Samba de luta

Inimigos do Batente celebra 27 anos de samba e luta popular no Espaço Cultural Elza Soares

Roda de samba criada em 1999 na Vila Madalena leva sua trajetória de resistência ao Espaço Cultural Elza Soares

Foto: Divulgação

Da Página do MST

Há 27 anos, o Inimigos do Batente carrega para dentro da roda de samba a mesma bandeira que carrega para fora dela: a da classe trabalhadora. Fundado em 1999 na Vila Madalena, o grupo paulista construiu um repertório que passeia por todos os gêneros e regiões do samba brasileiro, mas nunca escondeu de que lado está — o das lutas do povo trabalhador, do povo afrodescendente e do povo pobre.

Essa identidade encontrou endereço no Espaço Cultural Elza Soares, que tem se tornado um encontro de teatro, dança, música, cinema e literatura popular em São Paulo. É lá que acontece o projeto “O Samba da Minha Terra”, parceria entre o grupo e o MST que já reuniu nomes como Fabiana Cozza, Diogo Nogueira e Moacyr Luz, e que homenageia a sambista Beth Carvalho através da medalha que leva seu nome.

Para os integrantes do grupo, a aproximação com o MST não é coincidência: é reencontro. “Sempre existiu uma aliança entre a luta social e os trabalhadores e trabalhadoras”, resume a fala do coletivo sobre o projeto — que, segundo eles, une os 27 anos de trajetória do Inimigos do Batente a um dos maiores movimentos sociais da América Latina.

Confira abaixo a entrevista com o grupo!

Nestes 27 anos de história de Inimigos do Batente, como esse repertório do samba se articula à luta da classe trabalhadora como um todo?

Fernando Szegeri: A arte popular em geral, mas muito especificamente a arte popular brasileira, é profundamente ligada aos setores da sociedade menos favorecidos, aos setores excluídos, aos setores oprimidos. Alguns pensadores da cultura popular chegam a dizer que a arte popular brasileira é fruto, é filha, é produto da escassez — ou seja, é essa situação, motivada pela estrutura social do país que gera uma classe privada de bens elementares para a sobrevivência e uma necessidade e uma capacidade de reinvenção da vida. Porque a arte nada mais é do que isso: você reorganizar os elementos da vida, representar um outro mundo possível, uma outra forma de existir. Então, a arte popular tem fundamentalmente essa característica de ser uma proposta de uma outra forma de existir, do ponto de vista da classe oprimida e do ponto de vista da classe trabalhadora, dos descendentes de escravizados, do povo que efetivamente não está no gozo, na titularidade das riquezas produzidas na nação.

Nesse sentido, o samba tem, privilegiadamente, esse lugar, por suas características geográficas, históricas e culturais, amalgama elementos da cultura dos povos afrodescendentes com alguns elementos da cultura europeia, do colonizador, e também alguns elementos dos povos originários. E ele alcança um grau de universalidade muito grande no Brasil. A força do samba é muito destacada, muito especial no conjunto da cultura popular, da arte popular brasileira.

O samba se erige numa das vozes mais poderosas, mais universais, desse sentimento do coração brasileiro e, por que não dizer, do sentimento das classes populares. Então o samba é, por excelência, esse jeito das classes populares cantarem os seus sofrimentos, as suas alegrias, cantarem as suas possibilidades de outros mundos, cantarem os seus antepassados, cantarem as suas histórias, cantarem as suas lutas. Assim, o repertório do samba, que fala de tudo o que pertence, o que preenche, o que atravessa o universo das classes populares, vai ser uma voz muito privilegiada de expressão dessa luta e desse anseio por uma reinvenção do mundo”

Os Inimigos do Batente, que têm um repertório muito eclético de samba, cantam de tudo, cantam todos os gêneros do samba, de todas as procedências, sambas de todos os lugares do Brasil. Esses sambas vão falar de tudo e, obviamente, vão falar das lutas populares também, não tem como não falar. Especialmente no nosso caso, como nós sempre fomos um coletivo que primou pelos ritmos políticos ao lado das causas populares, ao lado dos ideais revolucionários, dos ideais de transformação. Esses sambas que cantam as lutas do povo trabalhador, as lutas do povo afrodescendente, as lutas do povo pobre, do povo oprimido, obviamente, esses sambas têm um lugar muito especial, muito específico, muito caro na nossa roda de samba.

