Cultura, Saúde e Sabores

8 coisas que você só encontra na VI Feira da Reforma Agrária em MG

De passarinhos de papel machê a geleias de frutos do Cerrado, a Feira reúne alimentos, cultura, biodiversidade e práticas de cuidado que mostram a riqueza da Reforma Agrária Popular

Por Agatha Azevedo 

Da Página do MST 

Foto: Pedro Veberling

Entre os dias 11 e 13 de setembro de 2026, Belo Horizonte recebe, na Serraria Souza Pinto, a VI Feira da Reforma Agrária Popular. Ação permanente do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), a Feira  reúne produtos das famílias assentadas e acampadas, experiências de produção agroecológica, manifestações culturais e espaços de cuidado e articulação política.

Composta pelas diferentes dimensões da Reforma Agrária Popular, o evento traz a produção de alimentos saudáveis, a defesa da soberania, o projeto de massificação agroecológica e defesa da biodiversidade, além da luta pelo direito à terra, em um só lugar.  E é para mostrar um pouco dessa imensa diversidade, que preparamos uma lista com oito coisas que você só encontra na Feira. 

1. Passarinhos de papel machê que também contam histórias de luta

Foto: Pedro Veberling

Da Zona da Mata, as famílias do Acampamento Roza Cabinda trazem a cultura popular para retratar as paisagens da região e transformam papel machê em passarinhos da fauna brasileira. A matéria prima também serve para criar outras produções criativas, como os chaveiros com a bandeira do MST.

O acampamento foi ocupado em 1º de maio de 2024, Dia do Trabalhador, e é referência em arte e produção agroecológica. Nas mãos das famílias, o artesanato se torna também uma forma de expressar a identidade, a memória e a resistência do território.

2. Geleias e licores de frutos do cerrado que você talvez nunca tenha provado

Foto: Pedro Veberling

Murici, jenipapo, seriguela, maracujá do mato e coquinho azedo: a lista de sabores do Cerrado inclui geleias e licores produzidos pela Cooperativa Veredas da Terra e pelo coletivo de mulheres Flores de Pequi.

A produção vem dos Assentamentos do MST Professor Mazan, Estrela do Norte e do Acampamento João Pedro Teixeira, todos na regional Norte de Minas. São alimentos que carregam a diversidade dos biomas e o trabalho coletivo das famílias da Reforma Agrária.

3.Banana-marmelo: a banana que também vai para a panela

Foto: Pedro Veberling

Produzida no Assentamento 2 de Julho, na regional Metropolitana do MST, a banana-marmelo é cultivada pelo casal José Ross e Dona Lia.

Diferente de outras variedades mais conhecidas, a fruta é ideal para comer frita ou cozida. Um alimento que mostra como a agricultura camponesa tem a capacidade de proteger e cultivar variedades alimentícias que fazem parte da cultura alimentar de diferentes regiões.

4. Cumari: a pimenta que o passarinho planta

Foto: Pedro Veberling

A pimenta-cumari, também chamada de pimenta-passarinho, tem esse nome porque são os passarinhos que ajudam a plantá-la. De cultivo difícil, ela é produzida no Vale do Mucuri, no Sítio Pacajus, em Itaipé, cidade próxima à Teófilo Otoni. 

A variedade também carrega uma história de resistência: segundo os produtores, não germina em territórios contaminados por agrotóxicos.

5. Maxixe nativo dos Vales

Foto: Pedro Veberling

Cultivado pela família de Dona Aparecida e Zé Banha, assentados Egídio Brunetto, no Vale do Rio Doce, o maxixe é uma planta rústica, nativa da região e muito consumida pelo povo dos Vales.

Na cozinha, pode ser preparado refogado com carne ou servido puro ou com cheiro verde no almoço. Na Feira, ele aparece como exemplo da diversidade de alimentos produzidos pelas famílias Sem Terra.

 6. Mudas nativas que carregam o futuro da biodiversidade

Foto: Pedro Veberling

Pitomba da Mata Atlântica, orquídea-baunilha do Cerrado e panaceia, árvore conhecida por seus usos curativos. As mudas dos viveiros do MST em Minas Gerais estão sendo vendidas a preços populares e mostram que a Reforma Agrária também envolve cuidado com a biodiversidade e preservação de espécies.

Quem adquire uma muda leva consigo a possibilidade de cultivar vida e contribuir para a recuperação dos territórios.

7. Cuidados populares em saúde, porque saúde também é luta

Foto: Mariana Jaimes

Na Área de Cuidados do Setor de Saúde do MST Diva França, o cuidado aparece como prática coletiva, conhecimento popular e construção de autonomia.

A proposta parte de uma compreensão ampliada de saúde: mais do que tratar doenças, saúde é cuidar da vida em todas as suas dimensões e construir a capacidade de lutar contra tudo o que nos oprime.

8. Ciranda Infantil: um espaço onde brincar também é construir

Foto: Pedro Veberling

Enquanto as famílias participam das atividades da Feira, a Ciranda Infantil oferece às crianças um espaço de cuidado, brincadeira, convivência e formação.

A Ciranda faz parte da organização do MST e reafirma que as crianças também participam da construção da vida coletiva e são sujeitos do presente da reforma agrária. Com a palavra de ordem “Sem Terrinha em Movimento: brincar, sorrir e lutar”, a ciranda é um espaço onde a luta se encontra com a alegria, a criatividade e o direito de brincar.