Religiosidade

O maior encontro da América Latina dos Povos de Matriz Africana tem início em MG

IV ÉGBÈ – Encontro Nacional das Culturas dos Povos de Matriz Africana acontece até dia 7 de junho, em Contagem (MG)

A anfitriã Makota Celinha Gonçalves durante a fala de abertura do IV ÉGBÈ. Foto: Nieves Rodrigues

Da Página do MST

O maior encontro da América Latina dos povos de matriz africana teve início na noite desta quinta-feira (4), e vai até domingo (7), no Hotel Actuall em Contagem (MG), promovendo valorização cultural e defesa de direitos. A quarta edição do ÉGBÈ – Encontro Nacional das Culturas dos Povos de Matriz Africana: O Poder Ancestral, reúne mais de 500 lideranças religiosas, ativistas, pesquisadores e autoridades governamentais e não governamentais, vindos do Brasil e do exterior.

Realizado desde sua primeira edição pelo Centro Nacional de Africanidade e Resistência Afrobrasileira (CENARAB), o evento traz nomes internacionalmente reconhecidos como a Ministra dos Direitos Humanos Macaé Evaristo, o Baba Clebio Ifatomisin (UNEAL), o Prof. Kabenguele Munanga (USP), o prof. Dr. Eduardo Oliveira (UFBA), o Embaixador de Gana no Brasil, Dr. Nii Amasah Namoale, e muito mais, além das presenças de autoridades governamentais e de Terreiro de toda a América Latina.

Com o tema “O Poder Ancestral”, o IV ÉGBÈ tem como objetivo promover a valorização e defesa dos direitos dos Povos e Comunidades Tradicionais de Terreiro e de Matriz Africana, fortalecendo o diálogo interinstitucional e ampliando a visibilidade das práticas culturais e religiosas que compõem a diversidade brasileira.

Cerca de 500 membros se concentram no encontro para debater o poder ancestral para os povos e comunidades de terreiro. Foto: Nieves Rodrigues

“Com base no Pan-africanismo como matriz cultural, filosófica e política, essa edição propõe reflexões sobre identidade, ancestralidade, diversidade cultural e resistência ao racismo estrutural e religioso, fortalecendo os terreiros enquanto agentes culturais. Também vamos enfatizar a centralidade da corporalidade feminina como expressão simbólica, política e estética, reconhecendo o protagonismo das mulheres nos processos de transmissão de saberes e na organização comunitária”, explica Makota Celinha Gonçalves, coordenadora Geral do CENARAB.

O encontro conta com a parceria de instituições públicas, privadas e órgãos governamentais como a Secretaria-Geral do Governo Federal, os Ministérios da Saúde, das Mulheres, dos Direitos Humanos e da Cidadania, da Igualdade Racial, Fiocruz, FGV Projetos, Sebrae, Fundação Banco do Brasil, Secretaria Estadual de Cultura e Turismo MG, Prefeitura de Belo Horizonte, OAB, Instituto Ibirapitanga, Abong, INESC, Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), entre outros.

Durante os quatro dias de programação, os participantes terão acesso a debates, mesas-redondas, apresentações culturais e espaços de articulação política e social, reafirmando o compromisso com a resistência, a ancestralidade e a construção de políticas públicas inclusivas.

Para Makota Celinha, “ao promover intercâmbio cultural entre representantes de todos os Estados brasileiros e mais oito países das Américas e África, o projeto contribui para a democratização do acesso à cultura, a formação de público e a articulação de redes culturais afro-brasileiras”.

O IV ÉGBÈ – O Poder Ancestral reafirma a cultura como instrumento de cidadania, educação e transformação social, alinhando tradição, contemporaneidade e ação cultural em defesa da liberdade religiosa, da diversidade e da equidade racial no Brasil. É uma oportunidade única para refletir sobre os desafios contemporâneos enfrentados pelas comunidades tradicionais e para celebrar a riqueza das culturas de matriz africana, que seguem vivas e pulsantes em todo o país.

*Editado por Fernanda Alcântara