Paulinho: Nesses 27 anos de samba, o nosso grupo Inimigos do Batente sempre foi um grupo que pensou no samba como uma maneira de vida, como a cultura popular brasileira mais latente que tem na história do Brasil como cultura popular, e tudo o que vem do povo e da classe trabalhadora, e o samba também não poderia ser diferente. Tivemos a felicidade nesses 27 anos de ter mestres e trabalhar juntos, fazer roda de samba com Luiz Moreira, um grande griô da cultura popular brasileira, e Noca da Portela. Fizemos muitos sambas com o mestre Noca, que fez o Hino da Virada, o hino das Diretas Já. Ou seja, sempre esses mestres nos ensinando que não se diferencia o samba e a luta de classes; uma coisa tem tudo a ver com a outra, estão super interligadas e a gente continua mantendo essa tradição e tendo esse repertório vasto com sambistas da atualidade e sambistas que já passaram, mas sempre visando essa luta de classes.

Railidia, como mulher e paraense, você ressignifica a tradição do samba. Como tem sido isso no Inimigos do Batente?

Foto: Debora Barros/ Divulgação

Railidia: A presença das mulheres no samba sempre foi fundamental nessa engrenagem e processo cultural e social que desaguou no samba, especialmente nas rodas de samba. Assim como na sociedade, as rodas também refletiram, e ainda refletem, um certo papel secundário das mulheres. Nos últimos anos, com as lutas sociais se fortalecendo, como o feminismo, as novas gerações de sambistas também vêm ganhando protagonismo. Na verdade, conquistando esses protagonismos a duras penas. No caso dos Inimigos do Batente, eu fui durante muitos anos a única mulher do grupo.

Em 1999, quando surgiu nossa roda de samba na Vila Madalena, eu, mesmo sem muita experiência artística em roda, sempre tive muito entusiasmo e paixão, e ia ali buscando meu lugar ao sol em uma roda de homens. Mas isso era puramente intuitivo; não tinha essa consciência do papel das mulheres na roda. A questão técnica de tonalidades e repertório amplo eu compensava com muita energia. Naquele contexto não era tão comum mulheres nas rodas como nos dias de hoje, em que temos muitas rodas conduzidas por mulheres sambistas e também grupos formados apenas por sambistas.

Na segunda metade dos anos 2000, os Inimigos convidaram a Victória dos Santos, uma imensa jovem sambista que fez parte do grupo por alguns anos. Atualmente, temos a Mari Tavares, também da nova geração de mulheres cantoras, batuqueiras e compositoras que fortalecem na roda de samba o país que somos — a história do samba que tem DNA das tias baianas, das quituteiras, das pastoras (que é aquele coro da roda de samba) e das mulheres compositoras. O samba sempre fez parte da minha vida desde criança, quando morava em Altamira, na Transamazônica. Minha mãe sempre amou música e festa. Pela televisão, sempre vi os grandes sambistas em programas de massa como o Cassino do Chacrinha. Vi Clara Nunes, Alcione, Roberto Ribeiro, Beth Carvalho — artistas que tinham o mesmo espaço que artistas badalados da indústria cultural da época. No Pará se faz muito samba e Carnaval; frequentei rodas de samba lá, mas foi em São Paulo que as rodas se tornaram parte inseparável da minha vida, a ponto de, há 27 anos, ter o desejo, junto com o Fernando e o Paulinho Timor, de criar os Inimigos do Batente. Queríamos também fazer uma roda de samba como havia a roda do grupo É do Baú, no Butantã, que fez história no Bar do Bilu. Queríamos sentir a sensação de felicidade que uma roda de samba traz, com tantas memórias, lutas e ritmos. A nossa própria história de país.

O que o espaço Elza Soares, do MST, e a roda de samba revelam sobre a atualidade da música popular?

Fernando: Eu disse na primeira resposta que a arte popular é precisamente — e a música popular como um segmento da arte popular — essa grande voz que congrega as representações, as simbologias, as visões de mundo, as lutas e os anseios das classes populares. E continua sendo dessa maneira. Isso não é uma coisa que ficou parada na história ou que fala de um passado cronológico, um passado histórico. Não. A arte popular continua tendo este papel.

Só que hoje em dia é plural, como é plural a sociedade e como são plurais hoje em dia os meios de expressão. Nós vivemos num tempo de uma certa horizontalidade, embora o capitalismo ainda controle os meios de produção da arte de massa, por assim dizer, a arte que vira mercadoria e que assume o papel que a mercadoria assume na sociedade capitalista. Embora o capitalismo ainda exerça essa hegemonia, nós temos canais de escoamento dessa expressividade. Quer dizer, você ainda tem uma indústria fonográfica, por exemplo, que controla a produção musical no país em grande escala, mas você tem inúmeras formas de gravar música e de divulgar, porque hoje em dia ter acesso a um meio de gravação e ter acesso à distribuição via os canais da internet é mais possível.

Continua havendo um controle hegemônico, mas existe uma contra-hegemonia que acontece nesses canais mais horizontais. A arte popular hoje é mais plural, ela é muito diversa nas suas formas de expressão.

