Famílias Sem Terra do Pontal do Paranapanema comemoram certificação orgânica

Com a documentação, as famílias pretendem aumentar a produção e a comercialização dos alimentos
Famílias exibem certificado de produção orgânica
Foto: Diógenes Rabello

Por Diógenes Rabello
Da Página do MST

Depois de cerca de dois anos trabalhando na transição das técnicas e manejos para atingir as diretrizes exigidas pela certificadoras, finalmente as cinco famílias assentadas no Pontal do Paranapanema, nos assentamentos Rodeio e Água Limpa, município de Presidente Bernardes (SP) conseguiram a aprovação do órgão responsável e, agora, contam com o selo para certificar seus produtos.

Conforme relatam as famílias, o trabalho com a produção agroecológica já era uma
perspectiva adotada por elas há muito tempo, entendendo que esta é a forma mais adequada
de trabalhar com a terra, pois se trata de uma produção de alimentos menos agressiva para o
meio ambiente, que produz alimentos saudáveis sem o uso de agrotóxicos e é uma perspectiva
política do MST para as famílias assentadas.

Entretanto, a iniciativa de buscar a certificação orgânica é uma preocupação de expandir as possibilidades de mercado para avançar ainda mais.

As famílias fazem parte da Associação dos Produtores Assentados da Rodeio (APAR), que tem
reunido famílias deste assentamento para organizar a produção de alimentos de forma
coletiva.

Uma das conquistas da APAR foi a construção de uma agroindústria para beneficiamento e pré-processamento dos alimentos (Packhouse). Agora, contando com a certificação e com a infraestrutura necessária, as famílias poderão alcançar novos mercados com alimentos saudáveis e diversificados.

Agroindústria em que é realizado o beneficiamento dos alimentos
Foto: Diógenes Rabello

A produção já é comercializada em feiras regionais, pelo projeto de cestas agroecológicas
Raízes do Pontal 1 e pelo programa CSA Brasil. Até o momento, a qualidade agroecológica era
atestada pela relação de confiança e troca entre as famílias produtoras e os consumidores e
consumidoras, que inclusive faziam visitas no assentamento para conhecer a produção e as
técnicas de trabalho das famílias.

As famílias também reservam parte da produção para contribuir nas ações de solidariedade da campanha Periferia Viva em Presidente Prudente.

Entre as dificuldades para conseguir a certificação, as famílias relatam que tiveram que
adequar uma série de elementos como: o cercamento do poço semiartesiano, troca da caixa
d’água para uma com material específico, construção de barreiras naturais ao redor de toda a
área de produção, fazer o controle de manejo com anotações diárias da produção e outras.

Agora, já com a certificação, a dificuldade será cobrir os custos financeiros mensais da
certificadora. Para isso, as famílias já estão se organizando para aumentar a produção e ter
condições de arcar com estes custos.

Estes avanços nos animam a continuar lutando pela Reforma Agrária Popular, apostar na
agroecologia e na solidariedade. Produzir alimentos saudáveis é um compromisso dos
trabalhadores e das trabalhadoras do campo, seguimos nessa luta criando novas estratégias
para avançar cada vez mais.

Conheça um pouco mais sobre a produção das famílias no vídeo abaixo:

*Editado por Maura Silva