A Luta Continua

Carta ao Povo Brasileiro

Em carta após a vitória de Lula, o MST afirma que a derrota da extrema-direita exige mobilização permanente e cobra assentamento de 100 mil famílias acampadas como legado do novo mandato

Ao Povo Brasileiro,


Vencemos muito mais do que uma eleição. Vencemos a batalha mais difícil que nossa geração já enfrentou. Não enfrentamos apenas um candidato e um partido, mas um projeto de subordinação e entrega do Brasil e da América Latina — projeto que conta com o apoio das big techs, com a parcialidade de setores do Judiciário e do Legislativo e com o poder do grande capital. Derrotamos a extrema-direita, e a força dessa vitória repercute nas lutas de todo o continente e do mundo.


Nossa vitória deixa aprendizados importantes. A luta contra o fascismo e a extrema-direita não se decide apenas nas eleições ou nos tribunais. Assim como eles permaneceram organizados e ofensivos depois de 2022, permanecerão agora. Sabemos que eles não aceitam derrotas; que os Estados Unidos seguirão ameaçando nossa soberania por meios diplomáticos, financeiros, digitais e clandestinos; e que as bancadas do boi, da bala, das bets e da Bíblia farão de tudo para implementar pelo Congresso o projeto derrotado nas urnas. E sabemos que só se vence a extrema-direita com mobilização, nas ruas e nas redes, com organização e participação.

São essas as marcas que devem permanecer no próximo período, diante de desafios gigantescos. Organização, participação, mobilização e luta para enfrentar um Congresso dominado pela extrema-direita; para enfrentar uma taxa Selic que premia os ricos e pune os pobres; para reformar o Judiciário e o Legislativo, de modo que seja a vontade popular — e não o dinheiro dos banqueiros nem a política das emendas — que decida os rumos do país.

Presidente Lula, estivemos mais uma vez ao seu lado e temos orgulho de participar dessa vitória. Queremos que a Reforma Agrária faça parte do legado de seus mandatos. Para isso, há muito trabalho pela frente: é preciso garantir o assentamento das 100 mil famílias acampadas e assegurar infraestrutura para o desenvolvimento dos assentamentos e da produção agroecológica. É necessário fortalecer e ampliar as agroindústrias da reforma agrária e da agricultura familiar, para gerar empregos no campo e irradiar desenvolvimento para os pequenos municípios. Nosso compromisso é com alimentos saudáveis para o povo brasileiro, e isso exige mais robustez nos programas de produção, aquisição e distribuição de alimentos. Queremos combater toda forma de ignorância, e é vital valorizar a educação do campo, da alfabetização aos cursos superiores.


Ao povo brasileiro, conte com a força, o compromisso e a energia das famílias do Movimento Sem Terra. O momento é de avançar! Seguir mobilizados e organizados e conquistar as mudanças necessárias para que todo o povo brasileiro tenha vida digna e justa.


Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra