Balanço

Centenário de Fidel Castro inspira mobilizações da Juventude Sem Terra no Brasil

Ações de solidariedade com doação de alimentos na Bahia e plantio de mudas no Rio Grande do Norte marcaram a agenda da Reforma Agrária Popular no interior

Foto: Divulgação

Por Fernanda Alcântara
Da Página do MST

A 17ª Jornada Nacional da Juventude Sem Terra, realizada entre os dias 9 e 13 de agosto de 2026, reafirmou o papel histórico das novas gerações na construção da Reforma Agrária Popular e na resistência ativa contra as ofensivas do capital internacional. Sob o lema “Contra o imperialismo: Juventude em Luta pelo socialismo”, milhares de jovens mobilizaram-se em territórios de todo o país, unindo a denúncia política à mística revolucionária.

O calendário de lutas deste ano carregou um simbolismo especial ao celebrar o centenário do Comandante Fidel Castro, cuja trajetória de solidariedade e soberania segue como bússola para o Movimento. Neste sentido, a Juventude se concentrou na urgência de enfrentar a hegemonia estadunidense e os danos causados pela indústria da guerra, que lucra com a destruição da natureza e a morte de povos soberanos.

A jornada foi concebida como um espaço de agitação, propaganda e formação, projetando a Reforma Agrária como um projeto de futuro indispensável para a classe trabalhadora. Para a juventude organizada, o legado de Fidel Castro não é apenas uma memória, mas uma ferramenta política viva que ensina a resistir aos bloqueios econômicos e às tentativas de asfixia impostas aos projetos populares na América Latina.

Conforme destaca Fernanda Farias, da coordenação nacional do coletivo de juventude do Movimento, a iniciativa buscou “recuperar quem foi o maior anti-imperialista do nosso período e afirmar os nossos compromissos com a luta contra os impérios hoje, vinculada ao projeto de Reforma Agrária que acreditamos e na defesa da soberania dos países”. Essa perspectiva internacionalista conectou as atividades nas áreas de assentamento e acampamento às realidades de Cuba e Venezuela, países que enfrentam sanções criminosas e crises energéticas provocadas pela ingerência estrangeira.

Ao longo de cinco dias, a juventude transformou a indignação em organização coletiva, demonstrando que a luta pela terra é indissociável da luta pela emancipação humana. O balanço desta jornada revela um Movimento revigorado, que utiliza a arte, o plantio de árvores e a ocupação das ruas como instrumentos de diálogo com a sociedade brasileira.

Confira a seguir algumas das principais ações, destacando a força da organização popular no Distrito Federal, em São Paulo e nas demais regiões onde o MST mantém viva a chama da resistência

A denúncia no coração do império e a mística nas capitais

Foto: Divulgação
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Em Brasília, o MST no Distrito Federal e Entorno protagonizou uma das ações mais marcantes da jornada. Na manhã de quinta-feira (13), jovens do Movimento e do Levante Popular da Juventude realizaram uma intervenção direta em frente à Embaixada dos Estados Unidos. Portando faixas que denunciavam a indústria da guerra dos EUA como sinônimo de “mortes, fome e destruição da natureza”, os militantes lembraram o papel do governo norte-americano no mercado global de armamentos pesados.

Atualmente, ios EUA dominam mais de 40% das exportações globais de armas, alimentando conflitos devastadores, como os ataques na Faixa de Gaza e agressões à soberania de países latino-americanos. A ação em Brasília teve um forte componente simbólico: as paredes próximas à embaixada receberam inscrições denunciando o lucro sobre a morte, e uma maquete representando o dólar estadunidense foi queimada ao final do ato, simbolizando a rejeição à dominação financeira e imperialista.

Fernanda Farias reforçou que a atividade integrou o esforço nacional para celebrar Fidel Castro e recuperar seu legado de resistência nos territórios da Reforma Agrária Popular. A juventude bradou que defende “o direito à vida, a natureza, a paz e a soberania dos povos”, projetando a construção do socialismo como única via para a superação da barbárie capitalista.

Em São Paulo, a Juventude também concentrou ações de grande envergadura, tanto no campo da denúncia quanto na mística e preservação ambiental. Em frente ao Consulado dos Estados Unidos, na capital paulista, centenas de jovens realizaram atos simultâneos aos de outras capitais, condenando as tentativas de interferência no processo eleitoral brasileiro e as sanções contra Cuba e Venezuela. Mirela Marcon, da Operativa do Coletivo Nacional de Juventude Sem Terra, enfatizou durante a mobilização que a juventude não pode aceitar a naturalização da fome e da guerra, devendo transformar a indignação em luta organizada.

