20ª Feira da Reforma Agrária ocupa Maceió com os frutos da luta pela terra

Organizada pelo MST em Alagoas, a Feira deve reunir centenas de trabalhadores rurais
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Alimentos saudáveis das áreas de Reforma Agrária foram comercializados abaixo do preço do mercado convencional. Foto: Gustavo Marinho

Da Página do MST

Por mais um ano, Maceió recebe a Feira da Reforma Agrária, organizada pelo MST. Em 2019, os Sem Terra realizam a 20ª edição da atividade que já é tradicional no calendário dos camponeses e camponesas, bem como da população maceioense que visita e consome a produção vinda para a Feira. Reunindo centenas de feirantes de todas as regiões do estado, a Feira ocorre de 4 a 7 de setembro, na Praça da Faculdade, no bairro do Prado (AL).

“Esse ano a Feira tem uma simbologia especial: são 20 anos de realização desse momento que estabelece um grande encontro entre o campo e a cidade”, explicou José Neto, da direção nacional do MST. De acordo com Neto, os Sem Terra trazem para a praça as diversas expressões do que querem e defendem para o campo alagoano e brasileiro. “Nossa vinda para a cidade é uma verdadeira prestação de contas à sociedade, mostrando concretamente os frutos das nossas lutas, com o resultado das nossas ocupações e marchas”.
 

“Trazer para a Feira a diversidade da produção de alimentos saudáveis, a cultura popular, os cuidados com a saúde, a culinária da terra… Todos esses elementos expressam o nosso projeto para o campo e que dialogam diretamente com quem vive na cidade”.

Em sua 20ª edição, a Feira em Alagoas é o mais antigo processo de comercialização direta promovido pelos Sem Terra em todo o Brasil, sendo hoje uma das principais estratégias adotadas pelo Movimento para estreitar o diálogo com a sociedade.

Festival de Cultura Popular      

 

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Apresentações gratuitas em dois palcos são
destaque para o público. Foto: John Clivani

Compondo a programação da Feira, o também tradicional Festival de Cultura Popular leva para a Praça da Faculdade em 2019 cerca de 30 atrações artísticas ao longo dos quatro dias de Feira, com apresentações gratuitas em dois palcos.

“Uma diversidade de artistas e grupos populares passam pela Praça da Faculdade durante todos os dias de nossa Feira. Todas as tardes e noites são repletas de atrações com muita música, poesia e teatro, tudo de graça para quem vier prestigiar a nossa atividade”, comentou José Neto.

As apresentações ocorrem todos os dias a partir das 14 horas, com apresentações no palco que homenageia a indígena Raquel Xukuru-Kariri, e a partir das 18 horas, no Palco da Praça Central.

Entre as diversas atrações da Feira, sobe ao palco da Praça Central no próximo dia 06 o cantor Odair José, que promete embalar o público com os clássicos sucessos de sua carreira.

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Conferências e oficinas

Uma das novidades da Feira esse ano são as realizações das Conferências, com debates em torno da produção de alimentação saudáveis e da luta pela soberania nacional e popular.

Débora Nunes, da coordenação nacional do MST, reforçou a importância da realização das conferências com a sociedade. “Queremos possibilitar um amplo espaço de diálogo e debate de ideias com a sociedade. A realização das conferências em nossa programação são mais espaços de estreitar, aprofundar e qualificar o debate com temas que assumem uma importante centralidade no momento que vivemos”.

 

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Todos os debates ocorrem na Praça Central da
Feira da Reforma Agrária, sempre a partir
das 10 horas. Foto: John Clivani

Realizada na próxima quinta-feira (05), a primeira conferência tratará do tema da produção de alimentação saudável, com a presença do Deputado Federal pelo estado de São Paulo, Nilto Tatto, que integra a Comissão de Meio Ambiente da Câmara Federal; da atriz e ativista Pally Siqueira; além da presença do também coordenador nacional do MST, João Paulo Rodrigues.

Já na sexta-feira (06), a conferência debate a luta pela terra e a defesa dos territórios em Alagoas, reunindo lideranças indígenas, quilombolas e Sem Terra.

Todos os debates ocorrem na Praça Central da Feira da Reforma Agrária, sempre a partir das 10 horas.

“Além das nossas conferências, a Feira por si só é um grande convite ao debate e a reflexão. Por mais um ano teremos a Tenda de Educação Popular em Saúde, com oficinas e práticas integrativas de saúde, a comercialização de livros da Editora Expressão Popular, além das exposições de experiências vindas dos assentamentos e acampamentos da Reforma Agrária, a partir da organização da produção em suas cooperativas”, comentou Débora.
 

20 anos de história

 

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Últimos preparativos para a Feira estão
sendo trabalhados esta semana. Foto: John Clivan

Vandélia Santos, assentada no assentamento Fidel Castro, no município de Joaquim Gomes (Zona da Mata de Alagoas), é uma das feirantes que vai ocupar uma das centenas de bancas espalhadas pela Praça da Faculdade com sua produção. Por mais um ano Vanda, como é conhecida, trará para Maceió uma diversidade do que é produzido na sua região: laranja, banana, batata e feijão.

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Em 2019, Vanda comemora a participação em 11 Feiras organizadas pelo MST em Maceió. “Para mim é sempre uma honra poder vir para a Feira. Aqui a gente não só vende, a gente pode mostrar para a sociedade o sentido da nossa luta, que é a produção de alimentos saudáveis para chegar na mesa do povo”.

“Estamos nos organizando há meses para a Feira desse ano. No assentamento todo mundo se envolve. No trabalho no lote, até a organização do transporte para a produção chegar na Praça, tudo é possibilitado pela participação coletiva. O resultado é a beleza da nossa Feira. Quem vem uma vez não deixa de vir nunca mais”.

*Editado por Fernanda Alcântara