É interessante justamente que o Espaço Cultural Elza Soares, um lugar aberto a essa diversidade, a essas formas de expressão, não só nos diversos meios artísticos. É um lugar aberto para o teatro, para a dança, para a música, para o cinema e para a produção literária. Você tem o acolhimento de diversas formas dessas expressões”

Nós já ouvimos de tudo ali: música eletrônica, rock, a música latino-americana, música pop, rap, hip hop e samba. O samba não poderia ficar de fora. Então, há uma convivência no cenário da música popular brasileira hoje em dia das formas mais tradicionais — das formas que já historicamente assumiram alguns formatos em alguns lugares mais definidos nas representações populares — com essas novas formas que andam acontecendo por aí.

A importância do Espaço Elza Soares é que, contemplando essa diversidade, ele é mais fiel a este papel que a arte popular e a cultura popular desempenham no cenário atual da sociedade capitalista. É muito significativo e muito importante que, em meio a essa diversidade, o samba assuma um papel também de protagonismo, que é análogo ao protagonismo que ele assume na representação da sociedade brasileira.

Paulinho: Essa ideia do Samba da Minha Terra juntou os Inimigos do Batente com o MST, o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra. Começamos no dia 2, no Dia Nacional do Samba, e dali surgiu a ideia de que a gente poderia, sim, e precisaria, sim, se reinventar depois dessa pandemia e com as mudanças estruturais de apresentação que tivemos — a gente teria que voltar à classe trabalhadora, voltar às raízes, se reinventar no samba. E nada melhor do que um dos maiores movimentos da América Latina, um dos maiores movimentos do mundo, que é o MST. A gente poder juntar nossos 27 anos de experiência de luta de classes com esses mestres, e também com sambistas da atualidade que já pensaram, já fizeram parte do nosso grupo, como o Kiko Dinucci, o Douglas Germano, enfim. E somar essa luta tão valiosa do samba com uma das pessoas que também nos ensinaram muito samba, os Inimigos do Batente, que foi a nossa querida Beth Carvalho — já passamos várias madrugadas juntos, e a Beth, como uma guerreira, está representada nesta medalha Beth Carvalho, que a gente entrega no Samba da Minha Terra.

O MST é o Inimigo do Batente para pessoas ligadas à cultura do samba, como a Fabiana Cozza, que já foi premiada, o Diogo Nogueira, o Toninho Nascimento, o nosso professor Chico Médico, Wilson Sucena, Moacyr Luz, também grande amigo dos Inimigos. Ou seja, eu acho que tem tudo a ver e está ficando bonito, cada vez mais pegando corpo, essa festa que a gente faz do samba junto com o Movimento Sem Terra.

De que modo a tradição oral do samba se opõe ao apagamento da cultura campesina?

Railidia: A roda de samba é um instrumento poderoso contra o apagamento das lutas sociais. O poeta popular que sente na pele as mazelas e as contradições se torna um cronista da vida cotidiana. A roda dos Inimigos do Batente tem uma característica que é também trazer outros ritmos brasileiros. A gente canta baião, a gente canta jongo, carimbós e outras expressões musicais expressivas do povo brasileiro. Acho que, quando esse conjunto de ritmos e composições valoriza a luta do trabalhador, ele também denuncia a falta de direitos. Quando falam sobre a exploração da natureza, também denunciam a cultura predatória que tira o homem do seu lugar, que se vale das riquezas deixando um rastro de destruição. Quando falam que, se um operário souber do seu valor, ele deixa de ser escravo. O samba também sempre esteve ao lado das lutas sociais, desde quando bambas como Paulo da Portela, no Rio de Janeiro, e também Geraldo Filme, aqui em São Paulo, tinham uma consciência política e social muito forte. Não tem espaço para a extrema-direita no samba; é completamente contraditório com as ações e enfrentamentos dos nossos sambistas que lutaram lá atrás. Há mais de um ano a luta campesina em São Paulo tem dado samba com a série “O Samba da Minha Terra”. Essa iniciativa dos Inimigos do Batente e do MST demonstra que sempre existiu uma aliança entre a luta social e os trabalhadores e trabalhadoras e, neste projeto em especial, que é abrigado em um espaço do MST, essa aliança ganha visibilidade e profundidade.

Qual a função política do sambista diante de um espaço como esse, como o MST?

Fernando: Esta é uma resposta que talvez precise ser desmembrada. Primeiro: qual é a função política do artista, em geral? É inegável que a arte popular tem uma função política, nesse sentido de a política como uma grande arena de mediação dos interesses em conflito numa sociedade complexa como a nossa. A arte popular, sendo lugar privilegiado de representações diversas, de vozes diversas, e um lugar privilegiado da expressão dessa complexidade, desses antagonismos, a arte popular e a política andam necessariamente juntas.

