Solidariedade
ENFF: onde o estudo e o trabalho caminham juntos
Artigo reflete a força coletiva que mantém viva a chama da transformação social na ENFF

Por Geraldo Gasparin – Coordenação Político Pedagógica da ENFF
Da Página do MST
O solo que sustenta a Escola Nacional Florestan Fernandes não é feito apenas de terra e cimento; ele é moldado pela liga profunda da solidariedade operária. Erguida no compasso dos mutirões e no suor do trabalho voluntário, a ENFF nasce da certeza de que nenhum tijolo se sustenta sozinho quando o objetivo é emancipar um povo.
Cada parede levantada com a técnica do solo-cimento carrega em si a fusão perfeita entre o saber técnico e a força coletiva, transformando o próprio canteiro de obras em uma calorosa sala de aula, onde o estudo e o trabalho caminham de mãos dadas. Essa construção ultrapassou fronteiras físicas e geográficas. Cruzou oceanos e conectou corações militantes por meio de inúmeros comitês internacionais, provando que a dor e a esperança da classe trabalhadora falam a mesma língua em qualquer canto do mundo.

A existência da Escola é, portanto, um testemunho vivo desse abraço global. Sem o apoio, o carinho e a firmeza dos povos integrados nessa rede de apoio, o sonho não teria fincado suas raízes. Ela existe porque a classe trabalhadora decidiu, em um ato de amor político, que ela deveria existir. O trabalho que ali se desenvolve diariamente não é fardo, mas a própria estratégia de sua soberania e autossustento.
A ENFF se mantém altiva e pulsante pela dedicação generosa de educadores, intelectuais e militantes que doam seu tempo e conhecimento sem esperar nada em troca, a não ser a colheita de uma nova sociedade. Esse fazer cotidiano fortalece a autonomia e protege o espaço contra as lógicas do mercado, consagrando a Escola como um território livre e auto-organizado.

Em cada canto da Florestan Fernandes, a solidariedade deixa de ser um conceito abstrato para se tornar matéria palpável. Ela é a síntese dos valores mais nobres cultivados por aqueles que vivem do próprio esforço. Mais do que erguer paredes, cada iniciativa solidária ali renovada pavimenta o caminho histórico da classe trabalhadora. É o combustível que alimenta a utopia viva, o sopro que mantém acesa a chama da transformação e o alicerce indestrutível sobre o qual se projeta, dia após dia, a edificação do socialismo.
Cada um e uma de nós é convocado a manter viva a memória e a história de nossa ENFF






*Editado por Fernanda Alcântara



