Cultura

MST no RJ celebra 30 anos de luta com Arraiá da Reforma Agrária Popular e encerra a Jornada da Natureza

Celebração reuniu militantes, assentados, parceiros e apoiadores em um ato político-cultural marcado pela memória, pela resistência e pelo compromisso com a Reforma Agrária Popular e a defesa da natureza

Foto: Louis Williams (Brigada Internacionalista da Juventude)

Por Gabrielly Preato
Da Página do MST

O Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) no Rio de Janeiro celebrou, sexta (31 de julho), seus 30 anos de organização no estado com a realização do Arraiá da Reforma Agrária Popular. A atividade reuniu famílias Sem Terra, militantes, organizações parceiras, representantes de movimentos populares, universidades e apoiadores para celebrar três décadas de luta pela terra, pela produção de alimentos saudáveis e pela construção da Reforma Agrária Popular.

O evento também marcou o encerramento da Jornada da Natureza, mobilização realizada em todas as regiões do estado, que promoveu atividades de recuperação ambiental, plantio de árvores, formação política e fortalecimento da agroecologia como resposta à crise climática e ao avanço do agronegócio sobre os bens comuns.

Durante a abertura do ato político, o MST no Rio de Janeiro resgatou a trajetória construída desde 1996, quando trabalhadores e trabalhadoras rurais iniciaram, em Campos dos Goytacazes, o processo de mobilização que resultaria, no ano seguinte, na primeira ocupação organizada pelo Movimento em território fluminense. Dessa luta nasceu o assentamento Zumbi dos Palmares, marco da Reforma Agrária Popular no estado.

Foto: Louis Williams (Brigada Internacionalista da Juventude)

Ao longo da celebração, foram homenageados os homens e mulheres que construíram essa história, desde os pioneiros das primeiras ocupações até os assentados e acampados que seguem organizando a vida coletiva nos territórios, além da juventude, da militância, das mulheres Sem Terra e dos inúmeros parceiros que caminham ao lado do Movimento há três décadas.

O ato também prestou homenagem a lutadores e lutadoras que dedicaram suas vidas à organização popular, entre eles Cícero Guedes, Regina Pinho, Marielle Franco, Senhor Serafim, Sr. Edilson, Dona Maria, Índio, Alaíde Reis e tantos outros, reafirmando que sua memória permanece viva na caminhada do povo Sem Terra.

Representantes das brigadas e regiões do MST no Rio de Janeiro destacaram os avanços conquistados ao longo dessas três décadas e reafirmaram o compromisso coletivo com a continuidade da luta. O encerramento da Jornada da Natureza reforçou o entendimento de que a Reforma Agrária Popular também passa pela preservação ambiental, pela recuperação de áreas degradadas e pela produção agroecológica de alimentos saudáveis.

Além do ato político, o Arraiá contou com apresentações culturais, música, comidas típicas e comercialização de produtos da Reforma Agrária, transformando a celebração em um espaço de encontro entre campo e cidade.

Realizado com entrada gratuita e patrocínio da Prefeitura da Cidade do Rio de Janeiro, o Arraiá da Reforma Agrária Popular celebrou o passado, fortaleceu o presente e renovou o compromisso do MST no Rio de Janeiro com a luta pela terra, pela justiça social, pela soberania alimentar e pela construção de uma sociedade baseada na solidariedade, na organização popular e na defesa da vida.

*Editado por Fernanda Alcântara