Reforma Agrária Popular

MST em Sergipe marcha por Reforma Agrária e em homenagem aos 30 anos de Eldorado dos Carajás

A Jornada Nacional de Lutas em Sergipe denuncia a impunidade do massacre de 1996 e cobra justiça e celeridade para a Reforma Agrária popular

Foto: Luiz Fernando, MST em Sergipe

Por Díjna Torres, MST em Sergipe
Da Página do MST

Neste 17 de abril, Dia de Luta Camponesa, o acampamento Oziel Alves, no município de Barra dos Coqueiros (SE), amanheceu em movimento. Trabalhadores e trabalhadoras do MST em Sergipe realizaram uma marcha de 11 quilômetros, reafirmando a luta pela terra, pela dignidade e pela Reforma Agrária Popular.

A mobilização integra a Jornada Nacional de Lutas e marca os 30 anos do Massacre de Eldorado dos Carajás, episódio que segue vivo na memória da classe trabalhadora do campo. Ao longo do trajeto, palavras de ordem, poesias e cantos carregaram a lembrança dos companheiros e companheiras que tiveram suas vidas ceifadas na luta por justiça social.

Foto: Luiz Fernando, MST em Sergipe

Além da marcha, a jornada foi marcada por um gesto simbólico e profundamente significativo, que foi o plantio de 21 árvores, representando cada uma das vidas perdidas no massacre. A ação reafirma o compromisso com a memória, com a resistência e com a continuidade da luta.

Para Cleosvalda Góes, da Coordenação Nacional do MST, a atividade reforça o sentido coletivo e histórico da organização popular no campo. “Essa marcha e o plantio que realizamos neste dia expressam muito mais do que um ato simbólico. Eles reafirmam a nossa resistência e a importância de seguir ocupando e lutando pela terra. Cada árvore plantada carrega a memória dos que tombaram, mas também aponta para o futuro que queremos construir, com justiça social e Reforma Agrária. É na luta e na organização que seguimos garantindo nossos direitos”, afirmou.

O companheiro José Ailton Santos, também da Coordenação Nacional do MST, aproveitou a ocasião para destacar a necessidade de denunciar a impunidade que persiste após três décadas do massacre. “Passados 30 anos do Massacre de Eldorado dos Carajás, seguimos denunciando a impunidade dos responsáveis por esse crime brutal. O Estado brasileiro ainda não respondeu à altura da gravidade desse episódio. Nossa luta também é por justiça, para que crimes como esse não se repitam e para que a vida dos trabalhadores e trabalhadoras do campo seja respeitada”, disse.

A marcha e o plantio reafirmam que a memória segue viva e que a luta continua em Sergipe. Ao longo da Jornada de Lutas, trabalhadoras e trabalhadores seguem denunciando as violências sofridas no campo e cobrando aos órgãos competentes a celeridade para que a Reforma Agrária aconteça.

*Editado por Fernanda Alcântara