Violência contra Indígenas

Polícia Federal investiga onda de violência contra indígenas no Mato Grosso do Sul após as eleições

Casos envolvem incêndio criminoso de casa reza, ameaça de contaminação de água e até assassinato de uma família inteira

Foto: Christian Braga/Farpa/CIDH

Do Brasil de Fato

Polícia Federal (PF) foi acionada pelo Ministério dos Povos Indígenas (MPI), nesta quinta-feira (29), para investigar os casos de violência contra indígenas Guarani e Kaiowá no Mato Grosso do Sul, após o resultado das eleições.

A Fundação dos Povos Indígenas (Funai) classificou os relatos como “extremamente preocupantes” e cita ameaças à vida, à segurança e à integridade física dos indígenas, manifestações de discriminação e incitação ao ódio.

“Diante da gravidade dos relatos, o MPI acionou a Polícia Federal para que os fatos sejam apurados com celeridade e rigor. O Ministério também mantém diálogo com as comunidades indígenas, por meio do Departamento de Mediação e Conciliação de Conflitos Fundiários Indígenas (Demed), e segue atuando, no âmbito de suas competências, para assegurar a proteção e os direitos das comunidades”, informa a nota do governo federal. As denúncias têm sido reunidas pela Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib) e Associação Aty Guasu.

Nesta quinta (29), por volta das 6h, a casa da Ñandesy Roberta, de 90 anos, taxada como feiticeira e sofrendo racismo, foi incendiada de forma criminosa, na aldeia Jaguapiré, município de Tacuru (MS). Foram queimados todos os instrumentos sagrados usados nos rituais do povo, como takua, xiru, mbaraka, mimby e outros.

Na quarta (28), um servidor da Prefeitura de Tacuru (MS) foi afastado das funções após sugerir o envenenamento da água consumida por indígenas da Aldeia Sassoró em mensagem de WhatsApp.

No domingo (25), à noite, uma família inteira foi assassinada em Naviraí. No mesmo dia, houve atropelamentos em Coronel Sapucaia. Um homem morreu.

A Anistia Internacional Brasil e o Greenpeace também cobraram resposta urgente das autoridades diante das denúncias no Mato Grosso do Sul.

Além do MPI, os ministérios dos Direitos Humanos e da Cidadania (MDHC) e da Igualdade Racial (MIR) atuam para reunir denúncias de violência relacionadas aos povos indígenas, comunidades quilombolas e povos de terreiro. Os órgãos estão em diálogo permanente, por meio de uma força-tarefa, para que os casos sejam investigados “de forma célere, e os responsáveis identificados e responsabilizados por possíveis crimes”.

São Paulo e Minas Gerais

A escalada da violência também foi denunciada pela deputada federal Célia Xakriabá (Psol-MG) na Comissão de Direitos Humanos, Minorias e Igualdade Racial, que apontou um incêndio no território do povo Tikm’n, conhecido como Maxakali, em Minas Gerais. “São povos indígenas que enfrentam ameaças à vida, à água e aos seus territórios. Essas denúncias precisam ser investigadas, e o poder público deve agir para garantir proteção às comunidades”, disse Célia.

A Apib também denunciou casos de ameaças a indígenas em Avaí (SP), próxima à região de Bauru.

Editado por: Gia Matheus Almeida