Internacionalizemos a luta

Primeira etapa da Especialização em Questão Agrária na América Latina reúne diversos estados, países e organizações camponesas na UNILA

Foto: MST no PR

Por  Comunicação MST no PR
Da Página do MST 

Em setembro, a Universidade Federal da Integração Latino Americana (UNILA) realizou a primeira etapa da Especialização em Questão Agrária na América Latina, uma formação construída em parceria com o Programa Nacional de Educação na Reforma Agrária (PRONERA) e o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (INCRA).

A turma é formada por 36 educandos e educandas de diferentes estados e países, entre eles, Bahia, Mato Grosso, Distrito Federal e Paraná e Peru, Paraguai, Argentina, Haiti e Venezuela. A riqueza da diversidade de territórios e experiências presentes, expressa o caráter latino-americano da especialização e possibilitou o encontro entre diferentes sujeitos e organizações que constroem a luta pela terra e pela transformação social.

Foto: MST no PR

Participam da turma representantes do Movimentos dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), Movimento dos Trabalhadores Acampados, Assentados e Quilombolas da Bahia (Movimento CETA), Pastoral da Juventude Rural, Comissão Pastoral da Terra, Mouvman Peyuzan Papay (MPP), Movimiento Campesino Paraguayo (MCP) e Movimento Agrário de Misiones (MAM).

Ao longo desta primeira etapa, foram desenvolvidos estudos sobre a Questão Agrária na América Latina na Contemporaneidade, Teoria do Desenvolvimento do Capitalismo no Campo, Trabalho e Perspectivas de Gênero e Metodologia de Pesquisa, articulando os debates teóricos às experiências concretas dos territórios e das organizações populares.

Internacionalizemos a luta!

Foto: MST no PR

A construção da parceria entre o PRONERA e a UNILA, somado a presença de sujeitos de diferentes países, possibilitam reunir diferentes experiências latino-americanas em um mesmo espaço formativo, fortalecendo o intercâmbio entreorganizações camponesas e ampliando a compreensão sobre os desafios comuns enfrentados pelos povos do campo.

A concentração de terra, o avanço do agronegócio, a exploração do trabalho, a disputa pelos territórios e a transformação da natureza em mercadoria são expressões de um modelo de desenvolvimento que atravessa todo o continente. Por isso, fortalecer os vínculos entre as organizações latino-americanas significa também fortalecer a capacidade dos povos de construir respostas coletivas.

A Reforma Agrária como projeto de sociedade

Foto: MST no PR

Como parte da programação da primeira etapa, foi realizada a Aula Magna com o Professor Dr. Bernardo Mançano Fernandes, referência nos estudos de geografia agrária e coordenador do Núcleo de Estudos, Pesquisas e Projetos de Reforma Agrária (NERA).

A atividade contribui para aprofundar as discussões sobre a questão agrária e os desafios da Reforma Agrária na atualidade. Em sua exposição, Mançano destacou que a Reformar Agrária não deve ser compreendida apenas como um plano de governo, mas como um projeto de sociedade.

A reflexão dialoga diretamente com a perspectiva construída ao longo da especialização: compreender a questão agrária a partir das relações sociais que estruturam o campo e a capacidade dos sujeitos organizados de intervir nessa realidade. A Reforma Agrária Popular, nesse sentido, não se limita à distribuição de terras. Ela envolve a construção de novas relações sociais, defesa dos territórios, a soberania alimentar, a cultura e a organização popular, colocando no centro os interesses da classe trabalhadora e dos povos do campo.

A construção da Reforma Agrária Popular exige formação, organização e luta. E é também nesse terreno que se constrói um projeto de sociedade baseado na democratização da terra, soberania dos povos e na transformação social.

Lutar! Construir Reforma Agrária Popular!