Religiosidade
MST participa do 2º Seminário Jeholu de Políticas Públicas e Cultura das Tradições de Matrizes Africanas

Por Coletivo Terra, Raça e Classe do MST
Da Página do MST
De 11 a 14 de agosto aconteceu o 2º Seminário da Ocupação Cultural Jeholu, que trouxe para a sua segunda edição diálogos, reflexões e apontamentos com o objetivo de construir sínteses e propostas para o combate à violação de Direitos dos Povos e Comunidades Tradicionais de matrizes africanas.
Interligando diferentes linguagens e conhecimentos a partir da relação direta com a ancestralidade, o Seminário Jeholu é espaço para pensar os princípios ético-epistemológicos dos terreiros, em toda a diversidade desses espaços, que conferem materialidade ao legado ancestral.
O Seminário contou com mesas temáticas que abarcaram os falares africanos, a matripotência das mulheres negras, políticas públicas de fomento à cultura e preservação da memória dos povos tradicionais e de terreiro, educação afrocentrada, infâncias, juventudes, ancestralidade, questão funerária, identidade, justiça climática e racismo ambiental, enfim, uma gama de assuntos que impactam diretamente a vida e o cotidiano das comunidades tradicionais, mas que muitas vezes são secundarizados e negligenciados.
Nesse sentido, o diagnóstico da realidade vivenciada pelos povos e comunidades tradicionais, bem como a elaboração de reflexões e propostas para salvaguardar o patrimônio imaterial e garantir os direitos é fundamental para avançar na construção da democracia que queremos e necessitamos.
Durante o Seminário, o Coletivo Terra, Raça e Classe do MST participou da mesa “Educação Afrocentrada e Garantia de Direitos: debate sobre a efetividade da Lei 10.639/03, formação docente antirracista e proteção integral das infâncias nos terreiros”, que contou com a participação de Iyá Denise Botelho, Iyá Vanda Machado, Digo Reis e Simone Magalhães, sob a mediação de Lucas Scaravelli da Silva.

Esse espaço foi mais um momento especial do Seminário, em que foi possível reafirmar a importância da criação da Lei 10.639/2003, e, sobretudo, reconhecer a necessidade de estarmos atentas e atentos para defender a proteção às infâncias e juventudes frente ao racismo religioso institucional nos ambientes escolares e comunitários, bem como incidir na formação de educadoras e educadores contra o racismo, baseada em princípios éticos, antirracistas e emancipatórios, capazes de garantir o desenvolvimento integral e humanizador das crianças e jovens nos espaços escolares e comunitários.
O MST destacou a importância da agroecologia como matriz tecnológica ancestral, que deve fundamentar a relação social das/dos Sem Terra nos territórios em geral e na escola em particular. Denunciou ainda que, no contexto em que a educação é um direito do povo e dever do Estado, fechar escolas do campo, indígenas e quilombolas é uma flagrante violação de direitos de crianças, jovens e adultos que vivem no campo, nas águas, nas florestas e comunidades tradicionais. Nesse sentido, se reconhece a necessidade urgente de defender as escolas do campo enquanto compromisso político de enfrentamento ao modelo capitalista apresentado para o campo brasileiro: o agronegócio. Um modelo que sequestra os bens naturais comuns e subordina as comunidades tradicionais e a sociedade brasileira aos interesses do capital. Fechar Escola é crime!

O CENARAB BRASIL, representado pela coordenadora-geral Makota Celinha, participou deste importante espaço, trazendo o conjunto de reflexões e contribuições que o Centro Nacional de Africanidade e Resistência Afro-brasileira (CENARAB) tem acumulado em todo o Brasil para combater a intolerância religiosa, o preconceito e a discriminação. Reafirmando o compromisso de luta para a construção de políticas públicas que garantam os Direitos dos Povos Tradicionais de matrizes africanas.
Além das mesas temáticas, o Seminário mostrou sua grandiosidade epistemológica e ancestral quando homenageou o Pejigan Rafael Pinto, Iyá Vanda Machado e Claudia Alexandre, resgatando a memória e a resistência da luta antirracista no Brasil, mostrando que é importante reverenciar os que vieram antes e os que abriram caminhos, pois é preciso lembrar que os “nossos passos vêm de longe!”
Participar do 2º Seminário Jeholu de Políticas Públicas e Cultura das Tradições de Matrizes Africanas é vivenciar um espaço em que a arte, a cultura, a beleza, o cuidado, os afetos e a ancestralidade se relacionam com conhecimentos e saberes diversos, buscando projetar futuros: antirracistas, ancestrais e anticapitalistas.



Vida longa ao Seminário Jeholu de Cultura e Políticas Públicas das Tradições de Matrizes Africanas. no Brasil, mostrando que é importante reverenciar os que vieram antes e os que abriram caminhos, pois é preciso lembrar que os “nossos passos vêm de longe”!
*Editado por Fernanda Alcântara



