Um século de Fidel
Centenário de um comandante invicto
MST realiza 17ª Jornada Nacional da Juventude Sem Terra em homenagem a Fidel Castro, com diversas atividades e iniciativas no país, que reafirmam o legado do líder cubano, principalmente entre os jovens

Por Judite Santos | setor de Internacionalismo do MST
Da Página do MST
Neste 13 de agosto de 2016, celebramos o centenário de uma das maiores lideranças políticas do século XX e início do século XXI. Fidel Castro é, sem dúvida, um dos lutadores mais importantes da história contemporânea, cuja trajetória revolucionária inspirou povos de todos os continentes e desafiou as estruturas do poder imperialista por mais de cinco décadas. Sua figura transcende fronteiras, sendo reverenciada por pessoas de todo o mundo que veem em sua trajetória um exemplo de coragem e de fé.
Para celebrar o centenário de Fidel, o MST está realizando 17ª Jornada Nacional da Juventude Sem Terra, em homenagem a Fidel Castro, que se desdobra em diversas atividades: desde a escrita de cartas ao povo cubano, expressando a solidariedade do povo brasileiro, até a produção de muralismos em escolas e assentamentos, passando por festivais culturais, rodas de conversa, exibições de filmes e outras iniciativas que reafirmam o legado de Fidel, especialmente para a juventude. A jornada busca não apenas recordar sua vida, mas também reafirmar seu legado na luta pelo socialismo.
Neste sentido, apresentamos abaixo dez curiosidades sobre a revolução cubana e seu comandante invicto, acompanhadas de recomendações de filmes ou leituras que ajudam a compreender a complexidade e a grandeza deste ser humano.
Fidel não foi apenas um guerrilheiro ou um líder político, mas também um ser de convicções profundas, um internacionalista convicto, um orador apaixonado e, um revolucionário intransigente que desafiou o império mais poderoso da história e saiu vitorioso.

Fidel Castro atravessou o século XX e morreu de causas naturais, após sobreviver a mais de 600 atentados. Que esta homenagem sirva para manter viva sua chama e inspirar as novas gerações na construção de um mundo mais justo, fraterno e solidário.
1. Origens de um líder revolucionário
Fidel Alejandro Castro Ruz nasceu em 13 de agosto de 1926, em uma fazenda em Birán, província de Holguín, em Cuba. Filho de Ángel Castro Argiz, imigrante espanhol, e da cubana Lina Ruz González, Fidel passou a infância em um ambiente rural que lhe proporcionou contato direto com as desigualdades sociais. Essa vivência contribuiu para o despertar da sua consciência crítica.
Para saber mais: Site oficial Fidel Soldado de las Ideas e o documentário Fidel: A História Não Contada (2001), de Estela Bravo.
2. Expedição de Cayo Confites
Em outubro de 1947, Fidel Castro participou da expedição de Cayo Confites, um plano para derrubar a ditadura de Leónidas Trujillo, na República Dominicana. A operação foi descoberta e dispersada pela marinha cubana, mas Fidel conseguiu escapar nadando. Essa ação evidencia o DNA internacionalista do jovem Fidel, que o acompanharia por toda a vida.
Para saber mais: Livro Ciem Horas con Fidel, de Ignácio Ramonet.
3. Bogotazo e o encontro com Gaitán
Em 1948, durante o IX Congresso Pan-Americano de Estudantes em Bogotá, Fidel testemunhou o assassinato do líder popular Jorge Eliécer Gaitán, fato que desencadeou uma grande revolta conhecida como o Bogotazo. No dia anterior, Fidel e Gaitán haviam se encontrado para discutir ideias. Estar no ambiente deste acontecimento reforçou em Fidel sua crença na insurreição popular.
Para saber mais: Site Fidel Soldado de las Ideas e o documentário Bogotazo: 9 de abril de 1948, de 2008.
4. Discurso de 7 Horas na Televisão
Uma semana após a entrada triunfal em Havana, Fidel discursou por 7 horas consecutivas na televisão cubana. Gabriel García Márquez, que acabara de chegar à capital cubana, testemunhou o fenômeno e descreveu a capacidade hipnótica de Fidel de falar por horas sem perder a atenção do povo. Esse episódio foi caracterizado por García Márquez como “o ofício da palavra falada”.
Para saber mais: Revista Casa de las Américas
5. “Pátria ou Morte, Venceremos!”
Em 4 de março de 1960, durante o funeral das vítimas da explosão do navio francês La Coubre, na Baía de Havana, Fidel proclamou pela primeira vez o lema “Pátria ou Morte, Venceremos!”. O atentado, que deixou mais de 100 mortos e centenas de feridos foi atribuído pelo governo cubano à CIA. A frase se tornou a consigna oficial da Revolução e foi pronunciada por Fidel em seus discursos oficiais.
Para saber mais: Canção Patria o Muerte por la Vida.

