Em aula magna, integrantes do MST discutem conjuntura agrária e ambiental

O Curso Nacional de Formação, Plantar Árvores, Produzir Alimentos Saudáveis, será divido em módulos com aulas todas as sextas-feiras
Campanha Plantar Árvores e Produzir Alimentos Saudáveis, no Extremo Sul da Bahia. Foto: Coletivo de Comunicação do MST na Bahia

Da Página do MST

Na manhã desta sexta-feira (5), militantes do MST se reuniram para a aula inaugural do Curso Nacional de Formação “Plantar Árvores, Produzir Alimentos Saudáveis”. Além de estimular e fortalecer o plano de plantio de árvores em todo o país, lançada pelo MST em 2020, a série de aulas tem o objetivo de debater elementos fundamentais na discussão ambiental e agrária.

Barbara Loureiro, do setor de produção do MST, explicou que o plano nacional é resultado da reflexão coletiva sobre o momento ambiental que vivemos.

Bárbara Loureiro. Foto: Reprodução/MST

“O avanço das práticas depredatórias do agronegócio e da mineração, seu impacto em nossas vidas, atrelado ao acúmulo histórico do MST, nos permitiu a materialização e construção de um plano que tivesse em seu cerne a agroecologia como matriz tecnológica e produtiva. Essa construção reafirma o entendimento de que a saída coletiva para resolver os problemas da população do campo e da cidade é a Reforma Agrária Popular. Esse plano é uma tarefa permanente, que reafirma a síntese da missão Sem Terra, que é produzir alimentos saudáveis e cuidar do bem comum, disse”.

A crise ecológica, ambiental e climática

A advogada socioambiental e integrante da organização Grain, Larissa Packer, pontuou que o modo de produção do sistema capitalista – que sempre busca o lucro independentemente da vida -, produziu uma crise civilizatória.

“A pandemia não é apenas uma questão de saúde, e a solução não é só medicamentosa, óbvio que a vacinação vai nos colocar numa melhor situação da que estamos vivemos, mas nos com a intensificação do desmatamento, a destruição dos habitats e ecossistemas e o aumento da concentração de terras temos um cenário que favorece o aparecimento e a proliferação de epidemias e pandemias”, ponderou.

Larissa Packer.Foto: Reprodução/MST

Ela citou ainda que o aprofundamento da crise alimentar, que nos faz ver de um lado, pessoas passar fome e do outro a concentração de lucros e de commodities agrícolas.

“A tendência geral do mercado é fazer com que a América Latina faça uma reprimarização da sua economia, plantando soja, milho e mercadoria de baixo valor agregado para exportação. Os preços dos alimentos totais básicos aumentaram cerca de 24% por cento no último período, isso exigiria, segundo o Diesse um salário de cinco mil reais por mês para que possamos dar conta do preço dos alimentos”, afirmou.

Larissa frisa que a alterativa oferecida pelo MST, que une plantio de árvores, recuperação do meio ambiente e produção de alimentos saudáveis, é uma possibilidade real de superação da crise sanitária, econômica e social que enfrentamos.   

Na mesma linha, Kelli Mafort, da direção nacional do MST, falou sobre o que ela chamou de crise metabólica do capital.

“É importante conhecer a realidade para podermos atuar sobre ela e transformá-la. Não tem como falarmos de capitalismo sem falar de crise, no entanto, estamos diante de uma crise estrutural e metabólica que produz uma massa sobrante desse capital que não tem renda, emprego ou perspectiva de futuro”, disse.

Outro aspecto, segundo ela, tem a ver com a ampliação dos processos de proletarização, que é a separação radical dos trabalhadores e dos meios de produção. É a generalização da precarização.

Kelli Mafort. Foto: Reprodução/MST

“Estamos entre os 10 países mais desiguais do mundo. A reflexão feita pelo MST ao longo de sua história, fez com que as lutas travadas pelo movimento se transformassem. Quando essa luta se transforma em Reforma Agrária Popular nós nos reinventamos na história. Quatro milhões de quilos de alimentos que saíram dos acampamentos e assentamentos do Movimento Sem Terra é fruto dessa mudança”, ponderou.

O MST é uma porta de lutas para poder lutar pelo alimento, isso renova o nosso compromisso com a classe trabalhadora do campo e da cidade. Vamos plantar árvores e também produzir comida. Isso é o que nos conecta com a classe trabalhadora. Não podemos pautar a luta institucional e não podemos imaginar que a nossa luta está perdida, agora é a hora de levantar a bandeira e gritar Fora Bolsoraro, essa é a luta do povo que quer viver, comer, trabalhar, produzir e construir uma nova sociabilidade, finalizou.

*Editado por Fernanda Alcântara