Plantio de árvores e conquistas territoriais

Plantio no Centro Agroecológico Paulo Kageyama (CAPK), 100 árvores em memória ao centenário de Fidel Castro. Foto: CAPK

No MST no Rio de Janeiro a mobilização nos consulados dos EUA seguiu a mesma tônica de denúncia anti-imperialista, unindo estudantes e camponeses em uma frente única em defesa da soberania nacional. Camila Moraes, coordenadora do Levante Popular da Juventude, destacou que ocupar esses espaços é uma forma de dizer que quem deve escrever o destino de um país é o seu próprio povo, transformando a memória de Fidel em ação política imediata.

Ainda no território paulista, a celebração do centenário de Fidel Castro ganhou raízes. No Centro Agroecológico Paulo Kageyama, localizado na cidade de Jarinu, foram plantadas 100 árvores em memória ao líder cubano, reforçando o compromisso com a justiça social e o enfrentamento às mudanças climáticas geradas pelo capitalismo.

Paralelamente, a Escola Nacional Florestan Fernandes (ENFF), em Guararema, tornou-se o epicentro da formação política e da mística revolucionária. Com poesia, música e debates, a comunidade acadêmica e militante honrou Fidel como o guerrilheiro que dedicou a vida aos oprimidos, reafirmando que “seu legado é guia para nossa caminhada rumo a uma sociedade livre da exploração”.

Em Recife, a juventude estendeu faixas e realizou agitações que pautaram o redirecionamento de recursos bélicos para o combate à desigualdade e à produção de alimentos saudáveis. O MST em Pernambuco também levou a jornada para além das ruas da capital, realizando um “Roçado Solidário” no assentamento Che Guevara, no município de Moreno. No dia 12 de agosto, jovens trabalharam coletivamente na terra, unindo a produção de alimentos à celebração do centenário de Fidel.

No MST em Alagoas, a juventude redigiu uma carta aberta ao povo cubano, reafirmando que “a Revolução Cubana, com a memória de Fidel e Che, segue nos ensinando que é possível resistir ao imperialismo”. O documento, circulado durante as atividades de formação, defendeu o fim do bloqueio econômico e celebrou a certeza de que a solidariedade é a ternura dos povos. Em outras frentes, o Movimento incentivou a escrita de poemas e mensagens de apoio aos cubanos e venezuelanos, fortalecendo a rede internacionalista da juventude Sem Terra.

A arte e a cultura também coloriram o MST no Paraná. Em Curitiba, a juventude transformou a homenagem a Fidel em ações de pintura coletiva, utilizando pincéis e cores para reafirmar o projeto de sociedade socialista. Em Londrina, um grande mural foi concluído no bairro Vista Bela, fruto de parcerias locais, servindo como registro visual da presença do Movimento e de seus ideais na periferia urbana e nos territórios rurais.

No Rio Grande do Norte, o acampamento José Teixeira, em Jandaíra, realizou o plantio de diversas mudas frutíferas, como cajueiro, mangueira e limoeiro. A ação simbolizou o compromisso da juventude com a soberania alimentar e a construção de um futuro com justiça social, pautado pelo lema da jornada. Já o MST na Bahia demonstrou que a solidariedade é uma forma de combate à fome. Em Itamaraju, a juventude da Regional Extremo Sul, em parceria com a Cozinha Solidária Terra Justa, doou 110 marmitex para famílias em situação de vulnerabilidade, reafirmando que o combate à desigualdade é uma pauta central da juventude revolucionária

Um legado que se planta para o futuro

A 17ª Jornada Nacional da Juventude Sem Terra em 2026 se encerra reafirmando que o legado de Fidel Castro não é memória, mas prática viva no MST. As ações concretas, dos plantios às denúncias em Brasília, passando pelas cozinhas solidárias na Bahia, mostraram que a Reforma Agrária Popular é um projeto sistêmico que integra todas as dimensões da vida.

O fim da jornada não encerra o processo; ele abre novas frentes de luta, e a prova é o próximo Ciclo de Debates a ser realizado na ENFF, espaço onde o MST seguirá aprofundando o debate e a organização no dia 22/08. A certeza que a Juventude traz é que os temas dessa jornada não se esgotam com seu término pois, enquanto houver latifúndio e imperialismo, a juventude Sem Terra seguirá em pé, plantando resistência e colhendo soberania.