Comunicação Sem Terra

MST realiza Encontro Estadual do Setor de Comunicação no Pará

Atividade reuniu militantes de diferentes regiões do estado para debater estratégias, formação política e fortalecimento da comunicação popular do Movimento

Foto: Carlinhos Luz

Por Carlinhos Luz
Da Página do MST

Entre os dias 20, 21 e 22 de fevereiro de 2026, o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra no Pará realizou o Encontro Estadual do Setor de Comunicação no assentamento Abril Vermelho, localizado no município de Santa Bárbara do Pará. Com o lema: “Informar, Formar e Organizar!”, a atividade reuniu comunicadores e comunicadoras Sem Terra de diversas regiões do estado para debater os desafios da comunicação popular na Amazônia e fortalecer a organização do coletivo estadual.

Durante os três dias de encontro foram aprofundadas reflexões sobre o papel estratégico da comunicação na disputa de narrativas em defesa da Reforma Agrária Popular. Entre os principais temas debatidos estiveram os desafios da comunicação popular na Amazônia, marcada por grandes distâncias territoriais, dificuldades de acesso à internet em áreas rurais e a forte presença da mídia hegemônica na região que muitas vezes criminaliza os movimentos e as lutas sociais na região.

Foto: Carlinhos Luz

A militância também discutiu os desafios da comunicação Sem Terra, através da atuação da Frente de Massas, Comunicação e Direitos Humanos para o próximo período, considerando o cenário político e a necessidade de ampliar a presença do Movimento nas plataformas digitais e de se fazer uma comunicação popular vinculada à base organizada do Movimento. Foi reafirmado que a comunicação é parte da luta e que precisa denunciar as violências no campo, dar visibilidade à produção dos assentamentos e fortalecer a identidade Sem Terra.

O encontro foi espaço de partilha das experiências de rádios comunitárias camponesas no estado, como é o caso da Rádio Palmares FM, no assentamento Palmares II , em Parauapebas, e o começo de uma experiência de rádio web no assentamento Abril Vermelho. As rádios comunitárias foram destacadas como instrumentos fundamentais para alcançar as famílias nos assentamentos e comunidades, onde o acesso à internet ainda é limitado. Já a comunicação digital foi apontada como ferramenta estratégica para ampliar o alcance das ações do MST, dialogando com a sociedade e fortalecendo a solidariedade entre campo e cidade.

Planejamento estratégico e homenagem a Ulisses Manaças

Além dos debates e partilhas, o Encontro Estadual teve como um dos seus principais objetivos a construção de um planejamento estratégico para o próximo período. Os participantes elaboraram propostas para fortalecer a organização do coletivo estadual de comunicação, ampliar a formação de novos comunicadores e garantir maior articulação entre as regionais. Foram definidos encaminhamentos para melhorar os fluxos de informação interna, qualificar a produção de conteúdo e coordenar os canais de comunicação do Movimento no estado.

Para Ricardo Cabano, membro do coletivo e da Direção Estadual do Movimento, a realização do encontro foi importantíssima para o debate e o planejamento de atuação do setor. “O encontro foi voltado para a avaliação da atuação do coletivo e nosso planejamento. A avaliação passou pelas ferramentas de comunicação que o setor vem construindo e atuando como rádios comunitárias, redes sociais, fotografia, audiovisual e produção de conteúdo. Nosso planejamento foi construído no campo da formação política reafirmando a comunicação como parte estratégica da luta pela Reforma Agrária Popular e realizando oficinas de comunicação em nossas regionais e territórios para promover a qualificação técnica de nossa militância. Neste encontro também batizamos nosso coletivo de comunicação com o nome de Ulisses Manaças, falecido em 2018, e que foi um companheiro que ajudou a criar o Setor de Comunicação do MST e colaborou para a formação de muitas militantes que hoje atuam nas mais diversas frentes de lutas de nosso Movimento”, confirma Ricardo.

Fotos: Carlinhos Luz

Realizado no assentamento Abril Vermelho, território símbolo da luta pela terra no estado, o encontro reafirmou que a comunicação é uma frente essencial da organização Sem Terra. Mais do que informar, trata-se de construir consciência, fortalecer a base e manter viva a voz dos povos da Amazônia em defesa da terra, da Reforma Agrária Popular e da justiça social.

*Editado por Fernanda Alcântara