A função da arte é política, como, de resto, quase todos os elementos da vida social assumem uma dimensão política, quer dizer, a política é uma expressão fundamental de uma sociedade complexa como a que nós temos. A arte tem essa função política, mesmo que às vezes não seja a que a gente gostaria, mesmo que às vezes a arte, o papel, a postura da arte, do artista, assume lugares e papéis reacionários. Nesse sentido, é importante que os artistas comprometidos com a transformação das estruturas sociais, das estruturas de opressão, das estruturas fundamentais do sistema capitalista que é a grande forma de opressão nos tempos contemporâneos, estejam disputando esses espaços, disputando esses papéis, fazendo desse lugar da arte um lugar de disputa, um lugar de enfrentamento, um lugar em que possa se expressar, que possa prevalecer os valores de transformação da sociedade na maneira que a gente entende.

Isso falando sobre o artista popular em geral e o artista popular engajado, comprometido com as transformações. Em relação ao samba, em consonância com o que eu disse acima, e sendo o samba uma expressão de origem eminentemente ligada às classes oprimidas, às classes despossuídas, faz muito mais sentido e deveria ser quase que obrigatório, por fidelidade a essas origens, ao que ela exprime e ao lugar que ela encontra no imaginário e no simbólico da sociedade brasileira, o samba precisa assumir esse lugar de disputa política, com um lado, com uma face, com uma feição muito clara de aliado incondicional das lutas por transformação.

Só que, infelizmente, nem sempre é assim, porque também são características dos tempos contemporâneos e da sociedade capitalista as contradições. A arte popular padece dessas contradições; o samba padece dessas contradições. Então nós, como grupo que sempre assumiu essa postura de luta, de identificação e de um certo protagonismo político, e por que não dizer, no cenário do samba, é fundamental que estejamos sempre alinhados com os setores da sociedade que estão fazendo a luta pelas transformações das estruturas. E, sem dúvida nenhuma, é o MST talvez o mais importante movimento de transformação social no Brasil.

Quando a aproximação se dá dos Inimigos do Batente com o MST, que era uma proximidade só, digamos assim, ideológica e principiológica, e de sombreamento, quando ela se mostra, passa a virar uma parceria, um caminhar junto para nós, artistas, é uma oportunidade maravilhosa, única, de não estarmos apenas nos ombreando, mas de estarmos assumindo exatamente esse lugar na luta, na luta popular.

E para o Movimento também, de uma certa maneira, acolher artistas, acolher manifestações da arte popular que apontem, que joguem, que caminhem no mesmo sentido, também é enriquecedor para a própria experiência política, para a experiência do movimento enquanto força social. Esse encontro dos Inimigos do Batente com o MST é algo efetivamente muito importante, muito enriquecedor para nós, e eu poderia dizer que é quase natural, em vista da nossa trajetória, das nossas posturas, e é histórico também. Então, o que seria natural seria buscar veios de água que correm para o mesmo lugar; mas quando isso vira prática, quando vira engajamento, vira parceria, então isso vira histórico. E eu acho que é isso, é uma oportunidade de estar fazendo história junto com a luta dos trabalhadores pela Reforma Agrária no Brasil.

Qual o legado dos mestres para as novas gerações de sambistas, em especial à música popular?

Railidia: Tenho consciência de viver o samba já desde os meus oito ou dez anos. Ouvíamos em casa, dançávamos em casa. O samba sempre esteve na minha vida e na da minha família. Hoje estou com 54 anos e, recentemente, organizando uma oficina de samba, eu mostrei para uma comunidade na Zona Leste de São Paulo o primeiro samba escrito pelo sambista paulista Geraldo Filme. Geraldo tinha dez anos quando compôs o samba “Eu vou mostrar”. Nascido em 1927, ele morreu em 1995. Em 2024, eu e outros sambistas cantamos o samba dele para um público de mulheres, crianças e adolescentes que, imediatamente, se identificaram com os refrões simples em que ele dizia: “Eu vou mostrar que o povo paulista também sabe sambar”.

O legado vem através de composições que são verdadeiros testamentos do nosso povo. Quem está por trás são músicos negros, mulatos, poetas e poetisas do povo mostrando seu ponto de vista de um mundo que viveram e que, infelizmente, ainda guarda muitas mazelas. O legado é que essa luta e essa arte precisam se renovar, se transformar. E não apenas para as novas gerações de sambistas, mas para todo o povo brasileiro. O samba é um vínculo que nos aproxima e fortalece. O samba conta as nossas histórias de beleza e de violência e, do nosso jeito, criou um caldeirão cultural de resistência, de qualidade artística, de humor e de denúncia. O samba é uma verdadeira escola, e os sambistas também o são.

Serviço

O quê: Roda de samba “O Samba da Minha Terra” — comemoração dos 27 anos do Inimigos do Batente
Quando: neste sábado (01/08)
Espaço Cultural Elza Soares (MST) — Alameda Eduardo Prado, 460
Horário: a partir das 12h
Entrada: gratuita

*Editado por Solange Engelmann