Sem Terra reocupam a fazenda Changrilá no extremo sul baiano

“Os latifúndios não cumprem sua função social, principalmente numa região onde existem centenas de pessoas desempregadas e em busca de terra para produzirem alimentos”, afirmaram as famílias.

 

 

Por Coletivo de Comunicação do MST na Bahia

 

Neste ultimo domingo (29), cerca de 100 famílias Sem Terra reocuparam a fazenda Changrilá, de 1.400 hectares, localizada no córrego Bom Sucesso, em Jucuruçu, na região do Extremo Sul baiano.

Com a ocupação, as famílias denunciam que a propriedade faz parte de um conjunto de fazendas improdutivas do latifundiário Álvaro Pereira Filho, conhecido como “Alvino Para Todos”, nos municípios de Itanhém e Jucuruçu.

“Os latifúndios de Alvino não cumprem sua função social, principalmente numa região onde existem centenas de pessoas desempregadas e em busca de terra para produzirem alimentos”, afirmaram as famílias.

Além disso, denunciam ainda, a negligência e a imposição política de alguns funcionários do poder judiciário e órgãos públicos da região. Ao mesmo tempo, os Sem Terra cobram do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) que as terras sejam desapropriadas, tendo em vista, que o proprietário possui terras improdutivas e realiza práticas de destruição das florestas e da biodiversidade, como queimadas e aplicação de veneno nas terras.

Omissão

Segundo a direção do MST na região, apesar das diversas denúncias realizadas desde 2015 em Jucuruçu, houve um aumento significativo nas práticas de exploração do trabalho e de violência no campo, através de ameaças diretas e indiretas por parte do latifúndio.

Para Maria da Silva, trabalhadora Sem Terra, está em prática um método de criminalização dos movimentos sociais populares com perseguição às famílias que lutam pela Reforma Agrária.

“Pois, apesar das diversas denuncias que estamos realizando, só recebemos como resposta as liminares de despejo que tem como objetivo criminalizar a luta dos trabalhadores”, disse Silva.

Já para João do Nascimento, também Sem Terra, os despejos não afetam somente às famílias, “afetam também a população da cidade que compra a nossa produção”.

“Exemplo disso, foi o despejo que sofremos há 12 dias atrás onde formos obrigados a abandonar nossas plantações, que posteriormente foram destruídas. Isso também atinge diretamente à população do município que frequenta as feiras semanais e dependem de nossas produções”, relatou.

O MST avalia que estas práticas existentes na região, em especial no município de Jucuruçu, atentam contra os Direitos Humanos e ferem os princípios da Constituição Federal.

 

 

*Editado por Rafael Soriano