6. O Discurso Mais Longo da História da ONU
Em 26 de setembro de 1960, Fidel Castro proferiu o discurso mais longo da história da Assembleia Geral da ONU, com duração de 4 horas e 29 minutos. Na ocasião, ele denunciou a política dos EUA em relação a Cuba e à América Latina, defendendo o direito dos povos à sua autodeterminação. A frase “Cessem a filosofia do despojo e cessará a filosofia da guerra”, demonstra a tônica de seu discurso contra o imperialismo.
Para saber mais: Discurso épico de Fidel Castro na ONU em 1960.
7. Missão Internacionalista e A luta pela libertação na África
Em outubro de 1963, Cuba realizou sua primeira grande missão internacionalista na África, enviando 22 tanques, artilharia e centenas de soldados para a Argélia, que acabara de conquistar sua independência e estava sendo ameaçada pelas forças marroquinas. O mesmo navio que transportou os militares trouxe de volta centenas de crianças órfãs de guerra argelinas para estudar em Cuba.
Após esta primeira missão, Cuba teve participação excepcional nas lutas de libertação nacional no continente africano, sobretudo em Angola, em que, através da Operação Carlota, ajudou a livrar o povo angolano da invasão sul-africana, consolidando a independência de Angola, da Namíbia e colocando fim ao regime racista do Apartheid. Fidel Castro se dedicou pessoalmente à elaboração da estratégia que derrotou o imperialismo na maior batalha da Guerra Fria, em solo africano: a Batalha de Cuito Cuanavale.
Para saber mais: Documentário Cuba: Uma Odisseia Africana.
8. As Crianças de Chernobyl
Após a explosão da usina nuclear de Chernobyl, na Ucrânia, em 1986, Cuba prestou ajuda para a recuperação de milhares de crianças afetadas pela radiação. Fundou-se a Vila de Tarará, nas cercanias de Havana, onde as crianças permaneciam isoladas em uma vila à beira-mar, recebendo tratamento médico e psicológico.
Em 29 de março de 1990, o Comandante-em-chefe Fidel Castro recebeu pessoalmente, no Aeroporto Internacional José Martí, o primeiro grupo de 139 crianças portadoras de diferentes doenças onco-hematológicas, afetadas pelo maior desastre nuclear da história. Mais de 20 mil crianças foram acolhidas ao longo do programa, em um dos principais atos de solidariedade internacional de Cuba.
Para saber mais: Documentário Tarará, la historia de Chernóbil en Cuba.
9. A Teimosia de Fidel: El Necio
Durante o Período Especial, na década de 1990, que se seguiu à queda da União Soviética, o trovador Silvio Rodríguez compôs a canção “El Necio”, que se tornou um hino de resistência e esperança para o povo cubano. A música é interpretada como uma homenagem à perseverança e à firmeza ideológica de Fidel Castro, que liderou e garantiu a unidade do país naquele momento de profunda crise. Os versos se tornaram símbolo de resistência e esperança nos ideais revolucionários.
Para saber mais: El Necio, de Silvio Rodríguez, do álbum Causas y Azares (1992).
10. Recorde Mundial de Atentados (Guinness World Records)
Fidel Castro entrou para o Livro dos Recordes Guinness como a pessoa que mais sofreu tentativas de assassinato na história, com 638 atentados documentados entre 1958 e 2000, quase todos orquestrados pela CIA. Os métodos incluíam franco-atiradores, explosivos em sapatos, veneno em charutos, bolas de beisebol com carga explosiva, bombas em microfones, entre outras centenas de tentativas. O governo cubano confirma que o líder da Revolução foi alvo de mais de 600 tentativas de magnicídio, atribuindo a responsabilidade direta ou indireta aos Estados Unidos. Apesar de toda a perseguição, Fidel morreu de causas naturais, aos 90 anos, em 25 de novembro de 2016.
Para saber mais: Livros O Mérito de Estar Vivo, de Luis Báez e La Guerra Secreta, de Fabián Escalante Font. Série documental El que debe vivir (2010), da televisão cubana.
Estas curiosidades mostram a trajetória do jovem rebelde que iniciou uma guerrilha com sete armas e meia dúzia de combatentes, ao estadista que desafiou o império e sobreviveu a mais de 600 atentados. Não podem ser vistas como meras anedotas históricas, mas estímulo para nossa militância, especialmente para a juventude, herdeira de um legado incontestável.
Mais do que recordar sua história, a celebração de seu centenário nos convoca a praticar seu legado de internacionalismo, solidariedade e intransigência revolucionária. Que cada discurso, cada missão na África e América Latina, cada criança acolhida em Cuba e cada batalha vencida, contra o criminoso bloqueio econômico do EUA nos lembrem que o socialismo não se constrói apenas com ideias, mas com ações concretas de amor e coragem.
Que Fidel, comandante invicto, pulse em cada coração, em cada rincão deste planeta na luta pela emancipação da humanidade. Pátria ou Morte, Venceremos!
*Editado por Solange Engelmann



