Resistência

Exibição de filme no Armazém do Campo BH relembra luta de Marighella contra a ditadura

No último sábado, 27 de novembro, mais de 140 pessoas participaram de debate com sobreviventes da ditadura e assistiram ao filme do Marighella junto com o MST
Foto: Agatha Azevedo

Por Agatha Azevedo
Da Página do MST

No dia 27 de novembro, sábado, o Armazém do Campo BH realizou um debate sobre o período da ditadura militar e a luta armada de Marighella com os companheiros Reinaldo José de Melo e Cléber Maia. A atividade, que durou por volta de uma hora, lembrou o período da ditadura em que Marighella foi assassinado, em que para ser preso bastava estar na rua. Com dois telões e um público de 140 pessoas, composto de idosos e jovens, de maioria feminina, o filme foi exibido às 17 horas após uma troca de ideias sobre a luta armada de Marighella e outros militantes do período.

Reinaldo José de Melo. Foto: Agatha Azevedo

Um dos militantes que contou a sua história foi Reinaldo José de Melo. Aos 77 anos, Reinaldo falou sobre a importância da organização popular para a resistência a qualquer tentativa de cerceamento da liberdade. “Eu considero o período atual mais difícil que o período da Ditadura, mas as instituições ainda estão funcionando, então ainda temos como combater esse inimigo que está nos matando. O Bolsonaro tem na morte muitos objetivos”, afirma.

Já Cleber Maia, que atualmente compõe as fileiras do Partido dos Trabalhadores em Belo Horizonte, relembrou como a vida e a luta de Marighella se cruzam com a sua vida e a sua luta, especialmente no período de seu assassinato, em que ele e outros militantes contrários à Ditadura Militar estavam presos.

Cleber Maia. Foto: Agatha Azevedo

“É exatamente a partir da radicalização do AI5 que a luta popular se radicaliza. No dia em que Marighella foi assassinado na Alameda Casa Branca, todos nós dormimos em pé, porque não cabia mais ninguém na prisão. Se prendia em São Paulo por três motivos: andando normal, porque devia estar despistando algo; correndo, porque devia estar fugindo; e andando devagar a pessoa também era presa, porque devia estar fazendo levantamento para futuras ações.”, conta Cleber, ao relembrar os momentos de horror nos porões da Ditadura.

Como um ato de resistência, a exibição gratuita do filme do Marighella faz parte de um circuito de ações que o MST de Minas Gerais tem feito em todas as regionais do estado, a fim de popularizar o acesso ao cinema, à cultura e à história e fazer viva a memória de Carlos Marighella.  

*Editado por Fernanda Alcântara