Congresso
Câmara homenageia vítimas de Eldorado dos Carajás: ‘É preciso compreender a história para mudá-la’, diz deputado do PT
Deputado João Daniel (PT-SE) foi um dos autores do pedido de sessão solene em memória do massacre

Por Gabriela Carvalho, Lucas Krupacz e Nara Lacerda
Da Página do MST
Na tarde desta quinta-feira (16) acontece uma sessão solene em memória às vítimas do massacre de Eldorado dos Carajás na Câmara dos Deputados. O deputado João Daniel (PT-SE), um dos autores do pedido de homenagem, defendeu que fazer memória do que foi a história do massacre é mostrar como o Estado brasileiro sempre tratou aqueles que lutam pelo direito à terra.
“A gente precisa compreender a história do Brasil e a história do poder sobre a terra. Compreender qual foi a história brasileira das oligarquias que se transformaram em poder neste país desde o início da sua história. Nós vamos compreender que o Brasil foi um dos poucos países que nunca fez a reforma agrária e que tratou o movimento social popular historicamente como crime”, afirmou em entrevista ao Conexão BdF, da Rádio Brasil de Fato.
O deputado lembra a frase de Dom Pedro Casaldáglia: “Não haverá uma sociedade justa sem a distribuição da terra”. Para ele, o país tem uma dívida com seu povo. “O Brasil nunca fez e existe uma força contrária muito grande contra a reforma agrária e a reforma urbana. As cidades são cheias de latifúndios e uma grande população sem ter o direito à casa, ao teto e às terras improdutivas ou, hoje ligadas ao grande agronegócio, que têm incentivos pagos pela população brasileira para exportar commodities, soja, gado, álcool, madeira, milho”, afirma.
Ao comentar o pedido de desculpas que o presidente do Incra, César Aldrighi, endereçou ao Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) na quarta-feira por causa do massacre, o deputado João Daniel ressaltou que a impunidade é um fator para a continuidade dos processos de criminalização de lutas. “O Brasil tem sua formação baseada no escravismo. Esses senhores, donos da terra, passaram a ter força e estar no Legislativo, no Executivo, no Judiciário, formando esse Estado conservador. E nós temos capítulos da nossa Constituição que dão poder ao Estado para fazer cumprir a função social da propriedade”, afirma.
Para ele, mesmo nos casos de governos progressistas, como o de Lula, por causa desse histórico da formação de poder, “não foi possível criar uma correlação de forças na sociedade brasileira para fazer com que governos à esquerda avançassem mais este processo democrático e popular”.
Daniel defende que o governo tem possibilidades de realizar ações concretas para fazer valer o direito à terra e enaltece o MST. “Eu acho que o Movimento Sem Terra, mais do que nunca, tem um papel fundamental de organizar os trabalhadores, lutar pela reforma agrária, representar com dignidade aqueles que deram a vida na história desse país, a exemplo das ligas camponesas, dos assassinados em Eldorado dos Carajás”, diz.
Editado por: Thaís Ferraz



