Memória dos povos
Túnel do Tempo celebra biomas brasileiros e povos originários na 23ª Jornada de Agroecologia
Com participação de Leonardo Boff e representantes do povo Kaingang, exposição reúne fauna, flora, agroecologia e culturas originárias em uma experiência de conscientização ambiental e política

Por Caetano Sogayar | Comunicação da 23ª Jornada
Da Página do MST
Como parte das atividades da 23ª Jornada de Agroecologia, que acontece no Centro Politécnico da UFPR até domingo (21), na última sexta-feira (19), aconteceu a abertura do Túnel do Tempo: “Registros da Terra: o MST e os biomas brasileiros”, um espaço interativo durante a 23ª Jornada de Agroecologia, no Campus Politécnico da UFPR. A inauguração do espaço contou com a presença de Leonardo Boff, idealizador da Teologia da Libertação, e com a apresentação de membros da tribo Kaingang, que estão sendo homenageadas durante toda a exposição.
Neste ano a realização do Túnel do Tempo tem como principal missão a homenagem aos seis biomas brasileiros, além de relacionar a importância deles para a produção de práticas agroecológicas e a valorização dos povos originários.
Jackson Raimundo da Silva, 35, é morador do assentamento Contestado, e trabalha na Escola Latino Americana de Agroecologia. Ele é um dos idealizadores do Túnel e ressaltou a importância de dar enfoque aos biomas: “A ideia é que a gente represente minimamente um pouco de cada bioma. Muitas pessoas não conhecem os biomas brasileiros. Então, a ideia é que passe pelo túnel e se sinta parte ali do espaço que está visitando.”


Outro ponto que marcou o ritual de abertura do Túnel, na tarde da Jornada, foi a valorização dos povos originários, homenageados na exposição e no ritual de abertura. Jackson comenta que não faz sentido que o espaço exista, sem que os povos originários estejam ali representados.
Após uma declaração emocionada, Leonardo Boff enfatizou a necessidade de valorizar a cultura indígena, junto aos membros da tribo Kaingang: “Então vocês cultivem as vossas tradições, façam as vossas cerimônias e nós devemos apoiar e não só apoiar, participar e sentir que isso que vocês fazem aqui é sagrado”.
A celebração dos biomas e dos povos originários também é uma manifestação política que enfatiza, como é possível fazer agroecologia e produzir alimentos para todos, se todos tiverem terra.

O espaço é dividido em quatro segmentos: fauna, flora, povos originários e agroecologia. Através de textos contando sobre os biomas, contendo curiosidades, demonstrações de plantas típicas de cada região e fotografias que exemplificam melhor cada segmento, é proporcionado um espaço de reflexão e de denúncia sobre o meio ambiente no Brasil.
Wellington Oliveira, trabalhador da Escola Latino Americana de Agroecologia, acrescenta que ao final da exposição, há uma árvore do futuro. “Ela tem várias folhinhas para as pessoas dizerem, depois de passarem por todos esses biomas, qual é o compromisso dela com o seu bioma? Qual é o seu compromisso em cultivar, preservar e cuidar do bioma que você pertence?”
*Editado por Solange Engelmann



