraem fauna, favorecem a dispersão de sementes e fortalecem a regeneração natural das áreas degradadas”, conclui.
Cuidar da Mata Atlântica: um compromisso dos povos
Sob o lema “Semeando vida para enfrentar a crise ambiental”, este ano a Jornada envolverá comunidades indígenas, quilombolas e áreas de Reforma Agrária no Paraná, com semeadura aérea nos municípios de Nova Laranjeiras, Quedas do Iguaçu, Rio Bonito do Iguaçu e Adrianópolis. Esta será a primeira vez que as comunidades quilombolas do Vale do Ribeira receberão a semeadura aérea.
“As comunidades quilombolas do Vale do Ribeira possuem uma relação ancestral de cuidado, respeito e proteção com o meio ambiente. Entendemos que a terra não é apenas um espaço de produção, mas também um território de vida, memória, cultura e sobrevivência”, conta Roselaine da Silva Rosa, quilombola moradora da comunidade João Surá.
Para ela, a participação na Jornada da Natureza é um momento histórico para a comunidade. “Nossa expectativa é muito grande, porque além de fortalecermos os laços com outras comunidades e movimentos populares, também estamos iniciando uma importante parceria com o MST”, avalia. “Mais do que uma atividade, este encontro representa um ato político em defesa da vida, da terra, da Mata Atlântica e das futuras gerações”, conclui Rosa.

Denilson Félix, Kaingang da Terra Indígena Rio das Cobras, acompanha a semeadura da Juçara desde a primeira edição, em 2023, e diz que a atividade esteve sempre ligada à preocupação das organizações com o bioma. “A ideia de fazer a semeadura de helicóptero veio para poder reflorestar a Mata Atlântica naqueles lugares mais distantes, onde é mais difícil de chegar por terra”, relembra Félix.
Ele considera que a ação com o MST é parte de um trabalho conjunto, que visa os interesses comuns. “Nossos avós, nossos pais, sempre ensinaram que o que a gente faz com a natureza, ela devolve. Se você tratar a natureza bem, ela vai nos tratar bem”, conta. “Para nós, indígenas, estar junto com o MST é importante por isso, porque a nossa luta pela natureza é a mesma”, conclui.
Tarcísio Leopoldo, da coordenação nacional do MST no Paraná e um dos coordenadores da Jornada da Natureza, acredita que cumprir os objetivos da Jornada só é possível em coletividade. “Não se trata só de plantar sementes, mas fortalecer uma cultura de cuidado com os bens comuns, e sem o compromisso das comunidades, das organizações populares e do poder público isso não seria viável”, explica Leopoldo. “A Jornada é esse momento de dar força ao que é compromisso dos povos no dia a dia, o cuidado permanente com a natureza”, conclui.
Além do MST, a Jornada da Natureza é organizada em parceria com a Polícia Rodoviária Federal (PRF), o Instituto Contestado de Agroecologia (ICA), a Associação de Cooperação Agrícola e Reforma Agrária do Paraná (ACAP); a Cooperativa Central da Reforma Agrária (CCA); a Universidade Federal da Fronteira Sul (UFFS) – Campus Laranjeiras do Sul; Laboratório Vivan de Sistemas Agroflorestais; Companhia Nacional de Abastecimento (Conab); Instituto Água e Terra; Centro de Desenvolvimento Sustentável e Capacitação em Agroecologia (CEAGRO); Associação de Produtores Orgânicos de Quedas do Iguaçu Produzindo Vidas (APOQI); Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa); Prefeitura de Quedas do Iguaçu e a Fundação Luterana de Diaconia — Programa Capa de Agroecologia. Além do Instituto de Colonização e Reforma Agrária (INCRA), o Ibama e o Instituto Água e Terra do Paraná (IAT).
Confira a programação completa da 4ª edição da Jornada da Natureza
A 4ª edição da Jornada da Natureza começa no dia 1 de junho e segue até o dia 6. Além da semeadura aérea por helicóptero, a programação prevê oficinas, plantio de mudas, recuperação de áreas degradadas e atividades de educação ambiental. A edição deste ano também terá ações voltadas à recuperação de áreas atingidas pelo tornado que afetou o município de Rio Bonito do Iguaçu em 2025, articulando reflorestamento, solidariedade e organização popular.
Programação da 4ª Jornada da Natureza
01/06 – Nova Laranjeiras (TI Rio das Cobras): Semeadura aérea de 2 toneladas de sementes
8h00min às 9h00min: Acolhida e café da manhã.
9h00: Abertura da Jornada com apresentação cultural das mulheres indígenas e sobrevoo da semeadura aérea da Palmeira Juçara.
11h30: Ato político com autoridades.
12h30min: Almoço.
14h00min: Atividade com as escolas e plantio de mudas.
17h00min: Feira com produtos locais e atividade cultural com bandas indígenas.
02/06 – Quedas do Iguaçu — Comunidade Dom Tomás Balduíno — semeadura aérea de 10 toneladas de sementes
Principais atividades: dia de campo com monitoramento de áreas; visita à unidade de produção e beneficiamento de juçara e frutas nativas; semeadura aérea de Palmeira Juçara.
9h00: Acolhida e credenciamento das autoridades e instituições parceiras.
9h30: Café da manhã.
11h00: Sobrevoo de semeadura de juçara.
12h00: Ato político.
13h00: Almoço coletivo.
14h00: Continuação do sobrevoo e semeadura da palmeira.
17h00: Programação cultural.
03/06 – Rio Bonito do Iguaçu — Comunidade Herdeiros da Terra de 1º de Maio — semeadura aérea de 4 toneladas de sementes
Principais atividades: sobrevoo e mutirão de plantio nas áreas que foram afetadas pelo tornado em novembro/25, com ato político e conferência na universidade.
7h30: Acolhida.
9h00: Sobrevoo com semeadura aérea.
10h30: Ato político.
12h30: Almoço comunitário.
13h30: Mutirão de plantio — mudas de árvores nativas.
16h30: Atividades ambientais na UFFS.
19h30: Conferência sobre a Palmeira Juçara e resultados das pesquisas em torno da semeadura aérea.
06/06/2026 – Comunidades quilombolas do Vale do Ribeira / Comunidade João Surá — Adrianópolis — semeadura aérea de 2 toneladas de sementes
Principais atividades: sobrevoo de semeadura de juçara, ato político, troca de sementes, reconhecimento do território.
8h00: Acolhida e café da manhã.
9h00: Sobrevoo e semeadura da Palmeira Juçara.
11h00: Ato político.
12h30: Almoço coletivo.
14h00: Apresentação cultural da história do Colégio Estadual Diogo Gomes.
15h00: Passeio para conhecer a comunidade.
18h00: Troca de sementes e mudas.
*Editado por Fernanda Alcântara



