Cavalgada da Amizade reúne 500 cavaleiros em acampamento no Paraná

Em Ortigueira(PR), mais de 2 mil pessoas participaram da festa na comunidade do Maila Sabrina, localizada no norte do estado. As famílias da ocupação estão ameaçadas de despejo.
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Evento acontece no acampamento Maila Sabrina, onde cerca de 400 famílias estão acampadas na área desde 2003. 
Foto: Arquivo MST-PR

Por Setor de Comunicação e Cultura do MST-PR*
Da Página do MST 

 

Uma cavalgada com mais de 500 cavaleiros e almoço gratuito para cerca de 2 mil pessoas. Este é o resumo de uma das maiores cavalgadas populares da região norte do Paraná, realizada no acampamento Maila Sabrina, em Ortigueira, no último domingo (22). Homens,  mulheres e crianças, vindos de diferentes municípios da região, se reuniram em marcha e tocaram seus berrantes. Vereadores e representantes das prefeituras da região também participaram da festa. 
 

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Os preparativos começaram ainda de madrugada. Desde às 5h da manhã a comunidade já trabalhava na organização do local e da alimentação para receber os convidados com comida caipira e bailão. “Nosso objetivo é reunir os amigos da comunidade para festejar e mostrar para a sociedade o nosso acampamento, como é organizado, e como é bom de viver”, explica Jocelda Oliveira, integrante da coordenação do acampamento.
 

Sergio Oliveira, também da coordenação da comunidade, conta que a atividade busca manter uma tradição do povo camponês da região: “É um resgate das culturas antigas, do tempo que nossos antepassados carregavam os suprimentos tudo no lombo de cavalo e de burro. Essa cultura não pode morrer”. 
 

17 anos de resistência e produção 
 

Cerca de 400 famílias estão acampadas na área desde 2003. O pedido de reintegração de posse foi emitido no mesmo ano e disputa jurídica segue desde então, agora com uma nova ameaçada de despejo. O território de 10.600 hectares era de devastação ambiental, pela produção de búfalo, sem cumprir os critérios de reserva legal. 
 

Em 17 anos de trabalho e construção da vida comunitária, a diversidade e a produtividade são as marcas da agricultura e da pecuária no acampamento. Em 2018 foram 108 mil sacas de soja e milho; 3 mil sacas de feijão; 286 toneladas de arroz, abóbora, batata e legumes em geral; 900 toneladas de mandioca; 35 mil caixas de tomate, 8700 animais, entre bovinos, cabritos, cavalos e porcos.
 

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A comunidade também dá exemplo de construção coletiva, como a Escola Itinerante Caminhos do Saber, a Lanchonete Maila Sabrina, diversas igrejas e uma Unidade Básica de Saúde. Essa terra aqui “significa a vida, significa tudo que nós temos”, afirma Sergio Oliveira.  
 

“Independente da decisão do judiciário, esse povo daqui não vai sair de jeito nenhum […]. O que nós sabemos fazer é plantar, produzir e levar alimento pra cidade. Estamos aqui em busca de um pedaço de terra que não faz falta pra quem era proprietário, mas pra nós significa muito. E vamos continuar aqui produzindo, tendo amizade e companheirismo, sem deixar essa região aqui morrer , não deixar virar tudo madeira”, disse Sergio, durante a abertura da festa. 

*Com colaboração de Nyky Rodrigues 
** Editado por Fernanda Alcântara